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Falar de Pedro Bandeira é algo difícil, mas é também um grande prazer! Trata-se sem dúvidas de um dos maiores expoentes da literatura infanto-juvenil brasileira. Ele sabe como ninguém inventar histórias que nos fazem viajar quando crianças e voltar à infância quando já somos adultos. Este é um autor que ultrapassa os limites de idade e sabe da forma mais sincera agradar o público. Em Brincadeira Mortal (2000), ele nos apresenta a Frederico um menino fantasioso que depois de viver tantas aventuras no mundo da sua mente acaba por se deparar com uma aventura real.

Fred é um menino comum que se dar mal nos estudos, que não é muito bom em matéria de “mulheres”, mas mesmo assim se diverte viajando em um mundo só dele, criado por sua própria imaginação. Ele encarna qualquer personagem, cito aqui os mais conhecidos que alimentam as fantasias do menino: Superman, Indiana Jones e até 007. O que acontece com esse tipo de criança (e não só nos livros) é que esse “inventar” demais é visto pelos adultos como mentira. Quem nunca passou por isso? Algumas pessoas até sofrem demais por serem fantasiosas e vistas como mentirosas.

A visão e compreensão que os adultos têm das crianças muitas vezes são errôneas e Pedro Bandeira sabe bem disso. Assim ele retrata de forma tão divertida esse tema que é vivido não apenas por Fred, mas por tantas outras crianças, sejam elas personagens de livros ou crianças reais. Voltando um pouco à história do livro. A enrascada de Fred começa quando surge um novo personagem, medonho e real, o Scar. Ele surge de forma não convencional no Beco dos Ratos e chama a atenção do garoto. Esse pequeno deslize de Fred irá levá-lo por uma perseguição perigosa, uma caçada a um assassino real, que pôs em risco não apenas ele, mas todos ao seu redor.

O livro atemporal nos dá uma injeção de ânimo e até uma lição, que só é absorvida se quiserem. Os despretensiosos podem ler o livro, se eletrizarem na ação e gostarem ainda assim sem entender a mensagem das entrelinhas. A preocupação do autor é divertir-se ao escrever e divertir aos que estão lendo, seja os que voaram rapidamente ou passaram mais devagar pelas páginas.

Brincadeira Mortal (Ática, 80 pág.) faz parte da coleção Vôo Livre, não é o livro mais conhecido do autor e está longe de ser o melhor. Pedro Bandeira já escreveu diversos livros que podem até está perdido pelas nossas estantes. Destaco aqui os excelentes A Marca de Uma Lágrima, A Droga da Obediência e O Fantástico Mistério de Feiurinha (adaptado para o cinema recentemente pela apresentadora Xuxa Meneghel). Aos fãs de literatura juvenil que gostam de livro com ação incessante este livro é uma ótima dica. Talvez desagrade pelo livro ser pequeno demais, mas isso serve como “não-desculpa” para aqueles que olham pra um livro e reclamam de tamanho.

Recomendo!

Nota: Pedro Bandeira nasceu em Santos em 1942, foi para São Paulo em 1961, estudou Ciências Sociais na USP. Tornou-se ator de teatro e de comerciais de televisão, jornalista, editor e publicitário, até que começou a escrever em 1983.

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