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Oscar Wilde é sem sombra de dúvidas um dos maiores escritores de literatura inglesa. Sua obra é bastante conhecida, embora tenha escrito apenas nove peças teatrais, algumas novelas e contos infantis, poesias e um romance, que é tido como sua obra prima, O Retrato de Dorian Gray. Este O Fantasma de Canterville é um clássico infantil em que o autor cria uma situação inusitada e de certo cômica onde um fantasma não consegue exercer seu principal ofício: assustar.

Esse texto foi publicado originalmente em 1887 em uma revista chamada The Court and Society Review. Nessa época estava no auge o gênero gótico em que predominavam os contos de terror ambientados em castelos, com tempestades e figuras macabras de corvos, fantasmas e outros elementos sombrios. O cinismo e o sarcasmo são marcantes nas obras de Wilde, e parece ter sido isso que o guiou na escrita dessa pequena novela. Trata-se de uma paródia desses textos sórdidos que vinham sendo escritos até então.

No entanto a proposição de Wilde é subversiva, ele pega as normas do gênero fantasmagórico para criar uma nova situação. Pois bem, nosso fantasma aqui é Sir Simon de Canterville, que assassinou a própria esposa e carrega uma maldição por conta disso. Após anos bem sucedidos de assombros e sustos, eis que chega à Mansão de Canterville uma família a qual o fantasma não impõe temor algum, e a situação se inverte. O fantasma passa então a ser atormentado pela tal família.

A narrativa é excessivamente leve, e dá a impressão de que Oscar estivesse “falando” a história. Segundo o próprio autor o texto foi feito mesmo para crianças e para os adultos que ainda carregam um pouco de sua infância. O tom humorístico é bem nítido e é quase impossível não rir, simpatizar e até mesmo ter pena do pobre fantasma. Apesar disso o livro também traz uma crítica ao patriotismo da sociedade à época, satirizando a aristocracia inglesa e a pouca inventividade norte-americana.

Esse livro já ganhou inúmeras edições, mas destaco aqui a mais recente publicada pela Casa da Palavra (uma editora do grupo LeYa). Nessa edição o fantasma, que é além de tudo um bom ator, ganha forma com as ilustrações de Romero Cavalcanti, que dão ao livro uma beleza singular e divertida. Num estilo que lembra muito a xilogravura, o autor pinta as cenas desse ator etéreo.

Depois de ter lido A Alma do Homem Sob o Socialismo, que é uma obra política de Wilde, essa noveleta me fez encantar ainda mais por esse autor tão enigmático. Recomendo tantos para quem já leu outros livros de Oscar Wilde como para aqueles que ainda não o conhecem.

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Ficha Técnica

O Fantasma de CantervilleTítulo: O Fantasma de Canterville
Título original: The Canterville Ghost
Autor(a): Oscar Wilde
Tradução: Braulio Tavares
Editora: Casa da Palavra

Edição: 2011 (1ª)
Ano da obra / Copyright: 1887
Páginas: 96
Sinopse: Neste clássico de Oscar Wilde, um fantasma habilidoso vê o feitiço virar contra o feiticeiro quando, na própria casa que assombrava, passa a ser aterrorizado por seus novos proprietários americanos. O fantasma se chama Sir. Simon de Canterville, que em 1565 assassinou a própria esposa e, para assombrar os corredores de Canterville Chase, adota os mais variados disfarces e se transforma numa verdadeira antologia de tipos macabros. No entanto, nenhuma dessas facetas é capaz de arrepiar os cabelos dos novos moradores da mansão.

Onde comprar:
Submarino | Saraiva | Cultura

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