Cultura e Barbárie Européias

Cultura e Barbérie Européias - Edgar Morin
Cultura e Barbérie Européias - Edgar Morin

Ler livros discursivos pode até parecer chato, porém na maioria das vezes eles nos mostram de forma, por que não dizer, objetiva e explícita o real significado das coisas. É isso que o francês Edgar Morin faz em seu livro “Cultura e Barbárie Européias”. O livro é resultado de três conferências realizadas pelo autor em maio de 2005, sendo então uma Antropologia da barbárie humana.

O texto se divide em três atos, onde no primeiro intitulado Barbárie humana e barbárie européia somos apresentados ao desencadeamento dos processos civilizatórios criados pelo próprio homem, que muitas vezes usa a morte como forma de civilizar, resultando em alguns casos na extinção de etnias e culturas sem Estado, erigindo então as ditas sociedades históricas; em seguida temos Os antídotos culturais europeus onde vemos a disseminação do humanismo através do progresso do saber, que por sua vez usa como pilar as quatro âncoras da ciência: empirismo, racionalidade, verificação e imaginação; Ao final, Pensar a barbárie no século XX, somos lembrados das fases históricas onde encontram-se as barbáries, o autor não encerra com uma conclusão, suas considerações finais não passam de uma reflexão, um método eficaz pois nos exorta a usar a consciência e assim ultrapassar a barbárie.

Além de excelentes referências bibliográficas o autor analisa de forma impessoal atitudes de líderes como Stalin, Hitler, Gengis Khan, Lenin, entre outros. Inclui também nesse meio referencial temas como religião, política, história, e ainda cita as minorias reprimidas durante esse processo bárbaro: judeus, negros, homossexuais, etc. Usar a Europa como personagem principal é simplesmente justificável, pois é inegável que esse continente tenha sido o maior palco de barbáries dominadoras e decisivas do desenrolar da história.

Apesar do texto curto a leitura desse livro pode demorar bastante, pois há uma necessidade de reflexão a cada afirmação de Morin. Coisas que pareciam supérfluas nos estudos colegiais de história são aqui mostradas como determinantes do destino da humanidade, que inclui cada um de nós. Leitura obrigatória àqueles que buscam compreender o papel do homem na catástrofe contemporânea.

Autor:

Edgar Morin

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4 comentários

  1. O termo bárbaro, indica um determinado ato, ou ser que possui atitude baixa, indigna ou até sem inteligencia.
    Agora o que me assusta, é que no decorrer dos anos, a barbárie é realizada com cada vez MAIS inteligencia!.
    Os chamados “Barbaros´´ por realizarem atos terriveis, mesmo eles sendo possivelmente pessoas más
    ( apesar de sempre me criticarem por isso, eu não consigo Simplesmente dizer “são maus, tem que morrer´´, há muita história perdida/alterada para se julgar, ateh mesmo esses tiranos) usam de meios inovadores para alcançar seus objetivos.
    A relaçao Barbarie-Inteligencia, eh realidade, e essa é a maior arma do tirano, que usa da SUA Razão para dominar a emoção ALHEIA obtendo o poder.
    Caraca…hehehehehe..

    Bom eh isso, foi mals se falei alguma besteira.

    Parabens Ademar pelo excelente trabalho aki…

    Yuri Mahmud

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    • Yuri, obrigado pelo conceito, acho que faltou isso no texto se bem que acho que muitos já saibam, acho que foi por isso que não coloquei.
      O que vc disse sobre barbárie e inteligência é algo a se pensar, e tem sim um pouco de verdade, na verdades fatos comprovam isso né? Morin usa esses exemplos perfeitamente, o exemplo de Hitler diz tudo…
      Aconselho que leia o livro.

      Abraços

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  2. o autor nos faz repensar e refleti acontecimentos bárbaros e que a chamada modernidade está a demonstrar que os extremos se tocam e a barbárie maior não é a ação, e sim a omissão. No entanto cabe a nós repensar uma barbárie contemporanea, assolado pela fome e pelo grande conflito social, do poder aqueles que ja tem tanto e como sangue-suga, sugam daqueles que lutam para ter.

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    • Olá Liliane,

      Você toca num ponto importante quando se refere à barbárie contemporânea, em especial a questão da fome, que além de uma necessidade social deve ser vista como uma violação de direitos. Quem passa fome geralmente não tem culpa da situação, e embora seja um pensamento utópico, cabe a quem tem voz e vez pensar e repensar soluções, ainda que não definitivas, mas pelo menos amenizantes!

      Abraços, e obrigado pelo excelente comentário!

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