Irreversível (Irréversible, 2002)

Irreversível

Vez ou outra nos deparamos com filmes que até fazem muito sucesso, ou repercutem de alguma forma, mas que por acaso a gente só consegue analisar bem depois. Irreversível é um longa-metragem de 99 minutos que transcorre de trás pra frente, isso mesmo, para quem não viu, o filme começa com o final e vai se desenrolando até o começo. Estranho? Espere até vê-lo por inteiro, nada pode ser mais estranho que esse filme como um todo. Repleto de violência, ganhou vários prêmios e chocou o público na competição do Festival de Cannes em 2002. De início (ou melhor, final) somos apresentados a uma cena de um crime brutal, e logo após vai regredindo até o início dos fatos com cenas doces e amorosas. Poderia se chamar de final feliz, mesmo quando se trata do começo?

Escrito e dirigido por Gaspar Noé. Nos papéis principais temos o casal na vida real Monica Bellucci e Vincent Cassel, que interpretam bem o casal do filme. Ainda no elenco vemos Albert Dunpontel, Philippe Nahon e Jo Prestia. Os responsáveis pelo trabalho (atores, diretor, roteiristas, etc.) já se encontraram na produção de outros trabalhos, isso contribui para que haja sintonia. E Bellucci já é conhecida do público, principalmente por seu papel de Persephone  nas seqüências de Matrix. Outro detalhe é que muitos personagens ganham o nome do próprio ator, e também é notável quando o personagem Marcus se intitula Vincent.

As pessoas de estômago fraco irão parar de ver o filme nas primeiras cenas, ou simplesmente cobrirão o rosto em algumas, e também aqueles que gostam de um filme linear, com uma câmera estacionária não irão se satisfazer. Nessa obra de arte francesa temos tudo ao contrário, tudo sob controle do diretor, vemos uma câmera girando, dando piruetas e há cenas como se alguém (estranho) tivesse carregando-a. Há momentos transitórios em que há uma sensação de tontura, e cenas longas que as vezes acha-se que são desnecessárias. Cenas fortes como a que se passa nos corredores, que mais parecem masmorras, da boate de sadomasoquismo gay, Rectum.

As cenas transcorrem “do começo ao fim” o que é feito de trás pra frente é a ordem das cenas. Os créditos finais são apresentados logo no início, e no fim temos uma bela cena a princípio sem muito sentido que iniciaria outro filme qualquer. O trabalho é quase todo improvisado pelos excelentes atores, pois o roteiro original só tem 4 páginas. Há quem compare as inovações de cenas batidas que há em Irreversível com a forma de inovar de Psicose. A história se passa em uma única noite, que vai do final dela até o início. Talvez você crie uma aversão ou incompreensão dos motivos que levam o personagem Marcus (Vincent Cassel) e seu amigo Pierre (Albert Dunpontel) a buscar por vingança pelo que acontece à mocinha Alex (Monica Bellucci), mas o filme que começa com o clímax e revelando o fim da história ainda consegue surpreender com fatos relevantes que são explicitados apenas no início (que no caso é o fim do filme).

Há que se esperar até o filme acabar (e a história começar) se você quiser realmente entender, pois esse é um filme que não usa meios para explicar o fim, mas usa o fim para explicar os meios. Enquanto se assiste há um despertar de emoções, desde nojo, horror, aversão, tristeza até emoções singulares em cada um. Acho muito difícil você se levantar de uma cadeira ao final do filme sem sentir uma tontura, ou simplesmente uma confusão de idéias, principalmente com a cena da luz oscilante que encerra o filme. Se você achou esse texto confuso, posso lhe afirmar que o filme é muito mais.

Trailer:

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