As Horas (The Hours, 2002)

As Horas

Não se pode negar a influência e contribuição da literatura para o cinema, seja ela da mais variada forma ou nos mais variados gêneros. As Horas é um drama forte e encantador, baseado no livro homônimo do escritor norte-americano Michael Cunningham, que por sua vez se inspirou no romance Mrs. Dalloway de Virginia Woolf. Cunningham acabou pegando emprestado o título provisório do livro de Virginia. Tudo em homenagem à grande escritora.

Com roteiro escrito por David Hare  e dirigido por Stephen Daldry (o mesmo de Billy Elliot), este filme denso de 114 minutos, conta em seu elenco com  participação de Nicole Kidman, Julianne Moore, Meryl Streep e Ed Harris. É fácil notar que a parceria dos envolvidos no projeto funcionou bem.

Na história, que segue bem a criação de Cunningham, somos apresentados a três tempos interpostos, contando enredos distintos entre si em espaço e tempo, mas que ao com o decorrer dos fatos vai se alinhando e se relacionando. Primeiramente temos um subúrbio de Londres em 1923 quando Virginia Woolf (Nicole Kidman) escreve o livro Mrs. Dalloway; um subúrbio de Los Angeles em 1949 quando Laura Brown (Julianne Moore) ler avidamente o livro de Virginia e por fim Nova Iorque em 1990 quando Clarissa Vaugham (Meryl Streep) vive sua vidinha já descrita por Virgínia e lida por Laura. Só esse pequeno demonstrativo do que acontece já é um chamariz mais que eficiente para o filme (ou livro, os dois), mas é muito mais que isso.

Há verdades, mistérios, realidades tudo perfeitamente encaixado em uma história bem construída e justificada. É notável a semelhança na vida das três mulheres que lutam por suas vidas próprias e por se livrar de algemas a elas impostas por sociedades em diferentes épocas, podendo ser observado que a época contribui para o destino de cada uma, tudo resultante de suas escolhas. Algo nitidamente presente é a menção à guerra seja ela inspirativa para Virginia em seu romance de 1923, explicita em um herói de 1949, ou meramente na metáfora sobre o aidético Richard (Ed Harris).

É notório que o tema central da história é a identidade das personagens, e isso é acentuado no filme quando somos colocados diante da questão sexual de cada uma delas, parece que a atração pelo mesmo sexo é mais um ponto comum entre as três, além do sofrimento causado não apenas por isso. São pessoas aprisionadas em vidas que não lhes pertencem. É agradável ver como atitudes diferentes em relação ao sofrimento ou algo comum, pode resultar em finais distintos, e que para isso basta apenas um pouco de reflexão.

O título nomeia bem uma trama que é contada em horas e instantes, sejam eles causadores ou decisivos de tudo que gira em torno das escolhas disponíveis a cada um. São de momentos cruciais que nós somos levados acima ou abaixo, como resultados dessas escolhas. Se formos notar dias inteiros não medem um único sentimento, horas sim, elas são mais precisas, é através delas a forma mais correta de se medir a vida. Recomendo a todos esse belo filme, e os livros também (As Horas e Mrs.Dalloway).

Trailer:

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