Twin Peaks – 1ª Temporada

Twin Peaks

Falar de David Lynch não é tarefa fácil. O diretor é famoso por seus filmes inusitados e únicos, foi várias vezes indicado ao Oscar (Veludo Azul e O Homem Elefante e Cidade dos Sonhos). Depois de dá os primeiros passos (bem firmes) no mundo do cinema, ele resolve tentar algo pra TV, e o resultado disso é Twin Peaks (1990). Criada pela parceria de Lynch e Mark Frost, essa série é uma jóia rara.

Twin Peaks é uma série muito criativa, que envolve mistério, muito suspense e humor negro. A primeira temporada (de duas) conta com sete episódios mais o piloto, que é tão bom que acabou sendo exibido e vendido junto com os demais episódios. A série que a princípio parecia invendável, e que recebeu da ABC apenas 7 horas para exibição, acabou tornando-se um sucesso garantido que rendeu uma segunda temporada de 22 episódios. Essas 22 duas horas extras foram conseguidas como fruto do excelente trabalho de Lynch e Frost.

Ao assistir temos o prazer de desfrutar de uma mistura de talentos. A série é escrita por David Lynch (piloto e episódios 01 e 02), Mark Frost (piloto e episódios 01, 02, 05 e 07), Harley Peyton (episódios 03 e 06) e Robert Engels (episódio 04). E dirigida por David Lynch (piloto e episódio 02), Duwayne Dunham (episódio 01), Tina Rathborne (episódio 03), Tim Hunter (episódio 04), Lesli Linka Glatter (episódio 05), Caleb Deschanel (episódio 06) e Mark Frost (episódio 07). No elenco temos Kyle MacLachlan, Sheryl Lee, Everett McGill, Richard Beymer, Ray Wise e Mädchen Amick.

A história, bem construída, gira em torno da investigação do assassinato de Laura Palmer (Sheryl Lee), uma garota muito popular na pequena cidade de Twin Peaks. Para investigar o caso chega à cidade o agente especial do FBI, Dale Cooper (Kyle MacLachlan). Com o tempo ele acaba descobrindo que a cidadezinha está repleta de segredos fatais, e mistérios inexplicáveis. Numa trama onde todos são potenciais criminosos, comprova-se pelo caráter de cada personagem, é difícil se chegar ao verdadeiro assassino, e é isso que instiga o telespectador a ver tudo de uma vez, sem parar. Atente para a relação afetiva insinuada e implícita entre Laura Palmer e seu pai.

Deve-se prestar o máximo de atenção se quiser obter o mínimo de informação sobre o que a história realmente trata. Em se tratando de Lynch há uma tempestade de coisas implícitas e subtendidas que permite a cada um sua própria interpretação. Uma análise psicológica profunda, a vida pacata de uma cidade pequena fielmente recriada. Onde todos são traidores dos outros e de si mesmos, onde a corrupção e a hipocrisia caminham lado a lado. Os “ossos do oficio” e temas perturbadores, é de disso tudo que se compõe Twin Peaks.

A primeira temporada da série foi uma aposta que deu certo da emissora ABC. No final da primeira temporada há o máximo de finais abertos que uma série pode ter, o destino de todos os personagens fica indefinido, e foi justamente isso que fez com que a série conseguisse uma continuação, e aproveitando que na época as emissoras estavam passando por uma greve de roteiristas, Lynch e Frost deram uma tacada certa. Além da segunda temporada há também um longa-metragem (Twin Peaks – Fire Walk With Me, 1992) que encerra a história. No geral é um excelente trabalho que vale muito, mas muito a pena ver.

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