V de Vingança (V for Vendetta, 2005)

Sabe o ditado que diz “a vingança é um prato que se come frio”? Vez ou outra vemos um personagem pronunciar essa frase deixando transparecer um sentimento de revolta, porém raras são as vezes em que a vingança exerce um papel principal, sendo a característica marcante do personagem. Em V de Vingança temos um anti-herói, retirado de um quadrinho, que busca justiça e liberdade, fazendo uso da vingança. É notória a quantidade de adaptações de quadrinhos que alimentam o mercado cinematográfico, e recentemente tem aumentado cada vez mais. Com V de Vingança temos mais uma adaptação, porém feita de uma forma peculiar, tornando o filme agradável e por que não dizer um complemento do quadrinho.

O filme é baseado na Graphic Novel escrita por Alan Moore e ilustrada por David Lloyd, e tem a direção de James McTeigue, que embora tivesse medo não alcançar os objetivos idealizados, conseguiu de forma exímia fazer um misto de idéias, ação e críticas. Com roteiro é assinado pelos irmãos Wachowski (Andy e Larry), os mesmos da trilogia Matrix, que também fizeram bom trabalho, preservando a essência do quadrinho e ainda acrescentando novas idéias que funcionaram bem. No elenco temos Natalie Portman, que faz uma excelente atuação e chega a ser mais vista que o próprio herói, sua personagem é quase que deixada de lado nos quadrinhos, mas os roteiristas resolveram aproveitá-la e repaginá-la, tornando-a uma peça chave para o sucesso do filme; Ainda temos Hugo Weaving no papel de V, o herói com a máscara de Fawkes; e para complementar o elenco temos Stephen Rea, Stephen Fry e John Hurt.

No enredo temos um herói que busca vingar “escórias” sociais. O filme dá à história um ar futurista, em que as pessoas vivem em um regime de ditadura e autoritarismo, onde o líder facista almeja “limpar” a humanidade dessas escórias, e aqui entra a mesma listinha de sempre, hereges, homossexuais e muitos outros rótulos, em suma é um estado da Polícia, onde um governo extremamente maligno tenta criar um mundo no qual as minorias étnicas são privadas de direito e não só marginalizados, como também usados como material experimental. Segundo o próprio personagem além da vingança pessoal, ele luta pela honra de Valerie uma personagem homossexual que foi morta por esse regime. Fica meio dúbio se a nominação do personagem vem da inicial da personagem que ele cultua ou se da cela de número romano V em que foi aprisionada. Ele planeja um ataque terrorista que busca destruir um patrimônio público para simbolizar a queda do império.

Trata-se portanto de um suspense político disfarçado de filme de super-herói, é também acima de tudo cheio de ação e idéias, que segundo o personagem é o que movimenta as coisas. Segundo sua filosofia homens morrem, ações passam, mas idéias ficam, elas resistem ao tempo e espaço, e podem ser passadas de geração a geração permitindo concretização de grandes feitos. Há muitas críticas e muitas referências, se o telespectador não atentar bem passarão despercebidos. O personagem sendo um terrorista intransigente gera uma certa estranheza, o que dizer de um personagem que se diz herói e luta por justa causa, mas é regido de um comportamento difícil e por que não dizer perverso? Mas é isso que torna o filme atraente e diferente.

Se por um lado vemos um filme fantasioso e que trata de história de quadrinhos, por outro vemos uma cópia metafórica da realidade, onde os personagens não nem bons nem maus, mas humanos com todas as possibilidades de ações, sejam boas ou ruins, e ainda por fazer analogia a coisas que já aconteceram e marcaram história e coisas que acontecem rotineiramente. É também uma busca por mentes abertas e uma conscientização, busca por respeito e enfim uma luta contra o preconceito.

Trailer:

2 comentários

  1. Ademar, que eu realmente amo criticas, não é nenhuma novidade, mas que você realmente tem um talento nato é um fato! Eu, particulamente, não gostei desse filme. Axo que ficou politizado demais e se esqueceu da essencia do personagem principal e de seu objetivo. Mas o destaque mesmo vai para Natalie Portman, e nisso concordamos.
    Desde “Closer” a sua atuação é impressionante e ela acaba chamando toda a atenção não so por sua beleza, mas também pelo seu talento, fator cada vez mais raro nas beldades de Hollywood que esbanjam glamour e pecam na atuação. Portman ja foi considerada promessa para o entretenimento e esta cumprindo muito bem o seu papel, nos resta esperar agora que ela raspe o cabelo apenas nos filmes e que não faça como sua colega, a tambem talentosa Lindsay Lohan que ja foi considerada o futuro da atuaçao e agora é considerada problematica.
    Esperamos (axo que nos dois não é?) que Portman continue arrasando em seus filmes e não deixe as expectativas, serem apenas expectativas!

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    • Guh, é bom ver seus comentários por aqui, apesar de eu ter demorado muito pra responder.
      Não gostou do filme? legal ver uma opinião diferente, a maioria dos que viram gostaram, rsrs, realmente ficou politizado demais, mas no fundo no fundo foi algo legal.
      A Natalie Portman é um caso a parte no filme, ela é sensacional e sim, eu desejo que ela melhore sempre. E como vc disse não enverede pelos caminhos de Lindsay.

      Abraços

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