Os Druidas – Os Deuses Celtas com Formas de Animais, de H. d’Arbois de Jubainville

A literatura esotérica e mística, infelizmente, ainda é vista de forma preconceituosa, mas quando tiramos as vendas e nos permitimos conhecer a opinião e crença do outro, acabamos conhecendo mais a nós mesmo e assim passamos a respeitar o que é alheio. O etnocentrismo é deixado de lado quando vemos de forma relativa o comportamento do outro. Em Os Druidas – Os Deuses Celtas com Formas de Animais (Les Druides Et Les Dilux Celtics A Form D’Animaux, 1905) temos um punhado de mitologia e referência à origem do druidismo e seu histórico.

Escrito pelo historiador e filólogo francês Marie-Henri d’Arbois Jubainville, professor de idiomas e literatura céltica no Colégio da França em 1885, fez várias pesquisas arqueológicas e célticas, e por isso é um dos que mais compreende a mitologia e historia dos celtas e druidas.

A obra é dividida em duas partes sendo que a primeira e o inicio da segunda surgiram de aulas ministradas por ele. O trabalho foi organizado e concluído em leito de morte, em que mesmo convalescente o autor sentiu o desejo e necessidade de ver sua obra publicada, lamentou por ter sido impedido, pela doença, de fazer um índice remissivo no final do livro.

O autor além de conceituar e mostrar o histórico dos celtas, defende suas crenças, comparando-as em valor com as demais religiões, fazendo-nos perceber que nenhuma é mais válida que a outra. Há uma digressão muito longa sobre o histórico dos druidas, o que acaba procrastinando a abordagem principal, fazendo parecer que a maior parte do livro é uma grande introdução, isso é comprovado quando ao final temos no máximo quatro capítulos que expõem de fato o que é proposto no título.

Quase na metade da leitura o autor continua fazendo um comparativo entre a mitologia céltica e a greco-romana. Aborda com enfoque a crença druídica sobre a imortalidade da alma. E no final da primeira parte ele explica a metempsicose para fundamentar a mudança e permanência dos deuses celtas com formas de animais. Somos compensados com duas lendas célticas que ilustram essa constante valorização e mudança de forma. Segundo D’Arbois as formas essenciais e primordiais da transmutação desses deuses são a águia, o lobo, o touro, o cavalo e o javali, podendo eles assumir outras formas de acordo com a convencionalidade, no livro são citados freqüentemente as formas de animais marinhos.

A negatividade do livro está na quantidade de termos técnicos e etimológicos que chegam a gerar confusão e até incompreensão de partes do texto. No entanto excetuando essa linguagem específica há oportunidade de se conhecer um mundo fantástico que acaba sendo suprimido nos estudos convencionais de História.


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