O Pequeno Príncipe

O que define os limites de um livro entre infantil e adulto? Alguns são nitidamente definidos, outros se mesclam de tal forma que não há como classificar como um ou outro, e sim de forma geral, como um livro para todos. Esse é com certeza o caso de O Pequeno Príncipe (Le Petit Prince) do francês Antoine de Saint-Exupéry.

Trata-se de um best-seller mundial que encanta as pessoas há algum tempo já. O livro foi escrito durante o exílio do autor nos Estados Unidos no ano de 1943, ganhando sua primeira edição francesa apenas em 1945. Nesses anos de existência a história do Principezinho já ganhou várias versões, de filme, livros e desenho animado. No Brasil há pouco tempo ganhamos uma edição melhorada com as ilustrações originais em aquarela feitas pelo próprio autor. Na edição anterior os traços originais havia se perdido com as excessivas reimpressões.

A narração em primeira pessoa trás ao texto uma sensação de realidade que se funde indefinidamente com a fantasia. Nesse período conturbado de sua vida Antoine trás a tona de forma sadia e disfarçada as mazelas sociais que deviam ser de uma forma e são de outra. Em poucas páginas ele critica e nos exorta a sermos serem humanos mais humanos. Aborda vários aspectos de nossa vida, desde o material até o sentimental e ainda nos faz refletir sobre o que somos e qual nosso propósito, há também uma dose muito grande de ingenuidade. É possível ser ingênuo no mundo em que vivemos? E se vivêssemos sozinhos longe de qualquer pessoa, em um planeta minúsculo apenas com uma rosa como companhia?

O valor das coisas também é colocado em questão. Aquilo que achamos que é exclusivamente nosso existe aos milhares, mas mesmo assim o nosso é sempre o mais especial: uma verdade tão bem exposta no livro. Até relações humanas, onde o caráter da pessoa determina onde o primeiro contato vai chegar. Cativar. Somos nós que cativamos ou os outros que nos cativam? Se não for por ambos não há relação. O livro por inteiro é um bocado de filosofia que nos permite pensar sobre nossas ações e maneira de ver as coisas, é possível ainda questionar a vida como um todo, estando nós incluído nela ou não.

A concepção de eternidade e de existência não material é outra abordagem. Quando o principezinho volta pra casa e o narrador o ver todos os dias nas estrelas é uma forma de expressar isso. É ainda uma forma de se trabalhar a morte com as crianças? Os tanatólogos que respondam essa. Entretanto é possível atribuir inúmeros significados as todas as palavras de Antoine de Saint-Exupéry. E como dito a principio é impossível visualizar exclusividade de tema e abordagem desse livro, cada um se identificará de uma forma particular.

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2 comentários

    • Olá loraine,
      sério que vc não gostou de O Pequeno Príncipe, poucas pessoas não gostam.
      Mas tenho que admitir que me atraio por histórias dramáticas, rsrs
      Que tipo de livro vc gosta? talvez eu tenha lido algum que te agrade.

      Abraços
      Volte sempre

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