Os 13 Porquês

Falar de temas polêmicos pode até ser visto como propaganda para chamar atenção dos leitores, mas em alguns casos isso se faz necessário. Suicídio é o tema principal de Os 13 Porquês (Thirteen Reasons Why, 2009), livro de estréia do norte-americano, Jay Asher. Apesar de ser uma estréia, o autor não deixa nada a desejar. Esse é um livro adolescente que realmente nos faz refletir.

Tudo começa quando Clay Jensen recebe um pacote de fitas cassete endereçado a ele e sem remetente. São setes fitas gravadas por Hannah Baker, que morreu recentemente, deixando assim muitas incógnitas. Segundo as fitas de Hannah, Clay é um dos responsáveis por sua morte, ele e mais doze pessoas. Trata-se de um caso de suicídio, e as fitas servem para narrar os motivos dela e a participação de cada uma das treze pessoas, nesse ato. Cheio de medo, angústia e surpresa Clay se põe a ouvir essas gravações que mudam toda sua vida.

O livro possui dois focos narrativos um narrado por Clay em tempo presente, e outro por Hannah, antes de sua morte. Segundo o autor, ele escreveu toda parte de Hannah primeiro, depois é que complementou com a narração de Clay, simulando um diálogo entre os dois para que facilitasse a leitura. Hannah antes de morrer trama uma espécie de joguinho psicológico, onde cada um dos 13 deve ouvir todas as fitas e enviar para o próximo nome citado na lista, caso a corrente seja quebrada, outras cópias das fitas serão reveladas ao público.

A força e o ponto mais positivo desse livro estão em seu público alvo. A leitura de Os 13 Porquês entre adolescentes gera reflexão sobre o poder de opressão do bullying, que infelizmente ainda é a realidade de muitas escolas; sua leitura entre jovens e adultos gera alerta para os sinais de suicídio que começam a aparecer em média um mês antes do ato final. Contudo esses não são os únicos temas abordados, ainda nos é imposto outras reflexões sobre drogas, autoimagem, relacionamentos e adolescência.

Se a narrativa de Jay Asher é inexperiente, isso é algo que nem se nota, devido a complexidade do tema que ele escolheu. Segundo ele, a idéia de escrever o livro nesse formato veio de uma visita a um museu, onde a voz do guia era transmitida por gravações de fitas cassete. Primeiro veio o formato, depois o tema e a idéia de intercalar as duas histórias simultâneas. O que dá ao livro uma dimensão maior é o fato de a maioria das situações narradas serem baseadas na vida real do autor e de seus conhecidos, isso compete ao livro uma verossimilhança e o torna crível.

O suicídio ocupa um patamar elevado nas escalas das causas de morte, isso parece fantasia, mas é uma triste realidade. A mensagem do autor é, portanto, plausível e bem empregada. Os 13 Porquês mesmo sendo um livro recente, já foi adotado como paradidático por uma escola (foi assim que entrei em contato com ele, através de uma amiga que estuda em nessa escola, em Teresina). Se outras escolas também o adotaram não sei, mas fica aqui uma boa dica.

Ajudar nesses casos é algo de extrema importância, e qualquer um pode fazê-lo. Por tratar-se de um livro excelente, faz-nos esperar que o autor repita essa façanha e escreva outros livros, tão bons ou melhores que esse. Recomendo!

Leia também a resenha de Cássia Tamyres no blog Cinema e Cenas.

Autor:

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11 comentários

  1. Acabei de receber o pingback pro meu blog. Obrigada pela referência, Ademarzudo. Achei interessante você falar sobre a escrita do Jay Asher porque algo que achei muito estranho foi o fato de ele narrar o ponto de vista do Clay no tempo presente. Fica estranho. Talvez, como você apontou, ele pudesse estar querendo enfatizar o tempo de Clay(o hoje) e o de Hannah(o ontem) já que ela não estava mais viva quando ele ouvia as fitas.

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    • Olá Cassinha,

      Eu que agradeço pela sua amizade e contribuição nos comentários desse blog. O que seria de mim sem as suas opiniões?

      É, isso foi o que me pareceu quando li, dá uma angústia, pq sabemos bem no ínicio que ela já está morta, e mesmo assim criamos uma esperança inútil de que ela ainda esteja viva, e tenha feito tudo de forma diferente!
      Sobre os dois focos narrativos, o autor disse em entrevista que era pra não tornar o livro chato demais, fica a dic: de ler só a parte de Hannah em releitura, já que ele escreveu essa primeiro!

      Abraços

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  2. Olá, Ademar!

    Eu trabalho na Editora Ática, que publicou o livro “Os 13 proquês”. Encontrei sua resenha na internet e queria saber se me autoriza a publicar um trechinho dela no catálogo da editora que sai este ano.

    Por favor, entre em contato comigo (carlabitelli.atica@gmail.com).

    abs

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  3. Me interessei pela historia, apesar de me dizerem que nao posso ler pois tenho tendencia suicida! (Nao acho isso nao, rs)
    Vinganças e assassinatos sao coisas que me chamam atenção.

    Lerei em Breve!

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  4. ”Os 13 Porquês” é um dos poucos livros que li e que REALMENTE indico para todos… A história de Hannah nos faz refletir do princípio ao fim, mas o que me chamou a atenção foi que o autor equilibrou toda a tensão do tema ”suicídio” com algumas passagens tranquilas e até mesmo engraçadas – o que lhe faz se apegar ainda mais a personagem e sentir toda a sua perda, querendo que de alguma forma a história mude e tenha um final feliz (mesmo sabendo que ela morreu desde o início do livro).

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  5. gostaria de resaltar q eu antes mesmo de ler já gosto do livro
    minha escola q é de teresina tambem ñ sei se é aminha mas quando soube q esse livro ia ser adotado como pardidatico fui direto ler o resumo
    e simplesmente adorei
    ainda ñ terminei de ler mas estow anciosa para saber qual vai ser o final
    ps: tambem recomento a todos
    e principalmente á amigos

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    • Olá samya,

      Primeiramente obrigado pela visita e pelo comentário.
      O livro é excelente e eu também recomendo. Bom saber que você é de Teresina e que está lendo o livro, e por sinal já gosta dele.
      A escola a que me referi é o CPI, onde minha prima estudava, dai ela comprou o livro e eu acabei lendo antes de todo mundo.
      Qual sua escola?

      Mais uma vez obrigado e volte sempre!

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    • Olá Yara,
      O livro é realmente muito bom.
      Mas infelizmente o autor não faz muitas referências sobre a morte de Hannah.
      O enfoque do livro está no que a levou a fazer isso e não em como ela o fez.
      Beijos!

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  6. Esse livro é realmente muito bom e o legal é que a gente se envolve na história, o que pode parecer, para mim, até mesmo um pouco assustador

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    • Lígia, eu super concordo com você. Acho o livro muito legal e envolvente.
      Histórias sobre suicídio sempre nos abala né? Talvez por isso, possa parecer assustador. Mas acho que é um assunto que deve ser discutido, para que casos como esse retratado no livro, sejam evitados.
      Obrigado por comentar.
      Volte Sempre! Beijos.

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