| Crítica | Onde Vivem os Monstros (Where The Wild Things Are, 2009)

C. S. Lewis chegou a dizer que “as crianças constituem um público especial; basta descobrir o que elas querem e lhes oferecer exatamente isso, por menos que nos agrade”. Parece que o diretor Spike Jonze (o mesmo de Adaptação) aprendeu esta lição ou preferiu não a utilizar em seu mais recente filme Onde Vivem os Monstros. A película chega aos cinemas como um filme para crianças, mas não é isso que se ver nas telas. Pelo contrario, o filme é adulto demais. O diretor faz uso de artifícios que não funcionam muito bem.

Max (Max Rercords) é um garoto solitário, apesar de viver com sua irmã mais velha Claire (Pepita Emmerichs) e sua mãe (Catherine Keener). O que acontece é que sua irmã prefere a companhia de seus amigos e sua mãe está ocupada demais com o trabalho – que está prestes a perder – e o novo namorado (Mark Ruffalo), que funciona apenas como figurante. Nisso Max se revolta, no que parece ser um conflito interno, e foge de casa. Acaba indo parar numa ilha onde vivem sete monstros.

A princípio os monstros querem devorar o menino, mas este os convence de que é um rei, com seu dom de inventar histórias. Max torna-se o rei dos monstros e se ver diante da responsabilidade de resolver por eles mesmos problemas que passava em casa. Cada monstro tem uma característica distinta, como se fossem uma personificação de nossas emoções. Alexander (Paul Dano) é calmo e centrado. Touro (Michael Berry Jr) é tímido, retraído e misterioso, sendo assim o oposto de Judith (Catherine O’Hara) que é explosiva e rancorosa; a figura materna e amorosa é interpretada por KW (Lauren Ambrose); Carol (James Gandolfini) tem uma personalidade dupla, no início é amável e atencioso depois passa a ser grosso e arrogante, é também o favorito de Max; Ira (Forest Withaker) é inseguro mas sábio, e Douglas (Chris Cooper) é o amigo com quem se pode contar a qualquer hora.

É por tudo isso que o filme se torna adulto. O roteiro de Dave Eggers e Spike Jonze é complexo demais para crianças, que talvez não se interessem nem pelos monstros, pelo fato de serem feios. O tema mais aparente é a construção familiar e o amadurecimento. Há também muitos pontos não explicados e outros explicados demais, como o fato de Max ser um contador de histórias. Isso é apresentado nas ações do menino e na maioria de suas falas. Talvez as respostas das questões não respondidas estejam no livro de Maurice Sendak, no qual o filme se baseou. A Disney já tentou adaptar o livro para desenho animado na década de 80, porém não deu certo.

A parte técnica merece bastante atenção. Sendo pontos negativos para o roteiro (como já dito) e pela edição de imagem que dá uma sensação estranha e melancólica. Já diversos pontos positivos são creditados à fotografia impecável de Lance Acord, o filme é repleto de cenas que enchem os olhos; porém o mais impressionante é a trilha sonora (para mim a melhor) que é de autoria de Carter Burwell e Karen Orzolek, as músicas apesar de indie, casam bem com as cenas e mechem com as emoções. Envolvido nisso tudo há o dedo de cinco produtores, incluindo Tom Hanks.

O filme inteiro é uma mistura de emoções, é impossível não rir e compactuar com a bagunça de Max, assim como é impossível não se comover com as cenas dramáticas. Não digo que Onde Vivem os Monstros seja um filme ruim, mas digo que é um filme muito estranho, não de forma negativa. Dá-se pelo fato de não ser o que parece e pela forma como se apresenta. É possível ainda que o diretor queira levantar o mesmo questionamento de Michael Haneke em A Fita Branca (leia minha resenha AQUI): todas as crianças são inocentes e boas? Há um lado selvagem em cada um de nós, segundo o cartaz desse filme existem monstros que vivem dentro de todos.

Recomendo o filme e peço a opinião de cada um que viu ou que quer ver.

Trailer:

4 comments

  1. Vejam também as resenhas de:

    Filipe Ferraz no blog CineMMaster: AQUI
    Mateus Calazans no blog Pensador Livre: AQUI
    Marcos Vínicius no blog Cinemarcos: AQUI

    Todos estão na lista de links ao lado!
    Opiniões diferentes contribuem pra discussão!

    Abraços

    Curtir

  2. Inicialmente foi um filme que nao me atraiu e nao me causou curiosidade por causa do tema abordado. No entanto ao assistir ele me causou adimiração a tal ponto que, a partir do momento em que assisti ele foi considerado um dos meus favoritos.
    Ele mostra muito bem que nao adianta fugir dos problemas, pois por mais “distante” que se enteja deles, eles sempre existiram e, de uma forma ou outra voce terá que resolvê-lo.

    Pode parecer estranho, mas a personagem que mais me agradou foi a Judith. Gostei muito também do Carol e da KW (apesar de achar cruel a forma como trata seus amigos corujas, rs).

    Parabéns pela resenha! Ela me fez ficar curioso e descobrir a “preciosidade” desse filme. (exageiro, rs)

    Abraçoss

    Curtir

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