A Entrevista Ininterrupta, de Felipe Colbert

O romance policial é um gênero tipicamente inglês, embora haja muitos americanos que também são referências nesse gênero. Além de ser um dos que mais agrada é também um dos que mais exige precisão na escrita e conexão entre os fatos, tudo isso sem previsibilidades. A Entrevista Ininterrupta (2008) poderia muito bem se encaixar na descrição acima não fosse por um detalhe, seu autor é brasileiro. Felipe Colbert estréia na literatura já de forma audaciosa e com uma qualidade impecável.

O protagonista é Carlos Camanducaia, que atende mais por Cacá. De início somos apresentados a ele e seu cotidiano. É apresentador de um talk show ao vivo que é exibido em uma conceituada emissora de televisão de São Paulo. A maior parte da narrativa acontece no aniversário do programa, que está prestes a completar quatro anos, e Cacá tem em vista um novo contrato. Contudo o dia começa com alguns imprevistos comuns e caminha para algo macabro e inusitado.

Um terrorista que se denomina Hefesto (nome do deus grego da forja, filho de Hera) implanta duas bombas nos estúdios de Cacá, uma sob a platéia e outra na cadeira do apresentador, não permitindo que ele faça movimentos bruscos. Como exigência para não detonar as bombas, Hefesto diz que o programa não deve ser interrompido. Com isso arma-se uma corrida contra o tempo em busca do maníaco.

A habilidade do autor com a narrativa é muito grande. Por se tratar de seu primeiro romance, pode-se dizer que já beira a excelência. Fazendo uso dessa habilidade ele insere novos personagens no decorrer da trama, e cada um desempenha um papel fundamental. Dentre eles, a ex-esposa de Cacá, o índio misterioso, um delegado de polícia, a produtora do programa, um grupo de universitários, o diretor, e uma repórter de telejornal.

A mitologia grega entra como um trunfo e um ponto positivo. O terrorista se identifica física e psicologicamente com o deus grego, e se utiliza do mito para traçar seus planos. A cadeira do apresentador com a bomba faz analogia à cadeira que Hefesto deu de presente a sua mãe, aprisionando-a.

Os detalhes do livro mostram que para construí-lo Felipe Colbert fez uma minuciosa pesquisa, principalmente do mundo jornalístico. Ele avança de forma rápida em sua narrativa, sem divagações exageradas e desnecessárias. É contado de forma objetiva e eletrizante, que não permite que o livro seja deixado de lado.

É, portanto uma aula de jornalismo e ainda uma obra de caráter social. O autor faz referências a problemas sociais atuais e até mesmo polêmicos. O personagem indígena Xamã Aiguara figura um apelo e um partido por importância e atenção aos direitos de seu povo e a marginalização imposta sobre ele. O livro A Entrevista Ininterrupta (Novo Século, 144 págs.) é ainda concluído com um final totalmente imprevisível e impactante.

Felipe Colbert nasceu no Rio, tem raízes européias (italianos, franceses e portugueses) e conhece boa parte deste continente. Divide sua vida entre ser empresário e ser um leitor/escritor. Está trabalhando em seu segundo livro, e tomando este por base, pode-se esperar algo de muita qualidade.

Felipe Colbert é parceiro do Cooltural. Para adquirir o livro ou saber mais sobre o autor visite seu site oficial AQUI.

3 comentários

  1. Adoro Suspenses e coisas que prendam minha atenção. Percebi que este é o caso de “A Entrevista Ininterrupta”.

    Lerei com certeza!

    xD

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