Caso 39 (Case 39, 2009)

Crianças malvadas vez ou outra protagonizam filmes de horror e suspense como sendo os vilões da vez. É algo bem complicado questionar o quanto isso se aproxima da vida real, pois se têm em mente que crianças são sempre seres inocentes. Com essa ideia alguns atribuem a maldade desses personagens aos demônios que encarnam nos bebês. É possível citar diversas crianças obscuras, indo desde os clássicos como O Bebê de Rosemary e A Profecia até os mais recentes como A Fita Branca e este, Caso 39.

Emily Jenkins (Renée Zellweger, estrela de O Diário de Bridget Jones) é uma assistente social que dia após dia luta para salvar famílias de um desmembramento. Nessa rotina diária ela recebe o caso de uma garotinha de 10 anos, introvertida, com quem se identifica logo de cara. Segundo o relatório a menina sofre nas mãos dos pais abusivos e doentios. Então Emily faz de tudo para tirar a pequena Lily (Jodelle Ferland) das garras dos pais. Porém salva a pessoa errada.

Quando Emily consegue salvar a garota logo nos primeiros vinte minutos dá a sensação de que o filme está acabando ou que há algo muito estranho. E a segunda opção se mostra mais correta. A garota na verdade é um demônio que suga a felicidade das pessoas destruindo todos os entes queridos ao seu redor e o tornando louco e doentio. Seus pais eram suas vítimas até Emily entrar mais do que devia nessa história, mas seria correto não intervir seja quem fosse o vilão?

O filme discute muitas coisas e tem vários pontos que se deve ressaltar. Vamos a eles.

Primeiro é o nome da menina, talvez seja mera coincidência, mas Lilith é também o nome da primeira mulher de Adão (segundo a crença apócrifa), que já protagonizou vários livros e filmes, e ao ser expulsa do Paraíso juntou-se com demônios e também a responsável pelo pecado de Adão e Eva através da serpente. Lilith é uma personagem revoltosa e manipuladora, aqui em Caso 39 sua revolta mais aparente é contra os adultos, o que já entra no próximo ponto.

Sobre a inocência infantil há duas vertentes observáveis. O primeiro é aquele velho questionamento, se toda criança ou adolescente é inocente ou isento de pensamentos e ações maléficas, principalmente com os pais. Alguns preferem acreditar que sim, todas são inocentes, e a culpa cai sobre a entidade que a possui, seja o demônio ou qualquer outra potestade. Michael Haneke talvez seja menos otimista e descarte o sobrenatural ao fazer esse mesmo questionamento ao seu público.

O segundo é o lado exposto pela menina no filme. Os adultos devem reinar absolutos sobre os mais novos? E ainda sem terem que se justificar. Preste atenção na cena do diálogo entre Lily e seu psicólogo, ela deixa bem claro toda essa questão.

Na parte técnica, a direção é de Christian Alvart e o roteiro de Ray Wright. A trilha sonora não é das melhores e os sustos, apesar de alguns serem previsíveis causam certa aversão. Sobre previsibilidade em filmes de suspense, sabe-se que já é algo comum, está cada vez mais difícil inovar.

É um filme tenso, que de uma forma ou de outra nos incita a prender um pouco a respiração. Recomendo.

4 comentários

    • Pois é cara…

      Achei a história muito interessante, mas um filme de terror poderia se apegar mais em dar sustos, o que não aconteceu….
      E o trailer já revela boa parte dos sustos, mesma coisa com “Atividade Paranormal”…

      Esperava mais…

      Obrigado pela visita, isso que é o interessante de discutir sobre filmes, pegar opiniões diferentes e debate-las…

      Abraços!!!!

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  1. O filme é realmente tenso, muito previsivel mas a respiração fica presa em boa parte das cenas. Algumas questões observadas pelo Ademar eu nao observei (acho que por falta de base teorica, mas um dia eu consigo, rs), mas depois de ler essa resenha esses pontos ficaram mais claros pra mim.

    Excelente resenha! (Como sempre, rs)

    Abraçoss

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