Mentes Roubadas

Mentes Roubadas (2009) é um romance policial brasileiro, escrito pelo médico radiologista, que nasceu em Porto Alegre-RS, Roberto Campos Pellanda. Mas eu diria que é bem mais que isso, e de fato é. Primeiramente é a estréia do Roberto na literatura, mas, além disso, é um livro ficcional escrito e embasado por conhecimento da área médica, o que torna crível os fatos e aspectos fisiopatológicos narrados. E ainda aborda temas polêmicos e políticos num mistério muito bem construído.

Nossos protagonistas são os detetives, Paulo Westphalen e seu parceiro Miguel D’Andrea. E tudo começa quando eles são chamados para investigar dois casos distintos. O seqüestro de doze pessoas, que misteriosamente foram devolvidas algumas horas depois sem nenhum dano aparente e o desaparecimento de um rapaz que sofre de uma grave esquizofrenia catatônica e é incapaz de se mover. Paulo e Miguel são a dupla perfeita, sendo o primeiro movido pela intuição e suas associações improváveis e o segundo movido pela razão, associando a intuição de Paulo com a realidade dos casos. Aos poucos eles descobrem que os casos podem está ligados de alguma forma.

A trama tem alguns elementos que tornam tudo mais interessante e intrigante. Um deles é o MK-ULTRA, um projeto americano que tentou viabilizar o controle da mente, que é o mesmo tema documento por Jon Ronson em seu livro não-ficcional Os Homens que Encaravam Cabras (já resenhado aqui). A rede de ligação entre a ficção e a realidade é reforçada quando o autor também aborda a CIA, a ditadura militar brasileira e o Comitê Church, fazendo-nos um questionamento se tudo isso não seria realmente possível.

Claro que se trata apenas de ficção-científica, mas metaforicamente tudo isso já acontece conosco, porém de forma não literal como é descrito no livro. O controle da mente para induzir a aquisição de determinada marca faz analogia ao apelo da mídia para que compremos os seus produtos. E se fizermos uma pesquisa, mesmo empírica, veremos que já fomos fisgados, pois é massificada nossa preferência por determinados produtos de marcas também específicas.

Outro problema sério que é análogo ao livro, mas de uma forma mais literal é o perigo e a polêmica dos experimentos com humanos. Ninguém melhor que um médico para trazer essa reflexão através da ficção. Não quero discutir aqui aspectos legais sobre o tema, mas o uso de humanos em determinados experimentos é totalmente proibido aqui no Brasil e há toda uma legislação que rege tudo isso.

Mentes Roubadas (Porto de Idéias, 208 págs.) se encerra com um final aberto, dando a impressão de que ainda não terminou e indicando que possa haver uma continuação. Roberto Pellanda já está concluindo o processo de produção de seu próximo livro, segundo o autor já é de se esperar uma melhora e um amadurecimento de sua narrativa, o que é natural no processo de produção de qualquer autor.

O Roberto é parceiro do blog. Para saber mais sobre o livro e o autor visite seu site oficial AQUI, ou o Twitter. Qualquer informação sobre o segundo livro será postada aqui no Cooltural, quando o autor liberar.

2 comentários

  1. Fiquei muito curiosa! Adoro romances policiais, e o fato de o autor ser médico deve ser mesmo fundamental para muitas descrições no livro. E toda essa parte sobre a mente..! Este livro, ao que parece, reúne muitas características que eu aprecio em relação aos temas. Gostei!

    Bjo!

    Aline – escrevendoloucamente.blogspot.com

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