Percy Jackson e Os Olimpianos: O Mar de Monstros

As continuações de séries são sempre empolgantes, mas os autores têm a árdua tarefa de satisfazer o leitor que espera assaz pela próxima aventura. Quem leu o primeiro volume da série Percy Jackson e Os Olimpianos, O Ladrão de Raios, não têm do que reclamar de sua continuação, O Mar de Monstros (The Sea of Monsters, 2006). Rick Riordan cumpre bem seu papel e ainda surpreende os que achavam que a história continuaria no mesmo ritmo. Nesse segundo volume as coisas se aceleram e a ação acontece do começo ao fim, literalmente. Como já conhecemos a maioria dos personagens, com exceção dos novos, Riordan vai direto ao ponto e nos presenteia com sua boa imaginação e habilidade narrativa.

No final do primeiro livro Percy e Annabeth decidem voltar pra casa para o ano letivo em uma nova escola. Estranhamente tudo se passa calmo sem nenhum ataque de monstros. Quando então surgem os Lestrigões e atacam o garoto e é aqui que nossa nova aventura começa. Antes disso há apenas um sonho (real) por causa da ligação que Percy tem com Grover. Porém nem tudo estava calmo, o que acontece é que Percy estava desinformado e como o livro é narrado em primeira pessoa só sabemos das coisas no mesmo instante que Percy as descobre.

O acampamento Meio-Sangue estava sob ataque de monstros, pois Thalia, a árvore que protegia a fronteira foi envenenada e corre risco de morte. Quíron perdeu seu emprego por conta disso, e Tântalo o espírito condenado à fome e sede eterna, assume seu lugar. Os heróis têm a missão de encontrar o Velocino de Ouro para salvar Thalia e conseqüentemente o acampamento, é exatamente o mesmo Velocino que Jasão e os argonautas tiveram que encontrar. Percy entra por acaso (mas obviamente) na missão, e a partir desse conflito se desenvolve toda a trama.

Riordan revisita boa parte dos mitos gregos, trazendo agora novos nomes que não apareceram no anterior. Aqui temos Hermes, Circe, Polifemo, as sereias e muitos outros já conhecidos dos amantes de mitologia grega. Mas também insere novos personagens, como o ciclope Tyson, que além de tudo é meio-irmão de Percy, é que os ciclopes nascem das relações de Poseidon com os espíritos da natureza. Há também o destaque dado outros como Clarisse, a filha de Ares o deus da guerra, que são praticamente ignorados (pai e filha) no primeiro filme adaptado da série. O autor discorre toda a mitologia em doses, quem pensa que verá todos os deuses e personagens gregos em um de seus livros se engana, eles estão distribuídos por toda a série que é totalizada por cinco livros, o último a ser lançado ainda este ano aqui no Brasil.

O ritmo acelera, mas a qualidade também aumenta. Quem já leu Odisséia, vai notar referência à obra de Homero. A diferença aqui é que Riordan cria sua própria odisséia modernizada sem extravagância, com certas doses de fantasia, aventura e humor. É possível notar também que o autor usa da mesma estratégia de J. K. Rowling, de fazer Percy crescer com seus leitores, tornando o livro cada vez mais adulto, aqui temos um pouquinho mais de violência do que no primeiro e parece que a tendência é aumentar ainda mais até chegarmos ao desfecho de tudo.

O que ainda causa estranhamento (somente para alguns) na narrativa do autor é o fato de Percy ter apenas 13 anos e ter pensamentos, atitudes e ações de um quase adulto, porém é notável uma melhora nesse ponto, pois no primeiro volume Percy narrava coisas que era quase improvável de ele saber. Nesse o livro é mais fiel à técnica de narrar em primeira pessoa, que por si já é muito mais difícil que a narração em terceira pessoa, pois quem escreve deve “incorporar” o personagem e ver as coisas do ponto de vista dele. Não digo que isto seja por inexperiência do autor, pois de inexperiente Rick Riordan não tem nada, além dessa, ele já escreveu uma série de mistério para adultos, Tres Navarre. E é também o autor do primeiro volume da nova série infanto-juvenil de sucesso nos Estados Unidos, The 39 Clues: O Labirinto de Ossos, que será escrita por vários autores.

Por fim digo que O Mar de Monstros surpreende até em sua última linha, e levem isso ao pé da letra, em suas últimas palavras esse livro deixa todos sedentos pelo próximo volume.

Leia minha resenha do primeiro livro (O Ladrão de Raios): AQUI

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