Todas as Estrelas do Céu

Isto é humano, estrelinhas, criar verdades mentirosas,
Para satisfazer de mentira a verdade que nem verdade é.
– Carol

Todo tipo de amor é correto? O amor, sendo o sentimento mais puro, pode ser considerado como pecado? Quando o amor é verdadeiro e vem de ambos os lados não há dogma, crença, tabu, opinião ou qualquer outra coisa que o impeça de acontecer. Senti-lo é o maior prazer, vivê-lo também, ir até o fim é a prova (que nem precisa) para mostrar que uma simples atração na visão de alguns é de fato amor verdadeiro para quem o sente. Complexo? Um pouco, mas foi este o tema que o autor Enderson Rafael escolheu para escrever seu primeiro romance. Alguns dizem que o tema principal de Todas as Estrelas do Céu (1999) é incesto, mas eu digo que seu tema mais profundo é o Amor, para alguns considerado impossível.

Mas o que isso tem de bom, se só o que se ver são livros sobre amores impossíveis entre pessoas de raça, sexo e mundos diferentes? Eu explico: Todas as Estrelas do Céu (Novas Idéias, 160 pág.) aborda esse tema de forma bem diferente. Primeiro trata-se do amor entre dois irmãos adotivos que estão descobrindo e passando pelos dilemas da adolescência e outra que o autor trata isso de uma forma tão poética que parece até real. Amor entre irmãos não é algo difícil de acontecer, na mídia até vemos irmãos biológicos lutando pelo direito de ter filhos e perpetuar seu amor como uma família normal. Não quero aqui defender este tipo de relação, que gera uma discussão bem maior (e esse é outro lado positivo do livro: gerar discussões), apenas falar que o amor é direito de todos, como ressalta a personagem deste livro, Carol.

O casal deste romance é formado por Leandro (ou Lê) e Caroline (ou Carol). Ela filha biológica de Lúcia e Marco e ele o filho adotivo, tem ainda a pequena Maria Eduarda, a filha (também biológica) mais nova. A família seguia um padrão convencional até Leandro descobrir que seu amor pela irmã ultrapassa os limites fraternos, e ainda que é correspondido. Em meio a tudo isso, como se não bastasse um problemão desses há ainda os dilemas das amizades, estudos e o vestibular.

Sabe aquele impasse onde temos que decidir entre a vontade dos nossos pais e o que queremos? Pois é bem parecido. Como o autor conseguiu se sensibilizar para retratar a vida de adolescentes de forma tão verossímil? O fato é que Enderson escreveu esse romance a mais de dez anos, quando tinha só dezenove anos de idade e nota-se que ele tirou muitas experiências pessoais para compor os personagens da história. Quem nunca teve um bando de adolescente com que gostava (ou gosta) de se divertir? A falta de experiência do autor para escrever nem é notada quando somos tomados por sentimentos de lembranças ao ler esse livro. Parece mais que ele está nos contando um caso da forma mais informal possível.

Enderson já publicou também outro livro intitulado Propaganda & Marketing para vestibulandos, calouros, curiosos e simpatizantes. É formado em Comunicação Social pela ESPM-Rio, redator publicitário e está com 29 anos. Tive o prazer de ler seu romance antes do lançamento que irá acontecer no final desse mês. Mas o livro já se encontra em pré-venda no site da editora.

Em Todas as Estrelas do Céu tudo é bem retratado, as personagens, os lugares, os sotaques (sul e sudeste) e a questão dos apelidos dá um ar característico da literatura juvenil nacional. Há muitas referências, destaco aqui Machado de Assis e William Shakespeare (nesse caso lendo vocês irão entender). Se alguém disser que o livro é clichê, eu digo que não, que ele é apenas sincero. O final é triste, mas digno do romance de Leandro e Carol. Impossível não torcer pelos dois, mesmo aqueles que não aprovam esse romance. O sentimento que um sente pelo outro está impregnado nas palavras, que após a leitura serão sempre lembradas simplesmente ao vislumbrarmos todas as estrelas do céu. Recomendo!

O Enderson é parceiro do Cooltural, conheça o autor:

Twitter do AutorTwitter do LivroSkoobBlog

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Um comentário

  1. Daê, Ademar! Ótima resenha, e até onde me lembro, a primeira não feita por uma mulher! Bom, fico lisonjeado com sua opinião sobre o romance e não posso negar que fica o desejo de lançar o livro em THE. Por enquanto, por absoluta falta de tempo, estamos nos concentrando onde é perto (e barato) pra nós, como RJ, SP e SC. Mas pretendemos sim vir ao Nordeste. FOR, SSA, REC, e pq não, THE! Grande abraço!!!

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