Príncipe da Pérsia

No final dos anos 1980, Jordan Mechner programou um jogo para ser jogado em computadores. O que para ele era apenas uma forma de fazer com que os outros se aventurassem por um mundo de enigmas criados por sua mente inventiva acabou se tornando uma franquia que encanta fãs cativos e novatos até hoje, seja nos consoles, nas telas ou nas páginas de livros. Príncipe da Pérsia (Prince of Persia: The Graphic Novel, 2008) surgiu como objetivo do criador de mostrar as origens do personagem interpretado por muitos nas telas dos videogames.

Prince of Persia é fruto de várias referências, segundo o próprio Jordan Mechner. Quando ele teve a idéia de desenvolver o jogo, que a princípio deveria ser repleto de ação, enigmas e armadilhas, faltava apenas o tema ou plano de fundo onde seria inserido o personagem. Com a sugestão de algo como Ali Babá ou Simbad veio o que faltava. Jordan se inseriu no estudo do mundo e lendas orientais, e eis que ele se depara com o que vem a ser a maior de todas as referências, As mil e uma noites. O jogo fez tanto sucesso que foi sendo adaptado para diversos consoles em vários países, onde ganhava uma nova capa e roupagem a cada lugar que aportava, e ainda serviu de inspiração para vários autores como o russo Victor Pevelin.

Com a evolução dos games houve a necessidade de adaptá-lo às novas tecnologias. Surge assim Prince of Persia: The Sands of Time pela Ubisoft Montreal, 14 anos após o primeiro jogo em 2D. Trouxe dessa vez alguns elementos marcantes, mas mais do que isso inseriu o personagem num espaço-tempo definido: império da Pérsia do século IX D.C. Com receio de que sua história perdesse a essência devido às diversas adaptações, Mechner decidiu criar a Bíblia de Prince of Persia, mas foi só em 2004 que surgiu a oportunidade de produzir essa Graphic Novel, que para ele era um sonho se realizando.

Com tantas variações do príncipe mundo afora, a primeira dificuldade desse projeto foi a escolha de qual príncipe seria retratado. Depois de um tempo surge a idéia de retratar nem um nem outro, mas aquele que inspirou a todas as facetas e versões do príncipe órfão. Os responsáveis pelas ilustrações são o casal, LeUyen Pham e Alex Puvilland, que já trabalharam em diversos projetos da Dreamworks. O problema é que os fãs do game com aspecto mais sombrio e adulto não gostaram muito do traço meio infantil do casal, alegam que chega a parecer ilustrações da Disney. Não que seja um traço ruim, por sinal é muito bom, mas é impossível agradar a todos e sabemos bem disso. A escolha para escrever o roteiro foi A. B. Sina, que com suas origens iranianas e seu típico ar de mistério, compôs uma excelente trama para contar a origem de não um, mas vários príncipes persas.

Enfim, esse maravilhoso graphic novel, Príncipe da Pérsia (Galera Record, 208 pág.) chega ao Brasil em uma edição belíssima, seguindo o embalo do lançamento do filme de Jerry Bruckheimer e com Jake Gyllenhaal. Aqui na versão impressa somos presenteados não com uma, mas com duas histórias diferentes ligadas apenas pelo espaço e separada por quatro séculos. No século IX D.C. o príncipe Guiv planeja libertar seu povo vítima de opressão, já no século XIII D.C. o órfão Ferdos se encantam com as histórias de quatro séculos atrás e sonha em se tornar um príncipe. Ferdos ao relembrar as aventuras do príncipe Guiv, se encontra com a princesa Shirin e com ela tentam ir contra as injustiças causadas pelo rei (pai de Shirin). As narrativas são unidas por vários elementos, entre eles o pássaro Turul, porém o que define a conexão é a profecia: Um palácio sucumbirá. Um príncipe surgirá das águas onde ninguém o conhecia, a não ser uma triste garota sob uma figueira…

Os elementos aqui são perfeitos e bem elaborados. O livro merece mais de uma leitura. Além do contexto histórico e mítico da Pérsia nesses séculos, temos traços de uma construção social abordada em temas como injustiça, desigualdade social, estrutura familiar, e aqui se discute a autoridade sobre os filhos dos outros, quando surge a ordem de execução aos recém nascidos (Lembram disso na Bíblia?) e quando Shirin se rebela contra o próprio pai por não aprovar suas ações. Além de nos contar a gênese de um fenômeno, essa graphic novel, funciona como um elemento literário como os demais, que nos incita a refletir.

Recomendo não apenas como leitura introdutória à franquia, mas também como complemento aos fãs do game e do filme.

Um comentário

  1. Eu vi esse livro com um amigo (nem vou dizer que é o Ademar, rs) e me apaixonei inicialmente pela capa (pra variar, rs). Ele me chamou atenção pelo fato do lançamento do filme, que quero muito assistir, já que não conhecia o jogo.
    Adorei os desenhos e pretendo lê-lo. Basta so alguem me emprestar ^^/

    rs

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