Robin Hood (Idem, 2010)

Poucos são aqueles que nunca ouviram falar de Robin Hood. A lenda do arqueiro “justo” vive desde há muito tempo e só se renova, se adapta a cada época e vez ou outra é interpretada num filme, livro, peça, desenho animado ou qualquer outro meio que se use para contar histórias. Quando se pensa nesse personagem folclórico o que vem logo a nossa mente (minha e da maioria das pessoas) é um rapaz magrinho vestido de verde, com um capuz e um arco na mão. Mas quem assistiu ou for assistir ao filme de Ridley Scott irá se espantar com a nova roupagem que deram ao personagem. Alguns pontos (bem poucos) permanecem inalterados, outros são acrescentados e outros ainda totalmente modificados. E o resultado é um filme que pode até agradar aos fãs de Ribley Scott, Russell Crowe e do gênero ação, mas quem espera relembrar aquele personagem que habitava nossa imaginação quando éramos criança pode desistir do que busca.

Na historinha original, que surgiu primeiramente com um poema de William Langand, narra a vida do Príncipe dos ladrões, aquele que roubava dos ricos para dar aos pobres, vivia com seus amigos errantes escondidos na floresta Sherwood e que não apoiava as maldades do Rei John. Na versão de Ridley Scott a história é narrada diferente, de uma forma mais realista. Ele insere o personagem num tempo-espaço bem definido e trás a tona a já existente discussão sobre a verdadeira existência de um Robin Hood. Aqui a narrativa recebe um tom histórico e documental, algo bem diferente das adaptações anteriores desse mito.

Primeiramente o filme de Scott funciona como um gênese da lenda. Algo como Christopher Nolan fez com seu Batman Begins. Sendo que o título Robin Hood Begins se encaixaria bem melhor. Ele conta como Robin se tornou um fora da lei e passou a viver como tal. Então nesse roteiro (de Brian Helgeland) começamos, ou melhor, somos apresentados a um Robin Longstride, que faz parte do exército do rei Ricardo Coração-de-Leão e luta contra a França na décima cruzada. Durante a batalha, o rei Ricardo morre e então a coroa do reino falido passa para seu irmão mais novo, o príncipe John. Robin fica com a tarefa de entregar a coroa do Rei para sua esposa que o aguarda, mas para isso ele assume a identidade de Robert Loxley (Douglas Hodge), que também morre e pede que Robin entregue sua espada a seu pai. Então Robin e seus amigos João Pequeno (Kevin Durand), Will Escarlate (Scott Grimes) e Allan A’Dayle (Alan Doyle) voltam a Inglaterra. A coroa é devolvida, mas ao cumprir a segunda missão Robin conhece Marion Loxley (Cate Blanchett), esposa de Robert, se apaixona por ela e então chegamos ao clímax.

O desleixado (e agora então, rei) John mostra suas garrinhas e então surge a rivalidade entre ele e Robin, que passa a ser visto oficialmente como fora da lei, e o resto vocês já sabem, pois é o que narrei no início como sendo a versão clássica. Mas isso poderia facilmente ser visto apenas como uma tentativa de apresentar a origem do Príncipe dos ladrões, mas é difícil encarrar dessa forma quando se ver Russell Crowe dando vida a um personagem que mais parece um gladiador. Por falar nisso há quem diga que este filme não passa de uma continuação de Gladiador, filme com Russell e assinado por Scott, enfim, cada um com suas conclusões.

Pondo em questão a ética do personagem há que se considerar que trata-se de algo meio contraditório (por isso as aspas para justo logo no início do texto). Alguém que rouba (seria justo?) para dar aos pobres (isso é mais caridade do que justiça) pode até ser visto com bons olhos (somente pelos favorecidos), mas no fundo é tão bom e ruim ao mesmo tempo quanto qualquer outro. Será esse o atrativo desse herói? Fazer tais coisas em prol de uma utopia igualitária que visa o equilíbrio(?) das classes econômicas é algo intrínseco da imaginação humana. Há quem se inspire nele e faça coisas do gênero, como alguns hackers que já foram noticiados por roubar de contas milionárias para depositar nas suas próprias, menos abastadas, mas isso são casos isolados que de forma alguma mudam o mundo (ou muda?).

O filme não peca em quase nada tecnicamente. O problema é que apesar de muita ação, que enche os olhos, principalmente de quem gosta, o filme ainda assim é monótono, como pode? Bem é difícil dizer, só vendo mesmo pra constatar isso. As ações (lutas épicas e tudo mais) se concentram em determinados momentos e o resto flui devagar demais, mais ou menos isso. Sem contar que o roteiro, pelo fato de se assumir como eu coloquei antes fica meio que estranho e quase inaceitável, as atuações são medianas, com focos óbvios nos protagonistas, mas destaco aqui Cate Blanchett que rouba todas as cenas em que aparece, e poderia ter aparecido mais. Quando ela sai de cena fica uma expectativa pela sua próxima entrada.

Não digo que o filme é ruim. Até mesmo porque temos que considerar os muitos pontos positivos dele, como a recriação da época com figurinos fidedignos e tudo mais que filmes assim têm direito, a direção também não é ruim. O problema é que o filme não convence muito e nem chega aos pés de outros filmes que Ridley já fez. Só me resta recomendar que assistam e tirem suas próprias conclusões, e caso se sintam a vontade registrem-nas aqui.

Um comentário

  1. Embora Robin Hood tenha sido tema de diversos filmes ao longo de décadas, nada se compara ao clássico AS AVENTURAS DE ROIN HOOD, com Errol Flynn no papel do ladrão aventureiro. A própria refilmagem dessa aventura, com Kevin Costner, foi muito comentada na época e não deixa de ser um bom filme, com grandes ressalvas, claro. Mas o clássico de 1938, dirigido por Michael Curtiz, tendo ainda Olivia de Havilland como companheira de Robin, é insuperável.

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