Novas Aquisições

Trago a vocês (um pouco atrasado) o primeiro post com minhas aquisições do 8º SaliPi. Como de costume os posts dessa série trazem quatro livros de cada vez, para o não fiquem extensos demais. Nesse primeiro (de dois) trago três (os primeiros) livros que comprei pelos stands do SaliPi desse ano. Alguns já tinha ouvido falar, outros comprei no escuro em busca de coisas estranhas, nonsense ou algo que me supreendesse. O último ganhei de uma amiga que estava trabalhando no evento. Em breve as resenhas chegam por aqui.

Stevenson Sob as Palmeiras
Alberto Manguel ( Companhia das Letras, 88 pág.)
Com a mulher, dois enteados e a mãe, Stevenson habita uma casa em que móveis e objetos reproduzem o bem-estar britânico. Os livros se distribuem pelas estantes; dão à paisagem doméstica a intimidade própria de uma casa onde há leitores. Aquela é também a casa de um escritor. Em seu escritório, sentado à escrivaninha, Stevenson molha a pena no tinteiro de prata e pode preencher folhas e folhas sem rasuras: o mundo inteiro está em silêncio; o escritor ouve apenas o que deseja sua imaginação. Do lado de fora da casa e da mente que escreve, há o sol, o flamboiaiã e a nudez das mulheres – sua “pele escura, brilhante e dura como pedra vulcânica”. Em Samoa, a vida toda parece acontecer ao ar livre. Nem as histórias ficam guardadas nos livros: circulam de boca em boca, de uma geração à outra. E os samoanos não conhecem a ficção: consideram que toda história conta um fato. Para Stevenson, “tudo o que outrora fora oculto, sussurrado, abotoado no mundo protegido de sua infância”, ali, em Samoa, é “escancarado – descarado, às claras”. Um dia, apenas com o olhar, ele deseja apaixonadamente o que está do lado de fora: uma adolescente que, enfeitada com gardênias, dança ao som dos tambores. Recatado, transforma o desejo em literatura; a palavra escrita o protege de querer transformar o desejo em ato. Mas haverá um crime – e os samoanos vão atribuí-lo “ao contador de histórias”. A Tusitala, como o escritor é conhecido. A partir desse momento, tomam forma as tensões entre o recato e a desinibição, entre o pecado e a simplicidade, entre fato e ficção, entre um modo europeu de se instalar na ilha e o modo nativo de estar ali desde sempre. Stevenson, o escritor, torna-se um grande personagem. Alberto Manguel o acompanha com discrição, como se quisesse que a história corresse por si mesma; a poesia pode passar despercebida em sua prosa. Talvez o seu desejo maior tenha sido nos fazer sair desta ficção e nos levar para a literatura clara e íntegra de R. L. Stevenson.

Histórias Naturais
Jules Renard (Landy, 112 pág.)
Verdadeiro cronista do mundo natural, o animal em Jules Renard é um ente humanizado. De modo diferente dos fabulistas La Fontaine, Esopo e outros, a humanização dos animais nesta obra não é uma alegoria com fins morais. É entre os humanos que os animais se humanizam, a ponto de merecerem as celebrações que o homem instituiu para os momentos sublimes ou trágicos da vida. É assim em a “A Morte da Moreninha” para quem o narrador manda que se dobrem os sinos por sua morte.

Teatro Alquímico – Diário de Leituras
Marco Lucchesi (Artium, 160 pág.)
As árvores ocupam uma paisagem singular no universo mágico da cabala e da alquimia, como símbolos geradores de outros símbolos, mananciais luminosos de mistérios e epifanias, oráculos e adivinhações. Não passam de espelhos que refletem, de modo oblíquo e remissivo, uma super-realidade, com que parcialmente se entrelaçam, para prontamente libertaram-se, deitando suas raízes na terra para ganhar altitude, sob os raios noturnos, lunares. Raios que transformam a semente da árvore, em potência, e as pedras, imaturas, que a Terra-mãe segue generosamente alimentando em seu útero, sob o influxo da planeta úmido, que á a Lua, e do planeta seco, que é o Sol, e de todas as estrelas, em número de sete, a infundir vida ao mundo sublunar, pois que tudo ressente o logos spermatikos deste Universo, onde toda palavra gera ressonâncias infinitas. Eis o que guarda este diário de leituras, cujo exercício de raios, astros e pedras permite surpreender ressonâncias outras em Dostoiévski e Jorge de Lima, no ofício da tradução e nas pláteias do Segundo Reinado, no amor de Marsilio Ficino e na morte de Maiakóvski.

Almas Penadas
Fontes Ibiapina (Fundação Quixote, 48 pág.)
Almas Penadas nada mais é do que um punhado de histórias de trancoso, dessas que, antes de as antenas parabólicas chegarem ao sertão, povoavam as noites dos meninos sertanejos. Deliberadamente, Fontes as escreveu com o colorido da linguagem coloquial. Tudo soa tão natural que mais parece conversa fiada de matuto falastrão. Sem maior preocupação literária, o autor de Chão de Meu Deus escreveu este livro para os netos que se compraziam em ouvi-lo todas as noites.
* Este ganhei de minha amiga Lanna, que bem sabe da minha paixão por livros. E me apresenta assim ao homenageado do evento desse ano.

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