Novas Aquisições

Olá queridos leitores. Como perceberam atrasei muitas postagens com essas férias, e uma das categorias que estão superatrasadas é essa de “Novas Aquisições”. Mas dando continuidade trago a segunda (e última) parte dos livros que comprei durante o 8º SaliPi (Salão do Livro do Piauí), que aconteceu no início de Junho. Já postei os quatro primeiros AQUI. Dessa vez trago mais quatro (como de costume). Durante as aquisições tentei garimpar alguns livros e autores pouco conhecidos, em busca de algo “novo”, excêntrico, nonsense e que me permitisse uma leitura não convencional para os padrões literários (de best-sellers) de hoje. São eles:

O Motivo
Javier Cercas (Francis, 120 pág.)
A história de Álvaro, o protagonista de O motivo, tem alguns pontos em comum com a do autor Javier Cercas. O motivo é o único livro no qual o autor se reconhece, não sem algum incômodo. Mesmo acreditando que talvez o escritor sempre se arrependa do primeiro livro, ainda não se arrependeu dele. Álvaro, diferentemente dos escritores principiantes, não se lamenta de sua sorte, mas quer “aparecer” para o mundo de uma maneira muito planejada. Sua ambição desmedida por escrever a “obra definitiva”, que revolucione a história da literatura, não é menor que sua dedicação e disciplina para alcançá-la, consciente de que toda criação é composta por um por cento de inspiração e 99 por cento de transpiração. Apenas quando precisa delinear os personagens e o motivo de uma história policial é que seus olhos se voltam para seus vizinhos: um jovem casal com problemas financeiros, um aposentado solitário e mesquinho e uma zeladora entediada do marido. Para sua surpresa, seu afã de representar na ficção os conflitos da maneira mais perfeccionista possível leva-o a cometê-los na vida real. Mas Álvaro não suspeita que, apesar de seus cálculos e maquinações, a realidade nunca é tão governável como um romance.

Lisboa
J. R. Duran (Francis, 103 pág.)
Aqui está o retrato sem retoques de um homem perdido. Sem nome. Sem profissão definida. Um homem atordoado que não quer se enfrentar – e que terá de enfrentar um crime. O acaso o leva a perder-se em Lisboa e a lançar-se atrás de um personagem fugaz, improvável – um nome desconhecido em um cartão de embarque achado no assento do avião. O protagonista circula fisicamente entre Lisboa, Nova York e Nice e, na memória, percorre o mundo, do Guarujá a Casablanca, de Veneza a Los Angeles, passando por cenários suspensos, personagens voláteis e encontros calientes. Tanto os rastros que deixa quanto os que segue o levam a um único destino – ele mesmo;

The Best Of Xongas
Ricardo Freire
(Mandarim, 160 pág.)
“Um sujeito que não entende xongas de nada, escrevendo xongas de tudo”: assim Ricardo Freire definiu, em sua coluna de estreia, o que o leitor poderia esperar de “Xongas”, publicada todas as segundas, quartas e sextas no Jornal da Tarde paulistano.
Por que os atendentes de telemarketing dizem: “Eu vou estar transferindo sua ligação”? Como é que o bilhetinho: “ESTOU DESEMPREGADO VENDER BALAS A 1 REAL É A ÚNICA MANEIRA DE AJUDAR MINHA FAMÍLIA OBRIGADO” é impresso por computador? O que está por trás da expressão “Tó p’cê’?
Entre uma especulação e outra, Ricardo Freire ensina como mandar um e-mail de posto telefônico de Jericoacoara, prova por que a fome do pobre é infinitamente mais gostosa que a fome do rico, e lembra que todos os defeitos mais valorizados no ser humano estão reunidos no signo de Escorpião.
The Best of Xongas
é a seleção das crônicas mais leves, divertidas e de maior ibope deste primeiro ano. Para o fã colecionar – e o leitor de outros jornais descobrir.

O Bárbaro Liberto (Mnaloah)
R. Roldan-Roldan
(Lemos Editorial, 160 pág.)
Uma narrativa de viagem e uma viagem de transformação interior: É entre esses dois polos que oscila o novo romance de R. Roldan-Roldan, O Bárbaro Liberto (Mnaloah). O livro retoma alguns temas recorrentes na obra desse escritor que transita por todos os gêneros literários: a metalinguagem, a obsessão pela busca da identidade, o sexo como forma de atingir o sagrado, a viagem metáfora das errâncias da subjetividade e da própria trajetória de Roldan-Roldan, um autor que, nascido na Espanha, foi educado em Tânger (no Marrocos) e adotou o Brasil – ou, mais especificamente, a língua portuguesa do Brasil – como pátria definitiva de suas andanças por diferentes línguas e culturas.
Em O Bárbaro Liberto (Mnaloah), esses temas não comparecem apenas em um plano temático na história de um homem de meia-idade que subitamente rompe com seu passado, seu emprego e sua família (descritos como uma náusea de acentos sartrianos) e empreende uma viagem de dimensões metafísicas; na verdade, esse périplo em direção a si mesmo impregna também a estrutura do romance, cujos capítulos alternam a meditação retrospectiva sobre os fatos que levaram a personagem à ruptura com seu mundo e o relato onírico de uma viagem cujas conotações simbólicas dosam equilibradamente verossimilhança e alegoria, experiência da alteridade, contato com outras culturas e formas de subjetivação que superam a realidade empírica por meio de um imaginário que se materializa na própria escrita do livro.

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