O Aleph, de Paulo Coelho

Uma viagem, um escritor (brasileiro) famoso, pessoas estranhas, certa dose de misticismo e o resultado é um livro sucesso de vendas. Essa poderia ser a fórmula resumida do novo livro do autor Paulo Coelho, O Aleph (2010), mas não é só isso que esse livro representa para o autor e seus leitores. Não se trata apenas de mais um, mas sim do seu retorno ao gênero que lhe rendeu a fama e dádiva de ser um dos autores brasileiros mais lidos pelo mundo, tendo sua obra publicada em mais de 150 países, somando um total de traduções para 71 idiomas. Aqui há um misto de realidade e magia, fazendo o livro caminhar nas listas dos mais vendidos tanto de ficção como de não-ficção, ou esotéricos.

Primeiramente temos a impressão de que leremos o diário de viagem do autor, que aceitou o convite de sua editora russa a fazer a Linha Transiberiana, que corta a Rússia por completo. Todos sabem que esse é o maior país do mundo e que é cortado por sete fusos horários. A viagem inteira totaliza um total de 9.288 quilômetros. A aceitação do convite parte do incentivo do guru de Paulo Coelho que o incentiva a ir atrás e recuperar o seu reino – isso refere-se ao fato de o autor no ano da viagem (2006) está passando por uma crise religiosa. Aceitando a viagem ele espera conhecer os motivos que abalam sua fé e assim recuperar sua estabilidade espiritual. Porém quando ele se vê de fato cortando o continente asiático ele descobre que está ali para algo maior, que envolve até suas vidas passadas.

Sim, na volta de Paulo Coelho ao misticismo ele aborda questões espíritas ao usar a reencarnação como viés que conduz ao desfecho dessa obra catalogada como ficcional. Em vidas passadas ele havia sido um escritor francês, mas muito antes disso ele foi um eclesiástico da época da Inquisição, onde foi o responsável pela morte de nove mulheres. Uma delas ele encontra no presente e está viajando com ele, Hilal, uma musicista obstinada que o persegue por toda a viagem. Antes ela havia sido uma bruxa, que foi condenada a fogueira por conta dele. É em visitas ao passado que tudo se explica e o autor usa uma espécie de profecia das bruxas para explicar seu apreço pela magia em sua vida atual.

Para dá nome ao livro Paulo pega como referência o título de um conto do escritor argentino Jorge Luís Borges. O Aleph, segundo a descrição do autor, é o ponto onde tudo está no mesmo lugar ao mesmo tempo. Nele é possível ver imagens do mundo todo, inclusive de vidas passadas. Sua missão então é se redimir do que fez na sua vida passada, conseguindo o perdão de que ele condenou. Hilal é peça chave para isso, mas ela o deseja como homem – um amor que vem desde esse passado comum aos dois – mas Coelho deve fidelidade à sua mulher, Christina Oiticica. O tradutor Yao, também exerce um papel importante no aconselhamento espiritual do autor nessa aventura. Muito mais que um livro místico, O Aleph (Sextante, 256 pág.) é instigante e curioso, surpreendente até. È incrível como através de toda a obra do autor ele consegue abordar todas as vertentes místicas e ser convincente nelas.

Algo curioso é que o livro demorou quatro anos para sair, tempo longo levando em conta a experiência do autor. A viagem aconteceu em 2006 e o lançamento do livro só agora no segundo semestre de 2010, isso mostra um cuidado na montagem de um enredo coerente à viagem e ainda assim atrativo e com um clímax mágico para prender o leitor. Os fãs do autor irão se deliciar com essa aventura onde ele mesmo é o personagem. Aqui ele ensina diretamente – sem o uso de personagens e alter-egos – e quem está sempre apto a aprender (mesmo que não goste do autor) irá poder experimentar uma injeção de ânimo e reflexão, seja ela analógica, alegórica, metafórica ou literal. A influência do autor pelo mundo é tanto que a cantora mexicana Anahi (ex-RBD), sua nova amiga, fez música para homenagear o livro e o autor.

Para quem ainda não leu o autor, eis um bom livro para começar. Para os fãs (que já devem ter lido antes de todo mundo) é um prato cheio. Aos não simpatizantes dos livros de Paulo Coelho vale a pena ver essa nova evolução do mesmo. Recomendo!

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5 comentários

  1. Confesso que tenho receios dos livros de Paulo Coelho por conta que meus amigos fazem algumas críticas ferrenhas aos livros dele.

    Mas sua resenha me convenceu a arriscar a leitura. Irei comprar o livro e ver o que acho.

    Ótima resenha, parabéns!

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    • Pablo, que bom que gostou da resenha.
      Fico muito feliz com isso!

      Compre o livro, leia e diga o que achou.

      Não é bom nos basearmos em opiniões do outros, é bom que tiremos nossas próprias conclusões sobre as coisas.

      Abraços!

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    • Leonardo,

      Nunca leu nenhum? Pois acho que deve ler um para poder tirar suas conclusões. Quem ler ele geralmente fica muito dividido, uns amam, outros odeiam.

      Até agora eu li: Brida (para mim o melhor); O Alquimista; O Manual do Guerreiro da Luz; O Demônio e a Srta Pryn; e agora esse.

      Muitos desses são fraquinhos, para quem gosta de boa literatura esse não é o autor mais recomendado.

      Abraços!

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  2. Li Paulo Coelho há muito tempo, quando lançou Diário de Um Mago. De início gostei do livro, principalmente pq estava vivendo uma fase de misticismo e através dele comecei a estudar o Caminho de Santiago de Compostela, que inspirou seu bestseller. Fiz uma pequena biblioteca sobre Compostela e até alimentei a idéia de fazer os 800 km do caminho, na Espanha. Posteriormente li O Alquimista e achei uma droga. Achei literatura fácil, pra pescar leitores e fazer sucesso. Ruim demais. Incrivel mas foi o livro dele que fez mais sucesso. Comprei há pouco uma edição comemorativa ilustrada por Moebius, apenas por curiosidade. Acho o livro ruim demais. Depois diosso não tive coragem de ler mais nada do Paulo Coelho, embora tenha tentado, mas faltou acreditar nele como escritor sério.
    Gostei dessa resenha do Ademar, talvez eu tome coragem e tente ler O Aleph. Não gostei dele ter roubado o título do JLBorges, Mais um golpe publicitário fácil. Mas vou confiar no meu amigo Ademar e tentarei ler. Provavelmente não gostarei, mas tentarei. A verdade é que Paulo Coelho é muito ruim…

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