| Entrevista | Regina Monge

REGINA MONGE, de 43 anos, é autora do livro A Escolha de Cada Um, publicado esse ano sob o selo “Novos Talentos da Literatura Brasileira” da editora Novo Século. Ela aceitou estrear a série de entrevistas do blog e conta que saiu do interior de São Paulo para a capital, decisão muito difícil por ter que sair do berço familiar para encarar a vida por conta própria. Além de falar sobre seu livro e seu processo de publicação, Regina nos fala um pouco mais sobre sua vida pessoal, sua carreira, seus sonhos, dificuldades e escolhas. Nessa entrevista exclusiva concedida ao blog Cooltural, ela resolve dar sua opinião e discutir literatura, vida pessoal, religião e política, já que o momento é oportuno para tal assunto. Mostra-se feliz com a entrevista e se põe a disposição dos leitores que desejarem sanar alguma dúvida através de seu e-mail.

Cooltural – Quem é Regina Monge? Pode se apresentar melhor aos nossos leitores?
Regina Monge:
Gostaria de dizer, antes de qualquer coisa, da minha satisfação em conceder essa entrevista ao Cooltural e compartilhar um pouco da minha vida com todos os seus leitores.
Sou uma geminiana típica, com ascendente em Libra, mergulhada no mundo da comunicação e dos relacionamentos e sempre envolvida em várias coisas ao mesmo tempo; a curiosidade é a minha companheira do dia a dia.
Adoro a experimentação da mudança, conhecer pessoas, trocar experiências, novos lugares, novos pratos…, tenho 43 anos e nasci no interior de São Paulo, num dos menores municípios do Estado, a estância turística de Águas de São Pedro. Saí de lá aos 21 anos e vim para São Paulo, onde vivo até hoje.
Sou formada em Comunicação, com especialização em Propaganda e MBA em Marketing e trabalho, desde 1993, com essa atividade. Em 2009, finalizei um curso de extensão sobre História e Linguagem do Cinema, outra paixão, além da literatura, e constituí minha própria agência, ainda em formação, e que requer toda a minha atenção neste momento. Para quem quiser visitá-la, o site é www.vertscomunicacao.com.br.

Cooltural – Como você se inseriu no mundo da leitura? E como surgiu o desejo (ou sonho) de publicar um livro?
Regina:
Quando adolescente, entre os 12 e 15 anos, mesmo nascida em uma família simples, com pouco acesso à cultura, quando a informação não era tão rápida, como nos dias de hoje, comecei a escrever algumas poesias e a colecionar frases de grandes pensadores que, de alguma forma, tocavam meu espírito inquieto, desde aquela época.  Mas não imaginava ser escritora, isso veio muitos anos depois, quando tive a ideia desse projeto.
Em 1991, no meio do trabalho, veio a inspiração para a primeira parte do livro e registrei tudo; tenho guardadas, até hoje, as folhas já amareladas pelo tempo. Como era recém chegada à Capital, tinha muitas pendências a resolver, como faculdade, trabalho e os anos foram passando, sem tempo para escrever. E só em 2002 tive a ideia para a segunda parte; registrei, mas também, ficou arquivada por outro tanto de tempo.
Foi, então, no ano de 2008, que decidi escrever o livro; muitas coisas mudaram, desde os primeiros registros, mas o eixo principal se manteve intacto, desde o início.
Após finalizar o projeto, no segundo semestre de 2008, enviei os originais para várias editoras e, em alguns casos, eu mal postava o original e, dois dias depois, recebia uma carta padrão, dizendo que o catálogo da editora com as próximas publicações estava completo, para o próximo período de dois anos. Foi só no final de 2009 que consegui uma resposta positiva da Novo Século Editora, querendo publicar meu livro. Assinei um contrato com eles e, no início de 2010, revisei o livro para publicação e, no final de julho, ele foi lançado na livraria Saraiva.

Cooltural – A Escolha de Cada Um é seu primeiro livro publicado. Sabe-se que não é fácil para um autor iniciante ser publicado no Brasil. Como foi o processo de publicação do seu livro? Teve dificuldades?
Regina:
Realmente não é fácil, sobretudo quando não conhecemos alguém para fazer uma indicação sua diretamente a um editor o que, em muitos casos, abre as portas, pelo menos para que o livro seja lido e avaliado.
Desde que finalizei o livro, enviei para várias editoras e sempre recebendo um não como resposta. Cheguei a receber propostas para publicação sobre demanda, onde o autor assume todos os custos, e não tive interesse, por achar que a contrapartida era praticamente zero.
Já pensava em desistir, quando surgiu a possibilidade de publicar pela Novo Século Editora. Em muitos casos, como no meu, publicar um livro é um grande investimento, e não sabemos se teremos, pelo menos, o retorno do valor investido.
Fizemos uma parceria na qual eu investi uma parte na publicação e, em contrapartida,  obtive assessoria de imprensa na divulgação, distribuição no Brasil, noite de lançamento e participação na Bienal. E continuo investindo, nos dias de hoje, na continuidade da divulgação.

Cooltural – Como lhe ocorreu a ideia de escrever seu livro nesse formato, com um livro-narrador-personagem e a história que ele contém? Surgiu de forma simultânea ou em momentos distintos?
Regina:
Aqui a história é longa (rsrsrsrs)… Eu já morava em São Paulo, no ano de 1991 e trabalhava na área de contabilidade, em uma indústria metalúrgica; era um ambiente de trabalho gostoso, porém muito tedioso, com uma rotina de atividades sem novidades, exceto as mudanças na legislação contábil.
Eu sabia que aquele tipo de trabalho não combinava com a minha personalidade e, num dia de pouco trabalho, decidi escrever um livro. Nos dias seguintes, dei início a esse projeto. Agora vem uma parte que muitos de vocês, leitores, não vivenciaram; peguei algumas folhas de papel sulfite e comecei a datilografar em uma máquina de escrever manual. Computador, naquela época, ainda era raro em muitas empresas. Tenho essas folhas iniciais guardadas até hoje, já estão amareladas pelo tempo, mas esse foi o começo de tudo. Comecei a digitar as palavras que foram formando as frases e, essas, dando vida à história; quando percebi, já tinha o personagem principal da primeira parte.
Escrevi umas trinta páginas e deixei arquivado por mais de uma década. Muitas coisas aconteceram em minha vida nesse período e, em 2002, num dia tranqüilo em casa, veio o impulso para retomar o projeto e, com ele, a inspiração para a segunda parte do livro, sem o final ainda definido.
Registrei a ideia principal e arquivei o projeto por mais seis anos. Foi então, em 2008, que decidi finalizá-lo e recomecei a escrever. Muitas coisas mudaram, desde os primeiros registros, mas o eixo principal se manteve intacto, desde o início. Hoje entendo que não preciso esperar tanto para escrever, mas naquela época, havia outras conquistas para batalhar e tudo aconteceu conforme as minhas escolhas.

Cooltural – Em seu livro, o “livro-narrador” põe em questão o conceito de sucesso. Para você o que ele significa?
Regina:
O que é sucesso?
Sucesso para mim é o privilégio de oferecer algum tipo de contribuição a esse mundo, seja na empresa em que trabalhamos, para os nossos amigos e familiares, para pessoas desconhecidas, para a natureza ou para algo que em algum instante aconteça próximo a você e a sua atitude, naquele momento, fará toda a diferença.
Também é conseguir vencer, realizar os sonhos, sem precisar passar por cima dos outros, sem quebrar princípios e valores. Sucesso está acima da fama e do poder, é ter paz, é colocar a cabeça no travesseiro na hora de dormir e conseguir sonhar, é estar com Deus dentro de si.
Sucesso é uma grande busca, um desafio, ele nos pressiona a ir além, a buscar conhecimentos, a conhecer e explorar o novo, muitas vezes com aparência assustadora. É enfrentar os medos e as derrotas, é sorrir, quando uma criança olha para você, é crescer, intimamente, todos os dias. É um longo caminhar sem fim, tendo a certeza de sempre podermos fazer algo melhor. O simples fato de acreditarmos em nossos sonhos já é um sucesso, porque a maioria das pessoas não acredita ou, em muitos casos, nem consegue sonhar.

Cooltural – Você prefere ser lida e compreendida por poucos ou ganhar muito dinheiro em vendas, mas ficar guardada nas estantes?
Regina:
Se eu pudesse escolher, pediria ao Universo que gostaria de viver de literatura, escrever e publicar outros livros e ler centenas de livros. Hoje, eu quase não tenho tempo para escrever, em função da minha atividade profissional, meu ganha pão diário.
Assim, gostaria de escrever para transmitir algo aos leitores, como nesse primeiro livro. Tenho recebido feedback de leitores, frequentemente; há alguns testemunhos interessantes, com relatos sobre como o enredo e os personagens levaram essas pessoas a analisarem , refletirem  e decidirem de forma diversa da usual, pois o livro interferiu em suas vidas, ensinou-as a “pensar” diferente. Houve, de fato, um processo de transformação; fico feliz, mas me assusta um pouco a responsabilidade.
Uma leitora comentou “só agora que me dei conta que eu estou numa prateleira, igual ao livro”, isso é fantástico e é essa troca, essa experiência que eu quero.
Mas, também quero um pouco de dinheiro para poder proporcionar essa escolha, possibilitar minha dedicação à produção de novos livros e viver de literatura. Quando escrevo, vivencio o personagem muito próximo de mim e a experiência do personagem na prateleira, esquecido, já foi suficiente, não a desejo novamente.

Cooltural – Seu livro evoca muito a importância da felicidade na vida das pessoas. Você se considera uma pessoa feliz?
Regina:
Desde criança, sempre fui uma pessoa feliz, criava meus mundos e amigos imaginários e me divertia muito. Com o passar dos anos, essa felicidade amadureceu e continuou, até um momento em que me vi cair no abismo da tristeza, com uma forte depressão, que durou anos.
Então percebi: estar feliz ou triste é um ir e vir. Apesar de difíceis, os momentos de infelicidade funcionam como uma mola propulsora que nos faz amadurecer, a pensar e repensar nossas atitudes, nossos projetos e nossa vida.
As pessoas perdem tempo demais, tentando buscar explicações ou motivos para entender suas fraquezas e decepções. Na contramão da tristeza, a resposta para a felicidade é, simplesmente, sentir-se bem.
Felicidade se atinge pelo exercício e, acreditem, ela existe e está muito perto de você.
Sim, me considero uma pessoa muito feliz!

Cooltural – Na segunda parte do livro a protagonista Anna se aventura em conhecer o mundo, para assim tentar conhecer a si mesma. Essas aventuras da personagem são baseadas em suas vivências? Que países você conhece ou deseja conhecer?
Regina:
Meu ponto em comum com a Anna é a determinação e quando quero uma coisa, luto até o fim para alcançar. Não conheço Petra, mas está nos planos. Como Anna, também tive uma viagem especial de grandes descobertas interiores, foi em 1999, quando fiz a pé os mais de 800 km do Caminho de Santiago de Compostela, pelo caminho francês, partindo da divisa da França até Santiago. Foi um momento mágico, inesquecível.
Conheço alguns lugares, como quase toda a Espanha, Paris, Lisboa e Nova York; tenho planos para visitar a Itália, ainda esse ano, vamos ver se consigo. Desejos são vários, a começar pela Jordânia e Petra, Turquia, Egito e o Leste Europeu, Grécia e Alemanha.

Cooltural – Você, assim como Anna, já viveu algum drama onde foi colocada diante da tarefa de escolher algo importante, visando os pontos sucesso e felicidade?
Regina:
Sim, algumas vezes. A escolha em sair de uma cidade do interior, deixando a família e vir para São Paulo, apenas com a cara e a coragem, em busca de trabalho e realização pessoal, foi uma decisão muito importante e difícil, mas que valeu a pena.
Outro momento foi deixar um trabalho com excelente salário e cargo na área administrativa de uma indústria e recomeçar como estagiária na área de comunicação, outra decisão difícil da qual não me arrependo.
E por fim, a opção em ter meu próprio negócio com criação da agência de comunicação. Ainda é prematuro para comentar, mas estou convicta de ter feito a escolha certa.

Cooltural – O teor psicológico no seu romance é muito grande. De onde tirou as experiências e/ou referências para inseri-las no livro já que sua formação é outra?
Regina:
Além da experiência pessoal, em contato com essa área, por meio de terapias, possuo vários amigos psicólogos e psiquiatras, com quem convivo.
Também gosto muito desse universo, envolvendo o emocional e o comportamental do ser humano, pois nos conduz por caminhos iluminados ou escuros, dependendo de nossas atitudes. Por isso, fiz questão de explorar muito esse tema na personagem Anna, porque de alguma forma, em algum momento de nossas vidas, nos encontramos em caminhos bifurcados e com a necessidade de fazer escolhas e continuar a jornada, em busca de nossos sonhos e ideais.

Cooltural – Além do teor psicológico, seu livro também possui uma carga espiritualista. Isso provém de sua orientação religiosa? A propósito, qual é sua religião?
Regina:
É impossível imaginar esse nosso mundo, com todas as coisas que vemos e vivenciamos, sem acreditar em algo maior acima de tudo isso. Sou religiosa a ponto de acreditar em Deus e conversar com ele todos os dias, como falo com vocês, agora. Para mim, Ele é um grande amigo e sinto sua presença o tempo todo.  Só assim consigo encontrar minhas respostas.
Eu busquei aquietar meu coração, passando por várias religiões, conhecia a católica, freqüentei por um curto período a evangélica e o budismo e tenho um respeito por todas, uma vez que levam de maneiras diferentes o conforto e a palavra de Deus. Há mais de vinte anos encontrei as respostas às minhas perguntas na religião espírita e sigo essa doutrina.

Cooltural – Estamos em um momento de decidir e fazer escolhas que dizem respeito ao futuro do nosso país. O que você acha dessa escolha em particular?
Regina:
Pergunta delicada, mas muito pertinente, neste momento. Vivemos uma fase de progresso desde o Plano Real, com melhor qualidade de vida e acesso de boa parte da população a recursos antes totalmente distantes de suas realidades, eu vivi épocas de inflações altas e insanas. Porém, há muita coisa a corrigir na política, desde as reformas que se fazem necessárias, maior transparência dos órgãos governamentais, e uma ação efetiva sobre os gigantescos tentáculos da corrupção que criaram raízes sólidas e sórdidas, neste país. O caminho será lento, mas sou otimista e acredito num processo de saneamento nas atitudes e ações da atual classe política por idealistas honestos, empenhados no bem estar da Nação.

Cooltural – Qual sua opinião, crítica ou sugestão sobre a situação política atual do Brasil? Tem expectativas para esse período de mudança (ou não)?
Regina:
Expectativas sempre existem e elas aumentam nesses momentos de transição. Precisamos de uma renovação da classe política, mas infelizmente neste momento está tudo requentado e cheio de conchavos perigosos.
No entanto, por outro lado, a população está mais consciente e com acesso a informação e, se não for cerceada, poderá bradar e exigir as reformas e mais transparência. Vamos apostar nisso, afinal o Brasil é um grande país e merecemos ser governados por dirigentes sérios e comprometidos com os interesses da Nação e não com seus projetos pessoais de poder.

Cooltural – Depois de nos presentear com A Escolha de Cada Um. Pode nos adiantar se está com algum projeto de livro em andamento?
Regina: Tenho três sinopses prontas que considero bem legais para começar a escrever. O difícil será precisar esse início; como minha atividade principal demanda muito de mim, sobra pouco tempo para a literatura  e ainda estou no processo de divulgação de “A Escolha de Cada Um” . Mas vocês podem esperar por algo bem legal, a única certeza que posso prometer é que não vou demorar tanto para escrever como foi esse primeiro. Talvez eu inicie por um projeto que vai contar a história de uma personagem jovem, que em uma viagem para a Europa e em visita a um determinado ponto turístico, vai começar a sentir reminiscências de uma vida passada, vivida na Idade Média.

Cooltural – Que conselho você dá aos novos escritores, usando de sua própria experiência?
Regina:
Primeiro, se a pessoa realmente quer escrever, nunca desista desse sonho, mesmo parecendo inatingível. Em segundo, não tenha pressa, pois é um processo lento, na maioria das vezes. E, por último, ter muita consciência do que vai escrever, porque receberemos críticas positivas e, também, negativas e precisamos estar preparados para ambas.

Cooltural – Check-list Cooltural:
– Livro favorito:
As Mil e Uma Noites
– Autor favorito:
Clarice Lispector
– Ator ou Atriz:
Johnny Depp
– Filme:
O Poderoso Chefão
– Diretor:
Charles Chaplin
– Um sonho a realizar:
Viver de literatura
– Um álbum musical:
The Wall – Pink Floyd

Cooltural – Obrigado pela entrevista, muito sucesso a você e seu livro. Grande beijo!
Regina:
Sou em quem agradece por esse momento de compartilhamento de experiências e idéias.
Gostaria de encerrar com um pedido: se vocês tiverem a oportunidade de ler a “Escolha de Cada Um”, meu filhote primogênito, e gostarem do enredo, das mensagens e personagens, divulguem aos seus familiares, amigos, a todos seus contatos na rede. Vamos ver se com essa corrente boca a boca ele possa atingir o maior número de pessoas e, assim, cumprir sua missão.
Para quem quiser me escrever, registrar sua opinião, perguntar algo, sugerir, deixo meu e-mail à disposição: autora_aescolha@terra.com.br.

One comment

  1. Olá,
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