Par Perfeito (Killers, 2010)

Comédia romântica é de longe o tipo de filme que mais agrada o público geral, formado em sua maior parte por mulheres jovens, ficando atrás apenas dos blockbusters. Embora uns fujam um pouco do padrão de filme desse gênero a maioria deles é constituída de um mesmo tipo de roteiro, simples e levemente engraçado, ou pelo menos tenta ser. Par Perfeito (Killers, 2010) tenta se sair desse gênero assumindo como um filme de comédia/ação, mas é impossível assisti-lo e não caracterizá-lo como mais uma comédia romântica, a julgar pelo título (em português, já que o original tem uma conotação diferente), pelo cartaz de divulgação e até pelos atores. Esse filme de Robert Luketic tenta inovar, mas acaba preso às garras da mesmice da baixa qualidade dos filmes desse gênero, claro que aqui julga-se pela maioria.

O roteiro tenta construir uma rede de complexão que não funciona nem se justifica muito bem. É até inconcebível o que o roteiro tenta mostrar, servindo apenas para pautar em um novo cenário o tão já conhecido cenário para essas pieguices. Ashton Kutcher, como Spencer Aimes, conhece Katherine Heigl, como Jen Kornfeldt. Ele é uma espécie de agente secreto que tem como principal tarefa matar pessoas seja por qual motivo superior for. Mas é quando surge a missão de matar o pai da sua garota, Mr. Kornfeldt (Tom Selleck) que ele renuncia ao seu emprego e eis que surge o viés do filme. Ele é um agente importante e parece possuir muitas informações, o pai de Jen resolve dá cabo daquele que acabaria com sua vida e contrata os vizinhos de Spencer para matá-lo. Para isso ele oferece uma recompensa generosa pela morte do genro. E é aqui que se instala a ação do filme, todos os vizinhos em um complô e espécie de disputa para ver quem consegue matá-lo primeiro.

No decorrer do filme, Kutcher desfila sua beleza escultural, enquanto Katherine faz um papel até notável para a proposta do filme, ela é responsável por quase todo o humor. E aqui devo dizer que o filme não arranca risadas tão facilmente, é preciso sensibilidade e facilidade para sorrir para absorver a maior parte das piadas. Outra parte da comédia é gerada apenas por elementos e personagens, até mesmo aqueles que quase não falam. Mrs. Kornfeldt (Catherine O’Hara) a mãe de Jen é uma figura excêntrica que consegue tirar algumas risadas dos espectadores quando aparece com seus utensílios de tamanho exagerado. Os vizinhos, um mais bizarro que o outro, também nos trazem certa vontade de rir, mas são também fruto da mesmice do gênero.

Quando a ação se acentua, e as cenas parecem se repetir, onde todos os vizinhos o estão perseguindo tem a sensação de que o diretor exagerou na quantidade de perseguições que chega a ser enfadonho. Ao invés de trazer um clímax isso só torna o filme um ponto comum e insignificante que não consegue nem cumprir o que promete. Nem a fotografia do filme não encanta. Aliás uma das únicas coisas encantáveis nesse filme é a atuação de Katherine Heigl, que faz bem o papel de uma garota lesada, tão bem que em momentos acha-se que a atriz é que carrega esse adjetivo. É um filme pra se esperar que saia em DVD pra que se possa locá-lo em momentos que tédio e sessões de pouco compromisso cinematográfico, apenas para ver se é ou não o que os outros estão dizendo sobre ele, seja de bom ou ruim, como nesse caso.

Não digo que o filme não possa agradar, mas digo que esse filme não muda muito do que se ver por ai enchendo as prateleiras desse gênero. A direção de Robert Luketic não tem grandes marcações, e o roteiro de Bob DeRosa e Ted Griffin é apenas tudo o que já foi dito até agora, mais do mesmo tentando inovar. Há cenas realmente muito engraçadas, mas algumas são deploráveis. Então se você é realmente fã do gênero, ignore tudo que foi dito e caia de cabeça, pois irá encontrar que procura e que encontrou nos filmes anteriores que você viu. Se você não gosta então passe longe, pois não encontrará nada que ainda não tenha sido filmado em outra comédia/romântica, certo que nesse a ação (forçada) aparece de uma forma que parece não lhe caber ali.

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4 comentários

  1. Pois é Ademar, o cinema em geral (principalmente o americano) tem essa tendência de repetir formulas de sucesso garantido para se ter um lucro razoavel em comparação ao custo do filme.
    O medo de arriscar e ter prejuizo financeiro deixam ainda mais esses filmes “família” em evidência. Comédias romanticas não precisam ser necessariamente ruins, o problema são as grandes produtoras que parecem ser incapazes de enxergar novos talentos e neles oportunidades de inovar e assim atrair um número maior de pessoas ao cinema… Afinal, nem um filme é tão bom pela segunda vez, e se as tramas são sempre as mesmas de um modo geral, a graça se perde antes mesmo do filme ter seus créditos iniciais.

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  2. Eu ri, eu curti.
    Mas como diz minha professora: é o tipo de filme que vc deve assistir, ignorando a presença de um cérebro funcional em sua cabeça;
    Assistir and Vegetar.

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  3. Eu trabalhei numa locadora e digo: só sai filme desse naipe. O drama mais bobo do mundo não sai porque “quero é fugir de drama”, nas palavras de um cliente.

    Trabalhar numa locadora me fez perceber o nível de imbecilidade da clientela do meu bairro. Porque eu pensava que dramas bobocas saiam, mas nem os mais simples e cheios de clichê fazem sucesso em locadoras. As pessoas só alugam comédias românticas e filme de ação com edição de videoclipe.

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