Entrevista: Jay Asher

JAY ASHER tem 35 anos e vive na Califórnia com sua esposa JoanMarie e seu filho recém-nascido. Jay é um novo nome na literatura adolescente, seu livro de estréia, Os 13 Porquês, chegou aqui no Brasil ano passado pela editora Ática. Leia minha resenha AQUI. A temática do livro é o que chama mais atenção e fez com que o mesmo fosse adotado como paradidático obrigatório em muitas escolas pelo Brasil (inclusive aqui em Teresina, com a escola CPI). Nessa entrevista exclusiva ao blog Cooltural, Jay Asher fala sobre sua iniciação como escritor, dá suas opiniões acerca do suicídio e nos conta um pouco de sua vida pessoal e sobre seus futuros projetos. No livro e na entrevista ele faz um apelo de que nos tornemos atentos e que discutamos o assunto de forma mais aberta. Segundo ele o suicídio é um mal evitável. Veja!

Cooltural – Quem é Jay Asher?
Jay Asher: Nasci na Califórnia em 1975. Em 2002 eu me casei com JoanMarie e tivemos nosso primeiro filho agora em dezembro. Seu nome é Isaiah Nathan Asher.

Cooltural – Em que momento da sua vida você decidiu ser escritor?
Jay: Eu sempre quis ser escritor de alguma forma. Primeiro eu queria escrever e ilustrar minha própria história em quadrinhos. Então quis ser repórter. Aí pensei em ir para a escola de cinema para estudar roteiro. No meu primeiro ano na faculdade, tive uma matéria chamada “Apreciação de Literatura Infantil”. Para o meu projeto final, eu escrevi  textos para dois livros ilustrados. Ao longo dos nove anos seguintes, eu tentei escrever e vender livros engraçados para as crianças. No final de 2002 ou início de 2003, comecei a escrever Os 13 Porquês.

Cooltural – Quando você começou a gostar de literatura? Quais são suas maiores referências?
Jay: O primeiro livro que eu lembro que me apaixonou foi Bridge to Terabithia [Ponte para Terabítia]. Ele ainda é um dos meus favoritos. Em 2000 eu comprei o meu primeiro romance escrito para adolescentes, Stotan! de Chris Crutcher. O senhor Crutcher se tornou uma grande influência na minha escrita quando eu decidi escrever meu primeiro romance adolescente, porque eu queria escrever alguma coisa com tanta  honestidade quanto ele coloca em todos os seus livros.

Cooltural – “Os 13 Porquês” é seu romance de estréia. O que te motivou a escrever este livro?
Jay: Uma parente próxima tentou o suicidio quando ela tinha a mesma idade de Hannah Baker. Como ela morava perto, tivemos a oportunidade de discutir como ela chegou ao ponto de pensar que terminar sua vida era a única maneira de acabar com a  sua dor. Mas isso aconteceu nove anos antes de eu ter  a ideia para o meu livro. Por muitos anos, eu queria escrever um livro com uma estrutura de áudio tour, com dois narradores simultâneos. Eu tive essa ideia depois que eu fiz a minha primeira turnê de áudio através de uma exposição do King Tut, em Las Vegas. Eventualmente, ambas as idéias se uniram e Os 13 Porquês nasceu.

Cooltural – Como foi o processo de montagem do livro? Veio tudo de uma vez ou foi surgindo e se adaptando aos poucos?
Jay: A ideia para o livro veio de uma vez só. Antes eu escrevia muito, decidi que seriam treze razões, e então comecei a escrever. Primeiro eu escrevi a história de Hannah e todo seu percurso, desde o primeiro motivo até o décimo terceiro. Isso levou cerca de um ano e meio. Depois voltei e acrescentei Clay na história.

Cooltural – Você utilizou de suas próprias experiências para compor os fatos do livro?
Jay: Algumas das minhas próprias experiências se fizeram presentes no livro. Por exemplo: quando eu conheci a garota com quem eu tive o meu primeiro encontro, aconteceu quase  da mesma maneira quando Clay e Hannah se conheceram na festa logo no início do livro. Eu também tive uma aula onde tinhamos envelopes para as pessoas deixarem notas encorajadoras um para o outro. Um dia alguém deixou um bilhete como o bilhete da Hannah, e a classe respondeu do mesmo modo. Um monte de outras cenas foram inspiradas por falar com minha esposa e amigas sobre as suas experiências do ensino médio. Eu não copiei nenhuma das suas situações, mas muitos de seus pensamentos sobre a traição e rumores estão em meu livro.

Cooltural – Em “Os 13 Porquês” o tema abordado é demasiado denso. Porque você quis iniciar seus livros, falando sobre suicídio?
Jay: Senti  que as pessoas estão com muito medo de falar honestamente sobre o assunto, e é muito importante falar. Quando alguém se suicida, mas não procura ajuda, muitas vezes é porque acham que ninguém vai entender. Primeiro porque todo mundo tem muito medo de falar sobre isso. O que também torna mais difícil chegar às pessoas com quem nos preocupamos e dizer que temos medo que nos machuquem ou machuque a elas mesmas.

Cooltural – Vemos que você nos passa uma ótima mensagem tanto sobre o bullying como sua influência no suicídio. Como você encara este problema tão comum entre jovens? Já aconteceu com alguém próximo de você?
Jay: Conheço muitas pessoas que sofreram bullying e eu vi como isso pode afetá-los. Geralmente, não é nada grande que acontece, mas um monte de pequenas coisas acontecendo durante um longo tempo. Alguns deles pensaram em suicídio (e um parente meu tentou se suicidar), mas mesmo que não pensem em suicídio, o bullying torna a vida desnecessariamente difícil. Queria que as pessoas que leram meu livro percebessem que só porque acham que não estão realmente ferindo alguém, não o estejam de fato. Você não sabe o que isso estar realmente causando na vida dessa pessoa.

Cooltural – Todos os personagens têm influência no suicídio de Hannah. Porque escolher 13 pessoas? Porque escolheste Clay como narrador?
Jay: Eu escolhi treze porque há uma frase nos Estados Unidos  que diz  “uma dúzia de padeiro é treze”. Meu título original era Baker’s Dozen [Dúzia de Padeiro]. Além disso, muitas pessoas consideram treze um número de azar, o que me pareceu apropriado. Eu achei que era importante que o narrador fosse alguém que o leitor se identificasse, mas também alguém que, quando descobrimos o que ele ou ela fez, não se sentisse mal da ligação com essa pessoa.

Cooltural – Ler o seu livro nos deixa atentos para pessoas próximas de nós. Você encara seu livro como um apelo para isto?
Jay: Absolutamente. Pode ser difícil de admitir quando as pessoas próximas de nós estão sofrendo tanto. Mas não precisamos ter medo de chegar até eles. No mínimo, isso permite que a pessoa saiba que alguém realmente se importa. No máximo, poderia salvar uma vida.

Cooltural – Aqui no Brasil (mais especificamente aqui na minha cidade, Teresina) seu livro foi adotado como leitura obrigatória para adolescentes de uma determinada escola. Como você encara essa abrangência do seu trabalho?
Jay: Eu acho isso incrível e maravilhoso. Os adultos usam meus livros em escolas, e os alunos sabem que existem adultos na comunidade deles que não tem receio em discutir os problemas que  meu livro aborda, e isso já é uma grande coisa.

Cooltural – Está com algum outro projeto em andamento? Pode nos adiantar algo como título ou tema que será abordado?
Jay: Eu estou quase terminado de escrever meu próximo livro para adolescentes. Desta vez trato também de relacionamentos complexos que as pessoas têm no ensino médio, mas com uma inusitada alteração do que realmente acontece. O título pode mudar, mas por enquanto eu o chamo de “It’s About Time” [É Sobre o Tempo].

Cooltural – Planeja conhecer o Brasil algum dia?
Jay: Eu adoraria visitar o Brasil, se uma escola ou biblioteca me levasse aí!

Cooltural – Que conselho você daria aos novos escritores, que sonham em ter um livro publicado?
Jay: Meu melhor conselho é criar um grupo de crítica com outros escritores. No momento em que você começa a entender como as outras pessoas estão lendo suas palavras, você começará a se tornar um escritor muito melhor e mais poderoso.

Cooltural – Check-list Cooltural:
– Livro favorito: Stargirl de Jerry Spinelli.
– Autor favorito: Eu sinceramente não consigo escolher um autor favorito. São muitos! Chris Crutcher, Louis Sachar, Carolyn Mackler, etc…
– Ator ou Atriz: Johnny Depp é sempre divertido de se ver (e minha esposa acha ele incrivelmente sexy)
– Filme: Titanic
– Diretor: Sophia Coppola
– Um sonho a realizar: Os 13 Porquês se tornar um filme
– Um álbum musical: Hysteria de Def Leppard

Cooltural – Obrigado pela entrevista, sucesso a você e seus livros. Um forte abraço!
Jay: Obrigado. Isso foi muito divertido!

6 comments

  1. Gostaria de indicar um livro que mudou minha vida. Chama-se “Meu Livro é Você”.

    o site:
    http://www.meulivroevoce.com.br

    Recebi este livro presente de meu filho, ele me deu de presente de aniversário, chorei muito quando lí.
    Foi um dos melhores presentes da minha vida. Vale a pena dar um livro presente. Lembrei de dias felizes que passamos juntos.

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  2. Cara, uma entrevista muito boa e não conhecia esse livro. Mas já indiquei para alguns amigos e para o elenco de uma peça minha, TEENS, que deverá entrar em cartaz em São Paulo até o final do semestre. Parabéns…

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    • Renatho,
      Que bom que curtiu a entrevista. O livro é muito bom para trabalhar com adolescente, principalmente em grupos, pois eles tendem a se abrir e trocar experiências a respeito. Fico feliz que tenha gostado.
      Abraço!

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