Em Águas Profundas

As idéias são como peixes. Se você quer pegar um peixinho, pode ficar em águas rasas. Mas se quiser um peixe grande, terá que entrar em águas profundas.
– David Lynch

O que são idéias? Que mecanismo psicológico é responsável pelo surgimento de nossas idéias, principalmente as boas? Quando somos fã de alguém geralmente é porque ficamos fascinados pelo desempenho dessa pessoa em realizar algo ou por sua verve ao criar determinadas obras, sejam literárias, cinematográficas ou outra qualquer. Em Águas Profundas (Cathching The Big Fish, 2006) é um relato autobiográfico do cineasta americano David Lynch, onde ele aborda a meditação transcendental e a influência disso em todos os seus trabalhos e no seu dia a dia. O livro é interessante, pois ele nos dá informações curiosas acerca de elementos inexplicáveis ou excêntricos que vez ou outra aparecem em seus filmes, assim como fala do seu processo de produção, desde o momento em que tem que pescar idéias.

David Lynch é um dos maiores nomes do cinema Cult, tendo sido indicado ao Oscar por três vezes. Suas obras têm a fama de serem complexas, pelo fato de que geralmente o que ele exibe trata-se de um mundo onírico criado por ele e que aparentemente não tem sentido aos demais. Ele constrói em seus filmes uma rede idiossincrática que chega a dar dor de cabeça em quem se dispõe a analisá-los. Nesse livro, que foi lançado no Brasil para acompanhar sua vinda ao país em 2008, ele dá sua opinião sobre o rumo do cinema, fala sobre alguns de seus filmes de forma específica e direta e ainda dá dicas aos novos cineastas que assim como ele começaram apenas com a vontade de filmar. Sendo que no caso dele, seu desejo inicial de ser pintor evoluiu para um desejo de colocar suas pinturas (e idéias) em movimento, algo que o cinema o permitia.

Quem acha que Lynch é reservado demais, mudará de opinião ao ler esse relato, pois ele conta muito de sua vida pessoal, seus pensamentos às vezes infantis, e até sua reação diante das novas descobertas. Ele não é alguém que esteja fadado ao passado. Ele conta como às vezes é obrigado a aderir novas tecnologias, como a filmagem digital por exemplo, e como isso pode trazer benefício. Fala também sobre seus diretores favoritos, entre eles Billy Wilder, Hitchcock, Fellini e Kubrick. Conhecemos também seu lado artístico multifacetado, já que Lynch é cineasta, músico, pintor, desenhista e ainda arrisca-se como escritor.

Entre seus principais filmes podemos listar Eraserhead, O Homem Elefante, Veludo Azul, Coração Selvagem, A Estrada Perdida, História Real, Cidade dos Sonhos e Império dos Sonhos. Foi também criador das séries Rabbits e Twin Peaks, seu maior sucesso, que também gerou um filme complementativo. Na pintura há vários quadros de sua autoria, e como desenhista seu maior destaque vai para a tirinha O Cão Mais Raivoso do Mundo, que foi publicada por mais de nove anos nos jornais L.A. Weekly e Baltimore Sun. Na música, algo de extrema importância nos seus filmes, ele cria a maioria de suas trilhas sonoras acompanhado de seu eterno parceiro Angelo Badalamenti, porém recentemente está lançando um álbum experimental de pop eletrônico, chamado Good Day Today/I Know, onde David canta frase dispersas em uma voz distorcida. Ainda na música ele colaborou recentemente com a banda Danger Mouse & Sparklehorse em seu álbum Dark Night of the Soul.

Esse livro em questão é pautado em capítulos muito curtos que não seguem nem uma ordem cronológica nem linearidade, segue à vontade do autor de escrever sobre o que quer na hora que achar conveniente. Geralmente é assim que ele faz seus filmes, como é o caso de Império dos Sonhos, que foi feito sem roteiro, onde ele fazia cada cena um pouco antes de filmar, e enquanto filmava uma ia pensando no que fazer na cena seguinte, e o resultado parece ter dado certo. O livro é ainda uma porta para a compreensão da visão pessoal desse cineasta. Um relato único e fundamental aos seus fãs e amantes do cinema produzido por ele. Ainda que os ensinamentos de Lynch possam ser usados por qualquer um em diversos setores da vida pessoal. Recomendo!

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2 comentários

    • Pois é, Sérgio…
      David Lynch é sempre muito bom! hehehe
      Se bem que sou suspeito para falar!
      Muito obrigado!

      Abraços!

      Curtir

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