O Alienista Caçador de Mutantes

O Alienista pode é não ser considerado a melhor obra de Machado de Assis, mas é de longe uma das mais populares, se não a mais. A contar-se pelas suas diversas adaptações tanto para o cinema, teatro, quadrinhos e para a própria literatura. E uma dessas adaptações (nesse caso a literária) é assinada por Natália Klein, com o título de O Alienista Caçador de Mutantes (2010). Essa é uma versão modernizada e fantástica da novela realista de Machado de Assis. Com um humor exagerado o livro se torna mais uma paródia do que propriamente uma adaptação. É impossível não rir de muitas das piadas da autora, mesmo algumas bem infames.

Logicamente para entender as piadas é necessário conhecer a obra original. O Alienista conta a história de um médico psiquiatra, Simão Bacamarte, que cria um hospício em Itaguaí e interna nele qualquer pessoa que apresente um comportamento estranho, isso para resumir ao máximo. Nessa nova versão tudo começa com a queda de uma espaçonave que trás consigo um vírus que causa mutação nas pessoas. Simão é um médico infectologista que passa a estudar genética humana em busca de uma cura. Ele cria então a Casa Verde, onde interna esses mutantes, algo que funciona mais como o Instituto Xavier de X-Men.

Há muitos elementos da cultura pop que tornam a paródia mais engraçada, mesmo que esses elementos sejam clichês dos filmes de besteirol americano tipo Todo Mundo em Pânico. E isso é proposital, não é erro da autora, pois é exatamente essa a proposta do livro. Há referências a Star Wars; Twitter; Alf, O ETeimoso; Michael Jackson; Wolverine e outros. Mas isso de forma alguma modifica a essência da história original. Só mudam o tempo, que de passado vira presente, e o tom, que de realista vira comédia fantástica. A linguagem, o enredo, a mensagem e até alguns diálogos permanecem intactos e é isso que torna a paródia mais interessante ainda.

Voltando um pouco ainda às mudanças de Natália, que é também redatora de humor da TV Globo. Simão Bacamarte possui um comportamento masculino muito duvidoso e é apaixonado na verdade por seu amigo Crispim, o farmacêutico, mas nutre também certa admiração pelo nariz fálico de Alf. Nisso, acontecem os mesmo fatos da obra original, há uma revolta liderada pelo barbeiro, onde tomam o poder da Câmara Municipal, depois Simão Muda sua teoria e resolve prender aqueles que não têm habilidade mutante, até culminar em um final igualmente surpreendente ao texto original, ainda que de forma distinta.

O livro é divertido, curioso e interessante, ainda mais pra quem é fã da obra e de Machado de Assis. Funciona como objeto de colecionador até. Por falar em coleção, O Alienista Caçador de Mutantes (Lua de Papel, 128 pág.) faz parte de uma coleção de adaptações de clássicos da editora que o publicou. Esta coleção conta com os títulos A Escrava Isaura e O Vampiro; Senhora, A Bruxa; Dom Casmurro e Os Discos Voadores e Jane Austen, A Vampira. Essa série entra na nova onda de adaptação de clássicos para fantasia, que antes desses já contava com os títulos Orgulho e Preconceito e Zumbis e Abraham Lincoln, Caçador de Vampiros. Para os leitores mais classicistas isso é uma afronta, para aqueles mais mente aberta é uma novidade muito divertida! Vale a pena dar uma conferida.

OBS: O Alienista Caçador de Mutantes é uma cortesia da editora Lua Papel (do Grupo LeYa) para ser sorteado no Clube de Leitura: O Alienista que acontecerá amanhã.

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