Assalto ao Banco Central (2011)

No dia 06 de agosto de 2005 a cidade de Fortaleza, Ceará, entra para a história por ter sido vítima de um dos maiores assaltos a banco do mundo! Uma quadrilha de ladrões maquina o plano perfeito que demorou cerca de 3 meses para ser executado, excetue aqui o planejamento antecedente. A grandiosidade do crime está não apenas no valor roubado, 164,7 milhões de reais, mas também no fato do caso nunca ter tido solução. Eis que agora chega aos cinemas, Assalto ao Banco Central, a versão cinematográfica desse grandioso roubo, pela visão do diretor iniciante Marcos Paulo. Fiquei meio ressabiado de assistir o filme no início, porém a escolha valeu a pena, apesar de que o filme tenha apresentado alguns deslizes.

Liderados pelo Barão (Milhem Cortaz), o grupo cava um túnel de aproximadamente 78 metros, partindo de uma casinha [que hoje virou ponto turístico] até o cofre do banco. Uma ação estratégica, sem tiros ou qualquer tipo de violência. O filme é montado sem linearidade cronológica, intercalando o antes e o depois, mas sem comprometer o entendimento da narrativa. A meu ver quebrou certa tensão e parte do suspense, se era pra ter, algo difícil de obter quando a história é real e todos já sabem do final. O trabalho do diretor foi contar a sua versão de algo que ele sequer participou [que eu saiba], ou seja, nada garante fidedignidade, mas é uma boa forma de tentar explicar o caso e cabe direitinho no que se sabe de fato.

O Barão é o todo poderoso, típico chefão da máfia, que tem as maiores influências, conhece todo mundo e sabe de tudo o que acontece e vai acontecer, é do tipo que tem todos os passos friamente calculados. Tem um caso com Carla (Hermila Guedes), a única mulher da “parada”, que por sua vez flerta com o Mineiro (Eriberto Leão), um ex-detento recém liberto que faz as vezes do galã bonitão. Do lado investigativo está o delegado Chico Amorim (Lima Duarte) e a investigadora de comportamento sexual suspeito, Telma Monterio (Giulia Gam). Logo de início sabemos que a maioria do bando está detida, diga-se pelos depoimentos que se intercalam com as cenas de planejamento do assalto.

O desfecho todo mundo já sabe, mas para quem não conhece o caso e vai ficar sabendo através do filme não irei soltar o spoiler, afinal o filme não é só isso tudo que falei. Tem umas pequenas, mínimas mesmo, reviravoltas que infelizmente não surpreendem, mas que complementam o desenrolar do filme. A tensão e seriedade, comuns nos filmes policiais, são quebradas na maior parte do tempo por piadas gratuitas e frases de efeitos proferidas por personagens caricaturados tipicamente pelo modo cinematograficamente brasileiro de fazer comédia. Talvez pensem que personagens caricatos seja a única forma de segurar o filme, e nesse caso até funciona, mas é que as vezes fica enjoativo, quando na verdade se espera outra coisa.

O roteiro é assinado por Renê Belmonte, que aproveitou a ocasião do lançamento do filme para lançar também a versão romanceada em livro do assalto. Assim como aconteceu com outros filmes nacionais, esse provavelmente já deve está ocupando as vitrines de muitas livrarias Brasil a fora. Lançado pela editora Agir, o livro recebeu também a co-autoria do policial federal J. Monteiro. Assalto ao Banco Central, assim como o Tropa de Elite, poderá agradar a uns e a outros não. Definir quem fica com cada opinião só assistindo mesmo.

Título / Título original: Assalto ao Banco Central
Direção: Marcos Paulo
Roteiro: Renê Belmonte
Gênero: Policial
País: Brasil
Ano: 2011
Duração: 104 min.

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7 comentários

  1. Faz tempo que não vejo um filme nacional. O último foi BRUNA SURFISTINHA, que achei mediano, embora nunca tenha lido (e nem vou ler) o livro. Quanto a esse, resenhado pelo dono deste blog, acho a temática interessante, muito embora duvide um pouco da capacidade dos diretores brasileiros de fazerem um thriller policial ao estilo americano. Damesma forma que o autor da resenha, também tenho um pé atrás com filmes atuais do nosso cinema, pois os clichês são tantos que tornam qualquer filme cansativo e esperado. Isso sem contar no desgaste da imagem dos atores, causado pela hiperexposição na tv.
    De qualquer maneira, acho interessante acompanhar nosso cinema, ver alguns filmes e analisar os motivos que impedem que tenhamos filmes tão bons quanto a Argentina, por exemplo.
    PARABÉNS PELA RESENHA, COMO SEMPRE ÚTIL E EFICAZ.

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  2. Ei Ademar,
    Muito legal o seu blog, este filme eu ainda não assisti, mas pretendo ir em breve. Preferi ver antes as comedias, amei Qualquer gato vira-lita e achei Cilada.com meio besteirol, mas deu para divertir rs.

    bjo
    Nanda

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  3. Amigo, grato pelo puxão de orelha no meu blog, estou sumidasso em todos os espaços, falta de tempo, excesso de trabalho, essas coisas.

    Vim em boa hora, para comprovar o sempre talentoso detalhamento que o amigo faz de livros e filmes, colocando-nos praticamente dentro dos enredos, sem dar spoilers desnecessários!

    O amigo tem o dom!

    Quanto ao filme, provavelmente assistirei, quero ver com meus próprios olhos como a diretor se saiu, venho acompanhando seus últimos passos, tanto na vida profissional como pessoal, e quero ver esse resultado.

    Estou deixando marcada a opção para ser notificado via e-mail dos novos artigos do seu blog, mas em todo o caso, pode me enviar que repasso para a galera: jgcosta@ymail.com

    Abraços, por enquanto meu amigo!

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  4. Acho que os meios de comunicação, se por um lado nos mostram os acontecimentos que nos servem até como alerta sobre os problemas que infelizmente assolam a sociedade, por outro lado fazem uma verdadeira apologia ao crime. Vejo assim: enquanto chamarmos os bandidos de espertos, de alta periculosidade, o que comanda determinada área, “o cara”, estamos dando status ao bandido e os da geração logo abaixo, querem de qualquer maneira atingir o ponto glorioso do mundo deles. Esse filme irá enobrecer os idealizadores do assalto. O bandidinho dirá: – Um dia eu serei igual ao fulano (bandidão), farei um assalto que irá sacudir a sociedade, nem que para isso eu morra. Quro ver minha cara na primeira página, vou sair no Fantástico, e dirão: – Foi uma jogada inteligente! Bandido tem de ser chamado de otário, nojento, coitado, infeliz… O nome certo aos bois. Meu abraço.

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  5. Sinceramente, não ponho fé nesse filme. Ainda ontem tava conversando sobre ele com o Mailson. Não me agrada o diretor e nem o elenco escolhido. Vi um trecho em que Eriberto Leão aparecia com os mesmos tiques que faz na novela das nove. Acho ele um dos atores mais limitados até pra televisão, imagine pra cinema. Aliás, só o que há são atores globais querendo fazer filme igual atuam em novela.

    Por fim, errr, a direção é do Marcos Paulo. Minha pouca experiência me faz ter um profundo preconceito com diretores de televisão brasileiros que se metem a fazer filmes. Sai praticamente um capítulo de novela ou uma imitação barata de filmes americanos.

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    • Oi Cássia,
      Eu até que tava curioso pra assistir, mas era mais para saber do fato mesmo! Eu não fui muito atrás de saber quando aconteceu, dai acho que o filme serviu pra me tirar da ignorância de um acontecimento tão próximo!
      O Elenco é realmente limitado a personagens novelísticos, mas devo dizer que gostei muito da personagem e da atuação da Giulia Gam!
      Eu me diverti com algumas das piadinhas típicas, mas de fato o Marcos Paulo desliza muito em detalhes!

      Obrigado por sua opinião, sempre pertinente!

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