Anaíd e o Clã da Loba

Em meio a essa enxurrada de romances de fantasia moderninhos que têm surgido ultimamente, eis que aparecem, vez ou outra, obras que não só encantam mas também surpreendem. A série A Guerra das Bruxas da espanhola Maite Carranza, que está sendo lançada aqui no Brasil pela editora Mundo Editorial, não só se encaixa no enunciado anterior, como também está na lista dos dez melhores livros que já li esse ano. Anaíd e o Clã da Loba, primeiro volume da trilogia, traz uma narrativa introdutória limpa, concisa e cativante. Desde J. K. Rowling não surgia uma série sobre bruxas tão inventiva e ao mesmo tempo com uma abordagem tão distinta.

O enredo da história é sustentado por uma profecia que vem de tempos remotos, onde duas grandes linhagens de bruxas vivem em constante disputa. De um lado os clãs das bruxas Omar e do outro as sanguinárias Odish. Enquanto as Omar são férteis, mortais e possuem certo vínculo com a natureza, as Odish são estéreis, imortais e muito poderosas. Segundo a tal profecia uma eleita surgiria, juntamente com o alinhamento dos planetas para por um fim à disputa entre as duas linhagens, permitindo assim reinar a paz.

Não há um indicativo de que a vitória seria das Omar, já que a eleita, mesmo sendo dessa linhagem, está sujeita à corrupção, podendo se submeter aos desejos das Odish. Esse é um ponto interessante do livro, que é pautado por várias profecias, tratados e registros antigos acerca do fenômeno que está se aproximando, colocando como possíveis ambas as hipóteses.

Anaíd, nossa protagonista, não passa de uma mosca morta que não desperta a atenção de ninguém. Tem uma aparência estranha e é motivo de chacota entre seus colegas de escola. Apesar disso é filha de Selene, a raiva mais bela, que todos acreditam ser a escolhida da profecia. O conflito começa quando Selene some sem deixar vestígios nem explicações. Aí Anaíd e sua tia Criselda são colocadas diante de uma situação delicada, já que são as únicas da família. Anaíd se determina a encontrar sua mãe e nisso acaba descobrindo ser também uma bruxa, com boas aptidões por sinal e assim começa sua primeira aventura de verdade.

O universo fictício criado pela autora é fantástico, principalmente no que diz respeito à linhagem das Omar. Cada clã é regido pela proteção de um animal, que se inserem nos quatro elementos: terra, água, fogo e vento. Nesse primeiro volume os principais clãs são os das Lobas (ao qual pertence Anaíd), dos Golfinhos, das Gralhas e das Serpentes. Esse vínculo com a natureza nos remete à origem do mito das bruxas. E com isso a autora recupera um pouco essa essência que vem sendo perdida não apenas com as bruxas, mas com a maioria dos seres mitológicos.

Também de autoria de Maite Carranza, já foi lançado aqui no Brasil o livro Palavras Envenenadas pela editora Novo Conceito. Embora nesse outro título traga uma abordagem bem diferente dessa trilogia em questão. Pois trata-se de um romance psicológico sobre abuso sexual e perda de dignidade.

Em suma, Maite escreve uma história muito bem construída, e nos apresenta isso de forma direta, sem detalhamentos desnecessários. A narrativa é leve, coesa e enxuta, sendo praticamente impossível parar de ler. Sem falar que o trabalho de edição do livro está impecável. O segundo volume, Anaíd e o Deserto de Gelo também já foi lançando por aqui, faltando apenas o último La Maldición de Odi (ainda sem tradução). Super recomendado!

Título / Título original: Anaíd e o Clã da Loba / El Clan de la Loba
Série: A Guerra das Bruxas, volume 01
Autor(a): Maite Carranza
Editora: Mundo Editorial
Tradução: Rodrigo Peixoto
Edição: 2009 (1ª)
Ano da obra / Copyright: 2005
Páginas: 352

Onde comprar:
Submarino | Saraiva | Cultura

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9 comentários

  1. Sua resenha me deixou a impressão de que esse livro consegue recuperar o antigo encanto das bruxas, como as da Brumas de Avalon.

    Já tinha lido algumas resenhas sobre esse livro, mas só agora senti vontade de ler.

    Parabéns pela resenha.

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    • Olá Enio,
      Ano passado eu comprei as Brumas de Avalon, mas ainda não li. Tentarei ler o primeiro em breve, mas se Marion fizer com as bruxas o mesmo que Maite Carranza fez, vou amar de cara!

      Fico feliz que tenha gostado da resenha!
      Abraços!

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  2. Sinceramente, quando esse livro lançou aqui no Brasil, não me interessei muito. Então, lançaram a continuação dele, e eu pensei “Se lançaram a continuação, deve ser que o pessoal gostou.”. Mas, mesmo assim, eu não o coloquei em minha lista de “desejados”. E agora lendo na sua resenha, que este livro é um dos melhores do ano, percebo que julguei Anaíd e o Clã da Loba muito mal. Irei dar uma pesquisada sobre ele, e quem sabe comprá-lo.
    Parabéns pela resenha! =)

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    • Oi Bruno,
      Eu fiquei curioso pra ler esse título por causa do título, pois sou apaixonado por lobos. Mas lendo ele me surpreendi porque o livro é excelente e nem foca muito nos tais lobos!

      A capa também não é lá essas coisas, mas a edição interna do livro é belíssima, eu acredito que você vá gostar muito!
      Abraços!

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  4. Ainda tenho que ler esse primeiro livro da saga, que parece ser tão bom ou até melhor que o segundo volume. Sua resenha ficou muito boa, gostei bastante. Posso ver que esse livro esclarece muitas das coisas que me causaram dúvida na sequência ( nada que prejudique a leitura, mas que acrescentam informações sobre como os clãs são organizados etc ). A escrita da Maite é impressionante e o modo como ela trás várias lendas de diversas mitologias para a mesma história é surpreedente e super interessante. Ela enriquece o mito dela de uma forma que o leitor espera, maravilhado, por mais detalhes, mais contos, sobre a origem das bruxas ou os deuses que elas seguem. É espetacular, nada menos que espetacular.

    Abraços,

    Victor

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    • Victor,
      O livro é bem introdutório mesmo! Eu li sua resenha do segundo volume e me deixou ainda mais curioso pra ler!
      Eu também adorei a escrita da Maite, e pode aguardar novidades relacionadas a ela aqui no blog!

      Muito obrigado pelo comentário!
      Abraços

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  5. Aí é que tá; Será que esse também não é um desses romances moderninhos camuflados? O livro é bem planejado, desses que você não consegue largar a leitura.

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