A Janela de Overton, de Glenn Beck

Mesmo 10 anos após o malfadado acontecido ao Wolrd Trade Center, em 11 de Setembro de 2001, as pessoas se enveredam por múltiplas discussões a respeito desse episódio. Dentre tantas discussões é possível visualizar dois lados que se chocam em linha de frente: os que acreditam de fato no que é contado e os que acreditam no lado conspiratório da coisa. Entenda esse segundo grupo como defensores de uma teoria em que um governo causa um dano a si mesmo, para simular um ato belicoso com determinado propósito. Embora não se concentre apenas nisso, este é um dos pontos mais focados pelo ex-apresentador de TV Glenn Beck, em seu best-seller intitulado A Janela de Overton.

O autor nos insere no mundo das relações públicas. Nesse ambiente de interesses e manipulações eis que vive Noah Gardner, nosso protagonista, sob a asa do império quase indestrutível construído por seu pai. No entanto Noah parece esbanjar talento e inteligência, carregando também um histórico não muito afetuoso com seu progenitor, que o vê com despreparo e certo desprezo. Aquela velha história de que o filho está longe de se tornar a cópia perfeita que o irá substituir.

É então que Molly Ross, uma revolucionária, entra na parada e avassala o coração do rapaz. Em situação diferente Noah jamais se envolveria em um grupo revoltoso que vai contra os ofícios exercidos pela empresa do seu pai, que é praticamente responsável pela opinião das pessoas. Contudo, essa paixão o levará por um caminho em que o colocará em dúvida a respeito do que ele vinha pesando sobre seu país e seu próprio modo de viver. São impasses que vez ou outra nos deixam numa berlinda. Noah tem duas opções: viver no seu conforto sem se preocupar com absolutamente nada ou mudar o rumo de uma manipulação conspiratória de cobertura mundial.

Apesar de críticas bem divididas, esse thriller político tem algumas ressalvas que merecem ser explicitadas. Uma delas é que simplesmente não há quase nenhum suspense. O que segura a leitura até o fim são os personagens, alguns cativantes e outros nem tanto. O destaque maior fica com Molly Ross, a típica mulher bem resolvida que sabe o que quer e que faz o que lhe cabe para conseguir. Seu momento máximo é quando sua índole é colocada a prova diante do cara que ela está afim, e até isso fica em questão. No entanto o autor se concentra mais no âmbito ideológico da coisa, pecando nisso também. Falta ação, contribuição para o gênero e inovação. Uma das cenas mais inconsistentes é quando Molly, a pedido de Noah, se disfarça de Natalie Portman para burlar a rígida fiscalização em um embarque aéreo. É uma coisa meio surreal, quase cômica demais. O final do livro é vago demais também.

O livro é construído em cima da teoria Janela de Overton, idealizada por Joseph P. Overton, onde a opinião da massa é manipulada para acreditar em algo em detrimento a outro acontecimento importante. Isso seria feito por meio de um grupo de pensadores, através do pessoal das relações públicas. Diante dessa óptica o atentado do 11 de Setembro seria uma forma do governo de tirar a atenção das pessoas de um outro fato que colocaria em jogos aqueles poucos que detém as grandes quantias.

A pesquisa de construção do livro é extensa e interessante. Para os amantes dessas teorias conspiratórias esse é um prato cheio, ainda mais porque a maioria das referências é apresentada ao final do livro. Aos demais acho que não agradaria muito, exceto àquelas que gostam desse tema político no modelo americano. A título de conhecimento a respeito da conspiração, vale conhecer.

Título / Título original: A Janela de Overton / The Overton Window
Autor(a): Glenn Beck
Editora: Novo Conceito
Tradução: Renato Marques de Oliveira
Edição: 2011 (1ª)
Ano da obra / Copyright: 2010
Páginas: 384

Onde comprar:
Submarino | Saraiva | Cultura

5 comentários

  1. Mesmo sem saber do que se trata este livro, ele nunca me chamou a atenção. Após ler esta resenha percebo que, definitivamente, não me agrada.
    Adoro as resenhas do Ademar por isso: deixam claro de que se trata o livro, fazendo com que você se identifique/ou não com a obra.
    Nunca me decepcionei quanto as indicações do Ademar.

    Bom, excelente texto! ;D

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  2. Como sempre Ademar fazendo críticas excelentes sobre livros pouco conhecidos. Parabéns pelo blog, espero que você continue com esses posts maravilhosos. Abraços, te cuida!

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  3. Sinceramente acho que ninguém saiba ser tão polêmico e inventivo nessa questão de teorias de conspiração quanto o Dan Brown, os outros, infelizmente tentam copiá-lo e acabam por cair em clichês e maçadas, mas não gosto de julgar antes de ler.
    Sobre a temática do livro em específico, acho bem possível que o ataque tenha sido forjado…falando sério, que ser humano consegue fugir da maior potência em espionagem e monitoramento espacial do mundo por mais de dez anos? e ainda ser morto justamente a tempo de salvar a imagem de um presidente que estava caindo em desgraça popular para alavancar futuras eleições? Timing exato…
    Além do mais não seria a primeira vez, sempre correram boatos de que os EUA bombardearam seus próprios navios mercantes(com cargas irrisórias, claro) como “desculpa” para entrar na Primeira Guerra Mundial.
    haha! Sinto estar me estendendo…assim que tiver oportunidade de ler o livro, volto a postar.

    P.S. Excelente resenha

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  4. Pois eu sou um amante de histórias sobre teorias conspiratórias, e agora sim eu to com mais vontade de ler esse livro!Eu nunca tinha visto um livro que trate especificamente sobre o 11 de setembro, e isso é outro motivo que vai me fazer arranjar alguma maneira de comprar A Janela de Overton. A propósito, ótima resenha, mano!
    abraço!

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