Tarântula, de Thierry Jonquet

Como que cinco personagens completamente diferentes foram parar unidos na mesma teia? Essa é a pergunta-chave para quem quer conhecer a verdadeira estória de Tarântula. Dividido em três partes, o livro é fácil de ser lido, no entanto, os três primeiros capítulos devem ser superados, pois somente após eles é que se começa a sentir um pouco de interesse e, porque não, paixão pela estória.

Primeiro somos apresentados a Richard Lafargue, um renomado cirurgião plástico, e sua belíssima esposa, Ève. Será mesmo esposa? Porque ela permite que ele a trate como sua escrava, mantendo-a a mercê de seus caprichos mais imundos? Ele tem seus motivos para tratá-la como tal, e ela, por amá-lo (será mesmo?) aceita tal condição de vida. Os maus tratos vêm sempre que Viviane, uma doente mental sofre uma crise, provocando automutilação.

Os outros dois personagens, Vincent Moreau e Alex Barny, são dois bandidos que desejam apenas seguir sua vida. O primeiro é apresentado ao leitor já como um prisioneiro de Tarântula, nome o qual ele (Vincent) denomina seu sequestrador. O segundo encontra-se escondido da policia, pois acaba de realizar um roubo e matar um policial. Um erro do passado dos dois os unirá aos personagens citados anteriormente, desvendando que cada um não é apenas o que parece ser.

Não cheguei a classificar a história como “horror”, mas posso afirmar que ela é angustiante. Tudo que você imagina para o personagem é desconstruído com o passar da leitura, sendo tudo atribuído a outros. Não é difícil imaginar quem é Tarântula, mas sim descobrir os motivos que o levam aos atos, se ódio, medo, loucura ou apenas perversão.

Algumas características da escrita de Thierry Jonquet me chamaram muito a atenção, como nos momentos em que o narrador se dirige ao seu interlocutor, quando Vincent está preso “na teia” de Tarântula. Este simples detalhe entrega toda a responsabilidade de contar as terríveis sensações vividas pelo personagem (que assim fica mais próximo) para o leitor, tornando o próximo momento o mais angustiado.

Para quem gosta de um verdadeiro suspense, e de uma história bem contada, embora maçante no início, este é o livro indicado. Tornou-se um dos meus favoritos, pois conseguiu me surpreender mais de uma vez. Este livro foi adaptado para o cinema pelo consagrado Pedro Almodóvar, no longa A Pele que Habito (La Piel que Habito, 2011).

Título / Título original: Tarântula / Mygale
Autor(a): Thierry Jonquet
Editora: Record
Tradução: André Telles
Edição: 2011 (1ª)
Ano da obra / Copyright: 1984
Páginas: 160

Onde comprar:
Submarino | Saraiva | Cultura

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by José Mailson
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8 comentários

  1. Que livro mais tenso!

    Acho que vou assistir ao filme primeiro (pois este está mais acessivel a mim nesse momento), embora a grande maioria dos filmes nem se comparem com os livros.
    Suas assertivas, Mailson, tornaram a história bem atraente. Você é um excelente resenhista, e pelo visto capta muito bem a essência das obras. Parabéns!

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    • O Livro é bem tenso mesmo, Júnior.
      Que bom que gosta das minhas resenhas, eu me esforço ao máximo para não decepcionar os leitores.

      Obrigado pelos comentários e elogios!

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    • *-* Que bom que leu! 😀
      E sim, o livro é muito bom. Mas acredito que, nesse caso, o livro e o filme se complementam. Vale a pena ler! ^^
      Beijos!

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