O Pianista, de Władysław Szpilman

“Não consigo atinar com o que aconteceu com os alemães…
 eles sempre foram tão musicais!”
(Wladyslaw Szpilman)

Falar da Segunda Guerra não é algo tão simples quanto muitos acreditam que seja. Transmitir para o papel sensações como fome, dor, desespero, saudade, entre outros sentimentos é algo bastante complexo, mas nada como alguém que os viveu para contar com tamanha maestria. E foi isso que Wladyslaw Szpilman fez, ele colocou seus sentimentos num papel e com isso pode levar o leitor a sentir-se na guerra.

O Pianista narra, através de Szpilman, a triste realidade do gueto de Varsóvia. A história é contada com tamanha verossimilhança – já que são fatos do próprio Wladyslaw Szpilman – que deixa o leitor chocado a cada acontecimento. Os fatos são contados de forma crua e sem rodeios, onde os pormenores da guerra são descritos sobre a ótica de um homem comum, artista e apenas mais um entre os muitos judeus perseguidos.

A narrativa é de uma frieza admiradora, pois Wladyslaw permanece tão consciente a ponto de perceber as nuances de uma sociedade humilhada e que, mesmo assim, continuava atuando da mesma forma, com todas as regras e suas fraudes de uma sociedade comum. E foi com essa consciência e angústia que Szpilman encarou o medo do inesperado e sobreviveu milagrosamente nas ruínas de Varsóvia até os soviéticos libertarem a cidade.

 Fui capaz de terminar o livro em uma noite, apenas para que eu pudesse dar fim nas perseguições e angustias dos judeus e, principalmente, do Wladyslaw. Já li alguns livros ambientados na Segunda Guerra, mas nenhum me colocou cara à cara com realidade daqueles tempos.

O tema central dessa obra é, sem dúvidas, o amor. Seja esse amor pela família, música ou vida, o personagem o fez permanecer vivo até o fim, pois só com ele seria capaz de vencer o desespero, o medo e a desesperança que ousavam se aproximar dele a cada instante.

No fim do livro existe um apêndice com algumas páginas do diário do soldado alemão, Wilm Hosenfeld, onde mostra seu grande senso humanitário, provando que nem todos os alemães eram iguais. Hosenfeld foi o soldado responsável pela sobrevivência do Szpilman nos últimos dias da guerra.

Essa autobiografia é considerada um documento importantíssimo para a história, e foi por esse motivo, também, que Roman Polanski adaptou dignamente essa história para o cinema. Sem dúvida foi uma das melhores adaptações já feitas, e que eu assisti. Se aprende muito com ambas as mídias, pois a linguagem é magnífica. Recomendo a todos que gostam de história, principalmente, da Segunda Guerra e para aqueles que não gostam também, pois é uma boa oportunidade de saber dos acontecimentos por quem realmente os viveu. E lembrem-se, o nó na garganta é inevitável!

Título / Título original: O Pianista / Śmierć Miasta
Autor(a): Władysław Szpilman
Editora: Edições BestBolso
Tradução: Tomasz Barcinski
Edição: 2008 (1ª)
Ano da obra / Copyright: 1998
Páginas: 224

Onde comprar:
Submarino | Saraiva | Cultura

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by José Mailson
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4 comentários

  1. O Pianista é um dos meus filmes favoritos! Adoro romances históricos, em especial os ambientados na época da Segunda Guerra( Reparação, A Menina que Roubava Livros, O Menino do Pijama Listrado, O Buraco da Agulha e A Chave de Sarah são os meus favoritos!) Ainda não li nenhum relato biográfico da época, nem mesmo o famoso Diário de Anne Frank. Preciso ler este livro Władysław Szpilman. Adorei a resenha! Parabéns!
    Abraços,

    Alysson

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