Um Bonde Chamado Desejo, de Tennessee Williams

Há algum tempo atrás, conversando com uma amiga eu tomei conhecimento sobre essa maravilhosa obra-prima. No entanto, nunca havia tido a oportunidade de lê-la. Um belo dia, num “livro secreto”, o meu presente foi este livro do qual falo, o qual passou imediatamente a ser um dos livros mais ansiados a ler. Não perdi tempo, li-o no dia seguinte, num único gole – como diz um colega.

Tennessee Williams tem uma escrita de fácil leitura embora possua um refinamento encantador, o que torna fácil reconhecer o caráter das personagens. Sua escrita contribuiu para as adaptações de suas peças ao cinema. Um Bonde Chamado Desejo é um dos mais famosos, pois trás junto consigo a imagem do Marlon Brando, em uma belíssima atuação. O autor ainda é conhecido por obras como Uma Rua Chamada Pecado, A Rosa Tatuada e Gata em Teto de Zinco Quente, junto com suas adaptações cinematográficas.

Essa peça, que rendeu a Williams o Prêmio Pulitzer em 1947, traz a historia de Blanche DuBois, uma professora que decide passar uns dias com sua irmã, Stella, que por sua vez é casada com Stanley Kowalski, um militar polonês. Embora aparentemente simples, a história não se resume ao que é contado. De família rica e educada, Blanche se espanta ao perceber que Stanley não é nada daquilo que sua irmã aparentemente merece. Mas a relação do casal não se deixa influenciar por isso.

Para chegar à casa de Stella, que está grávida, Blanche precisa pegar o bonde chamado Desejo (Desire, uma rua de New Orleans), uma clara alusão ao seu percurso na história. O local onde a peça se passa é de extrema importância – o minúsculo apartamento do casal –, pois a falta de espaço acelera e intensifica os confrontos. O choque de culturas entre a aristocrática Blanche, vinda dos EUA, com o cunhado grosseirão, vindo da Polônia, é o que dá vida à toda a peça, sendo Stella a responsável pelo ponto de equilíbrio entre personalidades tão opostas. Com a convivência cada vez mais difícil, as relações vão se estreitando até que revelações sobre a vida pregressa de Blanche trazidas a tona gera o clímax da história.

Pela época em que a peça foi escrita (final da década de 1940 – pós-guerra) podemos observar algumas mudanças de valores, onde as cenas se tornam mais musicais (e porque não dizer eróticas) representadas principalmente pela trilha sonora efervescente de jazz e blues. Foi por causa dessa musicalidade, que eu considero erótica, que num dos meus delírios acabei fazendo comparações entre Tennessee Williams e Nelson Rodrigues. Assim, percebi que ambos escrevem sobre conflitos pessoal e familiar, sobre o desejo sexual – onde neste livro é visto principalmente nas personagens Blanche e Stella –, a forma de vida mundana, sem preocupação com o que vizinhos ou quaisquer pessoas possam estar pensando, dentre outros detalhes menos significativos.

Não sei dizer se foi um ato de xenofobia ou não, mas é algo a se pensar. Porque será que há apenas um personagem negro com nome (Pablo, parceiro de carteado de Stanley), já que a vizinha negra é chamada de “Mulher Negra”, a vendedora de flores, de “Mexicana”? É uma peça belíssima e que merece ser lida. Recomendo muito.

Título / Título original: Um Bonde Chamado Desejo / A Streetcar Named Desire
Autor(a): Tennessee Williams
Editora: L&PM Pocket
Tradução: Beatriz Viégas-Faria
Edição: 2008 (1ª)
Ano da obra / Copyright: 1947
Páginas: 160

Onde comprar:
Submarino | Saraiva | Cultura

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by José Mailson
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