Jake & Mimi, de Frank Baldwin

Jake & Mimi

Agora estou sentada em um café pensando em Jake Teller. No que ele faz com as mulheres. No que ele fez com Anne e eu escutei, a três metros de distância. Uma parte de mim nem consegue imaginar. Amarrada. Indefesa. E uma parte não consegue pensar em outra coisa.”

Frank Baldwin, Jake & Mimi, p.121.

Para quem gosta de erotismo, suspense, personagens que transitam entre os seus desejos inconfessáveis e a realidade indizível, esse é um “prato cheio”. Jake Teller é um homem de trinta e poucos anos, sedutor e frio, que vive para o momento mais especial da sua vida: o prazer gerado pela dor e medo que ele causa nas mulheres, o qual ele chama de “limite”. Mimi Lessing é uma mulher doce e bela, além de competente e dedicada no seu trabalho. Ela é noiva de Mark, com o qual se casará em duas semanas. Ainda há um terceiro personagem, uma espécie de voyeur, o qual é peça fundamental para o desfecho da trama. Este último se utiliza de todos os meios possíveis para tomar conhecimento de tudo que diz respeito à Mimi.

Seguindo a mesma linha da aclamada série Cinquenta Tons, de Erika Leonard James (ou apenas E. L. James), Jake & Mimi foi escrita por um homem e publicada em uma época onde esse tipo de literatura não era apreciada (ou ao menos divulgada de forma positiva). Mesmo assim, Frank Baldwin criou um romance extremamente envolvente, que nos proporciona, antes de tudo, o prazer na leitura. O livro é super denso, nos mantendo boa parte da narrativa com a respiração suspensa quando descreve cada detalhe, cada passo dos grandes momentos de Jake Teller. Isso se dá desde os primeiros capítulos quando ele encontra (e seduz) sua grande paixão de adolescência. O autor nos presenteia com jogos cada vez mais pesados e perigosos, incrivelmente descritos, nos mostrando que os limites não existem, mesmo para aqueles que os criam.

A forma como Mimi conhece os desejos de Jake é um tanto quanto comum: “uma amiga tece comentários sobre uma pessoa, e automaticamente você começa a ter curiosidades sobre esta”. No entanto, no caso específico de Mimi, a curiosidade/atração foi pelo “perigo”, já que uma proximidade com Jake ocasionaria uma reviravolta na sua vida “certinha e planejada”. Mesmo assim ela toma a decisão de se envolver com Jake, mesmo que indiretamente, onde ela assumindo um papel de Voyeur nos seus encontros amorosos. Toda essa nova situação vivida por Mimi gera uma fúria no seu observador e admirador, que apenas no fim do livro demonstra sua raiva.

O livro trabalha muito bem temas como o masoquismo e a busca do novo, mostrando que pode sim haver beleza mesmo nesses atos de crueldade. Isso é observado através dos objetos utilizados por Jake como as fitas de ceda, velas, gelo, música clássica, entre outros. Assim, toda essa trama nos leva a pensar que devemos ter consciência do que estamos fazendo e até onde podemos ir, já que o perigo da entrega e da total confiança não é responsabilidade de uma só das partes.

A obra só peca em algumas repetições, tornando em alguns momentos a leitura cansativa e previsível; no entanto elas são necessárias para se compreender as ações de Jake, Mimi e, principalmente, do psicopata observador. Contudo fica a indagação: Jake é de fato ruim ou ele é apenas o resultado de uma sociedade medíocre e preconceituosa?

No fim de 2012 foi lançada uma reimpressão desse livro com um novo título: Algemas de Seda: A História de Jake e Mimi, inaugurando a coleção “Muito Prazer” da Geração Editorial.

OBS: Texto publicado originalmente no blog Coruja de Café, mas que não está mais disponível no mesmo.

Título / Título original: Jake & Mimi / Jake & Mimi
Autor(a): Frank Baldwin
Tradutor(a): Cláudia Dornelles
Editora: Geração Editorial
Edição: 2002 (1ª)
Ano da obra / Copyright: 2002
Páginas: 296

Onde comprar:
Submarino | Estante Virtual | Cultura

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by José Mailson
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18 comentários

  1. Esse parece ser mais interessante que 50 Tons.
    Já disse que não sou de ler romances policiais, mas esse parece valer a pena.

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    • Dan, ainda não li 50 tons, mas Jake & Mimi é muito interessante.
      Como você não gosta de romance policia, acredito que esse seria um excelente (e excitante) começo!
      Obrigado pelo comentário! 😀

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  2. Erotismo na literatura é algo que me encanta. Gosto desses personagens sem pudores, e a visão do Jake Teller sobre o tal “limite” me pareceu bem interessante.

    Mailson, eu estava conversando com o Ademar sobre as suas resenhas, e não posso deixar de comentar que seus textos estão cada vez melhores. Digo isso porque acompanho seus textos desde o inicio aqui no blog. Continue assim. Parabéns!

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    • Júnior Lustosa, se tem uma coisa que os personagens desse livro não tem são “pudores”. Mas embora este seja um livro cheio de erotismo, ele não é, em nenhum momento, um livro vulgar, que te faça sentir vergonha alheia. Vale a pena conferir!
      Obrigado pelo comentário, elogio e apoio. Isso me incentiva a continuar. *-*

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