A Maldição do Tigre, de Colleen Houck

A Maldição do Tigre

“Então este é o verdadeiro Ren. Mas não parece real. Ele se assemelha mais a um arcanjo caído na Terra. Eu estivera com Ren dia e noite pelas quatro últimas semanas, mas seu tempo como humano era uma fração tão pequena de cada dia que ele quase parecia um sonho, um Príncipe Encantado da vida real.”
Colleen Houck, A Maldição do Tigre, Pág. 264.

A literatura fantástica têm tido um novo modus operandi no que tange sua forma de escrita e lançamento. A fórmula é basicamente esta: alguém emplaca um sucesso e logo vários autores antenados ou que buscam seu lugar ao sol pela primeira vez já captam o que está agradando e escrevem suas versões. É o que caracteriza as modinhas. Só para relembrar já tivemos bruxos, vampiros, anjos, zumbis, lobisomens, mitologia greco-romana e agora as distopias. Isso para não mencionar as tendências de outros gêneros não fantásticos, como o erotismo e os meninos com animais em barcos! A questão é que A Maldição do Tigre, de Colleen Houck só se assemelha com estes no que diz respeito ao romance sobrenatural, já que sua fantasia é pautada numa mitologia bem distinta.

Ao invés de todos os temas batidos que citei, Houck resolve falar sobre a mitologia da Índia, que, diga-se de passagem, é uma das mais ricas e fantásticas. Kelsey é uma garota que acaba de completar 18 anos, está decidindo sobre seu futuro e em qual faculdade entrar, encontra um emprego temporário em um circo para ocupar seu tempo ocioso, e é aí que a aventura começa. A princípio tudo é muito simples e soa sem muita problemática. Kelsey é a responsável por cuidar de um tigre branco e estranhamente dócil. Isso porque ele não é só um tigre, mas um príncipe que está amaldiçoado há 300 anos e fadado a viver na pele desse animal.

A protagonista vive com pais adotivos, aos quais não nutre um apego tão forte. Prova disso é que ela não encontra nenhum problema em dizer sim para um senhor estranho que a convida para ir à Índia. Ela deve ajudar no transporte do tigre branco, que acaba de ser comprado por um milionário indiano. Aos poucos descobrimos que Kelsey foi escolhida por uma deusa indiana, Durga, para cumprir uma missão: viajar em busca de artefatos para quebrar a maldição do tigre. Somos transportados então não só para outro país, mas para um mundo fantástico repleto de referências à essa nova cultura, seja através dos deuses, dos lugares sagrados e até mesmo da comida exótica do país.

Talvez seja por inserir um elemento novo ao gênero que a série tenha feito tanto sucesso. Prova disso é que o livro foi lançado primeiramente em e-book, via mais fácil de publicação e distribuição. Com o sucesso notório que a série teria, muitas editoras resolveram publicá-la, sendo encontrada atualmente em mais de 40 países. E não para por aí, os direitos para adaptação cinematográfica já foram adquiridos pela Paramount Pictures, então em breve poderemos conferir todas as cores da Índia citadas pela autora ganhando vida nas telonas.

A única coisa que ainda prende a série de Houck ao tradicional é um romance entre uma jovem e um “ser sobrenatural animalesco”, ainda que se trate de uma maldição e não de uma criatura originalmente pertencente à fantasia. E aqui a autora mostra de onde vem sua inspiração, Kelsey tem muito da Bella Swan (protagonista da saga Crepúsculo), diga-se pela sua insegurança e total inexperiência em relacionamentos. Isso torna a narrativa um pouco irritante em determinados momentos, pois atribui um ar não muito crível a ela. Em entrevista a autora declarou ser fã e ter se inspirado na série de Stephenie Meyer.

Em suma Kelsey não é uma protagonista muito interessante, tampouco é carismática, dada sua teimosia e egoísmo. Mas aí Colleen Houck não pecaria tanto no quesito personagens e insere na estória o Sr. Kadam, o personagem mais bem construído, simpático e interessante de todos. Kadam funciona como o enciclopedista comum à maioria dos romances de fantasia, mas ainda assim consegue ser um personagem fascinante.

Outro ponto interessante a respeito da série é que a autora não se restringe apenas à cultura indiana para compor seu universo fantástico, há muitas referências à outras culturas. Um exemplo são os kappas, seres aquáticos que assemelham a macacos, que originalmente pertencem à mitologia japonesa. A diferença é que na obra de Houck eles são mais voltados para aparência símia, descritos como uma espécie de macacos brancos, e no tradicional japonês eles são um misto de anfíbio, tartaruga e rosto de macaco. No entanto, ambos têm uma depressão na cabeça com um pequeno reservatório de água que os mantêm vivos fora d’água. Os kappas são constantes em diversas obras, é possível ver mais deles em Hellboy, Harry Potter (o professor Lupin dá uma aula sobre eles), Super Mario, Pokémon, Digimon, Naruto e muitas outras.

Por fim, a série é composta por cinco livros, cujos três primeiros (A Maldição do Tigre, O Resgate do Tigre e A Viagem do Tigre) já foram publicados aqui no Brasil pela Editora Arqueiro. O quarto Tiger’s Destiny deve ser lançado em breve e o quinto, Tiger’s Dream aguarda lançamento lá fora ainda.

E vocês já leram algum livro de fantasia que se passasse na Índia também? Já leram este? Deixem seus comentários abaixo!

Título / Título original: A Maldição do Tigre / Tiger’s Curse
Autor(a): Colleen Houck
Editora: Arqueiro
Tradução: Raquel Zampil
Edição: 2011 (1ª)
Ano da obra / Copyright: 2011
Páginas: 352

Onde comprar:
SubmarinoEstante Virtual | Saraiva | Cultura

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by Ademar Júnior
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8 comentários

  1. Oi Ademar!
    Como não sou a maior fã dos sobrenaturais, não tenho muita vontade de ler a série, até porque vejo que ela é bem controversa: uns amam e outros detestam e, mesmo os que amam, chegam a se irritar em muitas passagens.
    Acho interessante e original que a autora tenha usado a mitologia indiana, mas, de fato, o triângulo amoroso e a construção das personagens principais é bem semelhante aos demais livros do gênero.
    Ótima resenha!
    Beijão!

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    • Oi Aione,
      Então, eu sou suuuper fã de fantasia, mas confesso que essa nova onda de sobrenaturais não me agrada muito não.
      O que não curti em A Maldição do Tigre foi a infantilidade da protagonista que diz ter 18 anos, e também o fato do livro ser narrado em primeira pessoa, que é um tipo de narrativa que precisa ser bem trabalhado para funcionar bem.
      Obrigado por comentar!
      Beijão!

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    • Oi Gabriel,
      Leia sim, depois me diz o que achou. Logo logo sai a resenha do segundo! Podemos trocar impressões sobre a série depois.
      Abraços e obrigado por comentar.

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  2. Confesso que não li nada relacionado com a mitologia indiana. Fiquei interessada ao ler a resenha por que gosto de mitologias. Mas fico um pouco receosa quando se trata de modinhas ( não li nenhum Stephenie Meyer) mas pretendo ler A Maldição do Tigre, de Colleen Houck. Adorei a resenha.

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    • Pois é Lanna,
      Para mim também foi uma novidade ler um livro de fantasia que se passasse na Índia. Uma coisa bem legal, é que quando eu lia sobre alguma divindade eu ia pesquisar na internet as imagens e tudo é muito incrível. Em especial a deusa Durga, Hanuman e os Kappas.
      Abração e obrigado pelo comentário!

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  3. Bom, eu li o livro… e gostei demais q li os dois outros (O Resgate do Tigre e A Viagem do Tigre). Confesso q em certos pontos a personagem me irritou, mas gostei demais do livro e pretendo ler o ultimo. E concordei bastante sobre o que disse do sr. Kadam, é meu personagem preferido. E bem… é isso rsrs

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    • Oi Camila,
      Eu pretendo ler os outros livros da série logo logo, em breve posto as resenhas por aqui. Parece que serão cinco livros e que o último se chamará Tiger’s Dream, ouviu falar nisso?
      Ah, o senhor Kadam é ótimo mesmo!
      Obrigado pela visita, volte sempre, abraços!

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