Desastre, de S. G. Browne

Desastre

“Destino e eu estamos nessa relação com altos e baixos a maior parte desses quinze milhões de anos, embora nunca tenha sido algo sério. Uma coisa mais ou menos como amigos de muito tempo com benefícios mútuos.”
S. G. Browne, Desastre, pág. 15.

Acredito que todo mundo já deve saber que sou viciado em compras compulsivas. E a aquisição desse livro não se deu de forma diferente. Numa dessas promoções com “Frete Grátis” acabei comprando Desastre, de S. G. Browne, por ter adorado a capa e por achar o nome extremamente curioso. Isso foi há dois anos. A leitura só demorou a acontecer por imaginar que fosse apenas uma história piegas sobre “um sobrenatural que se apaixona por uma humana”. Como estou com o objetivo de ler os livros que estão há muito tempo na minha prateleira, acabei me forçando a ler este e digo logo de início que a capa e a sinopse não revelam nada sobre o tema central da obra.

S. G. Browne é um autor americano que conseguiu uma grande visibilidade após seu romance de estreia, Breathers: A Zombie’s Lament. Foi neste trabalho que ele começou a desenvolver sua escrita carregada de muita comédia de humor negro e sátira social. Desastre, seu segundo romance, que também é uma comédia de humor negro sobre o destino e fado, traz os acontecimentos acerca de um universo de imortais que têm pleno controle sobre os humanos. A história é toda contada por Fado, um imortal que designa sinas aos humanos e que para isso veste uma roupa humana a fim de passar despercebido entre os demais. Toda a narrativa muda quando Fado se apaixona por uma mortal, Sara Griffin, desobedecendo a primeira regra, que é “Não se envolva com humanos!” Embora toda essa trama pareça bem clichê, o autor soube como desenvolvê-la de forma incrível.

Como o livro é cheio de reviravoltas e recheado de referências, é um pouco complicado falar dele, já que qualquer coisa a respeito dos acontecimentos pode sim ser considerada spoiller. Mas, em termos gerais, os temas abordados no livro são: consumismo, alcoolismo, hipocrisia, egocentrismo, egoísmo, sexualidade, entre vários outros. E estes são colocados tanto como desvios da sociedade como “um trabalho” dos seres imortais, que se denominam Gula, Vaidade, Preguiça, Inveja, Egoísmo, etc.

Como o leitor pode perceber neste livro, o universo nada mais é que uma repartição onde todos atendem a um ser superior, o egocêntrico, atrapalhado e onipotente Jerry, ou como os humanos conhecem – Deus. Tem uma parte em que Fado (ou Fábio) descreve este ser comandante de forma bem fria: “Embora tecnicamente eu não tenha pais. Acho que Necessidade poderia ser considerada minha mãe, mais do que isso seria ir longe demais. Jerry é a coisa mais próxima de um pai que eu tenho, e você não imagina o quanto isso me envergonha”.

Embora Fado e Sara sejam os personagens principais, outros também são maravilhosos e bem construídos. Dentre eles eu cito Destino, que é uma ninfomaníaca; Morte, ou Dennis, como prefere ser chamado, que é um necrofóbico, sempre se apresentando com uma máscara de neoprene, luvas industriais reforçadas de agente funerário; Gula, que é um obeso intolerante à lactose; e Preguiça que é um maconheiro e narcoléptico. Estes personagens tornam a leitura bastante divertida e agradável.

Da edição que eu li, apenas uma coisa me desagradou profundamente, que é o fato de as falas serem apresentadas entre aspas e a diagramação que prejudica a leitura, pois a torna cansativa. A fonte é muito pequena para a página. Superando esses pequenos detalhes, a leitura é magnífica. Ao término desse livro, sou obrigado a reforçar que “não devemos julgar o livro pela capa”. Eu recomendo a leitura para que vocês possam me dizer se a afirmativa da capa é mesmo verdadeira ou falsa (“O Amor não é uma escolha, é um desastre”). Espero que gostem da dica.

Mas e aí, se interessaram por este livro? Conhecem o autor? Curtiram a resenha? Comente!

Título / Título original: Desastre / Fated
Autor(a): S. G. Browne
Tradutor(a): Inês Pimentel
Editora: LeYa
Edição: 2010 (1ª)
Ano da obra / Copyright: 2010
Páginas: 272

Onde comprar:
Submarino | Saraiva | Cultura

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by José Mailson
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4 comentários

  1. Oi José!
    Não me espantei pelo real conteúdo do livro porque, inclusive, já havia feito uma postagem sobre ela no blog, comentando sobre ela não deixar transparecer o real conteúdo da história.
    Eu não li o livro, mas acho a ideia bem interessante. O que mais me chama a atenção é o humor irônico, e eu ainda não sabia sobre os personagens serem personificações de substantivos abstratos, achei interessante!
    Beijão!

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    • Olá, Aione.
      E sim, quando você olha para o livro você nem chega a desconfiar do tanto que ele consegue ser irônico e ácido. Alguns momentos são bem intensos e, para as pessoas providas de valores religiosos ou coisas assim, ele consegue incomodar bastante.
      Os personagens são muito bem construídos. E esta ideia de colocar seus nomes (e atribuições) como sendo abstratos, foi uma sacada genial.
      Na sinopse diz que você vai “descobrir que até a Morte não é assim tão má pessoa”. E até confesso que ele é bem legal (e fofo), me lembrou o House, M.D. Hahaha
      Beijo!

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  2. Olá! Eu adoro as resenhas desse blog 😀 ai ai.,. Na verdade eu já tinha ouvido falar do livro por causa do blog Papo de Estante e me pareceu muito interessante e já tinha me convencido de que com certeza leria se tivesse a chance :). Depois dessa resenha deliciosa tenho certeza que assim que houver uma promoção na submarino eu irei comprar :D.

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    • Obrigado, Helena.
      É sempre bom quando podemos aproveitar as promoções, não é verdade? kk
      E o livro é muito bom mesmo, vale a pena. *-*
      Beijos!

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