Carrie, a estranha, de Stephen King

Carrie - a estranha

Quem nunca se sentiu um estranho no meio onde vive? Essa é uma das indagações que surgem após ler Carrie, o primeiro livro do consagrado autor Stephen King. Reconheço que foi uma das leituras que mais mexeu comigo. Embora a obra aborde várias temáticas, o bullying é uma que sempre me chama atenção. Mas vamos à história!

A narrativa é apresentada na forma de depoimentos sendo que, em alguns momentos, é a própria protagonista quem discorre sobre os fatos. Os acontecimentos não são apresentados em sequência, já que os trechos em terceira pessoa são tirados de uma espécie de “dossiê” sobre Carrie White. Há quem considere o texto desconexo, porém ele nada mais é que a visão de quem sofreu “na pele” as consequências da descriminação e (porque não?) do medo.

Colocando minha interpretação em primeiro plano, considero que uma das grandes responsáveis pelo caos na vida de Carrie White é sua mãe, Margareth White, uma mulher cheia de traumas e complexos. Ela se utiliza da religião como autodefesa dos seus medos e do seu passado. Os maus tratos que ela causa à Carrie chegam a ser desumanos, já que ela “impede” a filha de conhecer o mundo como ele realmente é. Porém, Margareth se considera apenas uma serva do “Senhor” combatendo o mal da carne, que é a forma como ela enxerga Carrie.

Sue Snell, que é outra das personagens que narra boa parte da história, é uma das sobreviventes da fúria dessa adolescente perdida e discriminada. Esta, mesmo que indiretamente, contribui para a catástrofe que acontece no Baile de Formatura.

Não considero este um livro de terror/horror, mas afirmo que é sim um excelente suspense. O bullying, que é um problema que vem sendo discutido mais abertamente atualmente, é bem apresentado. A forma como Carrie lida com a situação também é genial. E mesmo quem nunca passou por uma situação semelhante é capaz de se imaginar na pele de Carrie. Acontecimento que o mestre King sabe fazer como ninguém.

Uma das coisas mais interessantes no livro, e não seria diferente já que se trata de ficção, é o fato da Carrie possuir o dom da telecinese, e de como ela se utiliza desses poderes para fazer a tão sonhada vingança (e porque não justiça?) com as pessoas que a cercam. Não sou muito de “pessoas com poderes”, mas a telecinese é um tipo de dom que sempre me chamou atenção. Mais pelo fato de estar relacionado com “o poder da mente” do que por outro fator.

Esse é o tipo de livro que eu indicaria para as pessoas que, mesmo que de forma involuntária, olham com desprezo para outras. Só quem está sendo isolado ou até mesmo agredido por meio de palavras ou atitudes sabe o quanto isso machuca e o quanto as consequências podem ser dolorosas e/ou traumáticas. Embora geralmente as dores venham para o agredido, com “Carrie” podemos ter esperanças de que as coisas podem ser diferentes e até piores para os agressores.

Como a maioria das obras do Stephen King, esta teve uma maior visibilidade após sua adaptação para o cinema em 1976, com nome homônimo, sob direção de Brian de Palma. Há ainda outra adaptação em 2002, cujo título é Carrie, a Estranha, sob direção de David Carson. E agora o tão esperado remake, homônimo à versão de 2002, dirigido por Kimberly Peirce, que tem estreia prevista para o mês de novembro de 2013, no Brasil.

OBS: Texto publicado originalmente no blog Coruja de Café, mas que não está mais disponível no mesmo.

Título / Título original: Carrie – A Estranha / Carrie
Autor(a): Stephen King
Tradução: Adalgisa Campos da Silva
Editora: Objetiva
Edição: 2007 (1ª)
Ano da obra / Copyright: 1974
Páginas: 162

Onde comprar:
Saraiva | Estante Virtual

—————————
by José Mailson
Twitter | Skoob | Facebook 
| Filmow

Anúncios

10 comentários

  1. Oi José!
    Meu contato com as obras do Stephen King não foi muito satisfatório, mas Carrie figura na minha lista, junto de O Iluminado, de livros que gostaria de ler do autor.
    Acho a temática interessantíssima e gosto desse ponto reflexivo que paira no enredo. Além disso, gosto muito mais que haja mais suspense do que terror.
    Enfim, espero poder fazer a leitura!
    Beijos!

    Curtir

    • Olá, Aione.
      Confesso que esse foi o único livro dele que concluí, embora já tenha começado A Espera de um Milagre. Eu tenho uma listinha com livros dele que pretendo ler e O Iluminado e Angustia são minhas preferências! rs
      A temática e a forma narrativa são o que tornam o livro especial. *-* Confesso que gosto mais de horror, rs mas nessa temática, um suspense caiu melhor. ^^
      Você vai adorar a leitura, com certeza! 😀
      Beijos!

      Curtir

  2. Ah como eu queria ler esse livro ano passado, até eu ver o começo do filme de 1900…algo assim. Eu achei a Carry tão esquisita no filme e teve nudismo e tal…enfim, eu entendo bullying, até pq todo mundo que le livro acho que já passou por bullying, é muito comum. Esse livro deve mexer muito com qualquer um sofreu bullying e acho que todo mundo que faz deveria ler para ver como é ruim xD.

    Curtir

    • Olá Helena.
      Como assim? Você deixou de ler porque achou o começo do filme estranho?
      Embora eu tenha lido para depois ver o filme, mas confesso que adorei a adaptação. E o nudismo é apenas um recurso do cinema para atrair a atenção do público. O livro é muito mais tenso que qualquer cena de nu frontal ou qualquer outra coisa.
      Haha realmente, também acho que exite bullying com leitores. E isso me deixa chateado, as vezes.
      Acredito que esse livro deveria ser lido por ambos os lados, pois essa situação deve ser vista por todos.
      Adoro seus comentários! 😀
      Beijos

      Curtir

      • Sim, eu deixei de ler por causa do filme. Tudo pareceu tão terror psicológico, a carrie era muito esquisita…até a cara da atriz xD e aquela parte que ela mestrua é muito tensa, coitada! =| e no filme ficou mostrando achei meio nojento xDDDD.

        Curtir

        • Hahaha, nunca faça isso. rs
          E você disse tudo, tanto sobre o livro quanto o filme: “é muito terror psicológico”. É o tipo de terror que mais curto. ^^
          No filme, por você está vindo, esta cena é muito tensa mesmo, mas acredito que as mulheres são mais sensíveis a elas que os homens, rsrs.
          Mas é sério, dê uma chance ao livro, ele merece! 😀

          Curtir

  3. Ah outra coisa, vcs provavelmente vão notar quando virem o meu blog, mas eu tive sair do blogger porque bugou o meu blog todo! =( e tive que criar um novo no wordpress e uma menina já tinha reclamado disso.

    Curtir

Deixe um Comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s