| Resenha | Morte em Veneza, de Thomas Mann

Morte em Veneza

“Uma exposição viva, concreta, intelectualmente descompromissada faz o deleite das massas burguesas, mas a juventude apaixonadamente radical só é cativada pelo problemático, e Aschenbach fora tão problemático, tão radical quanto qualquer adolescente”.
Thomas Mann, Morte em Veneza, pág. 21.

Inicialmente gostaria de expor meus motivos de ter lido Morte em Veneza, de Thomas Mann. O primeiro é o fato de sempre desejar ler algum escritor alemão, por conta de sua fama relacionada a temas complexos, especialmente o Thomas Mann. Ainda que eu já tenha iniciado a leitura d’O Lobo da Estepe, de Hermann Hesse, não consegui concluir. O segundo, é que ganhei este exemplar do queridíssimo Nélio Júnior num amigo oculto do Clube de Leitura.

Embora publicada pela primeira vez em 1912 e com pouco mais de cem páginas, Morte em Veneza é uma novela que trata de um amor platônico durante uma epidemia que arrasa Veneza. Gustav Aschenbach, um escritor de meia-idade, realiza esta viagem com objetivo de quebrar a rotina que é sua vida. No entanto, uma paixão por um jovem rapaz, extremamente atraente e intrigante, faz com que ele repense sobre sua vida e seus conceitos. Tadzio, este tal garoto, passa o livro alheio à esse sentimento, o que torna a narração ainda mais angustiante.

Para quem já leu alguma sinopse do livro, ou o viu nas famosas listas de “livros com temática GLBT”, imagina que haverá um romance entre os dois personagens. Porém, como o ano da obra já sugere, não é bem isso que acontece. O autor constrói entre os dois personagens uma espécie de “amor ideal”, fazendo da imagem de Tadzio mais como uma inspiração do que desejo propriamente dito. O que é observado é que Gustav sente uma atração pela beleza e perfeição do jovem. A ideia que me ocorreu é que ele deseja ser aquele jovem, como se sentisse vontade de ser gracioso e vivo, como fora em algum momento no passado.

Esse desejo de “possuir” a beleza do outro é vista em alguns momentos do livro, onde Aschenbach descreve sua fisionomia como sendo algo digno de nojo e pena. Como se o “ser/estar velho” não merecesse respeito algum, muito menos admiração e atração. Segundo algumas pessoas com quem discuti o livro, a não atração pela carne, mas pela forma idealizada da beleza, é comparada ao personagem d’O Retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde. Sendo ambos atraídos pela juventude e graça angelical (andrógina?), onde a relação é pautada numa paixão narcisista, embora a busca pelo outro se iniciasse no sonho e transcenda a barreira do espírito.

Mesmo o livro sendo recheado de divagações filosóficas (ou como quer que sejam chamadas, rs), imaginei que não iria me agradar. Mas, quando terminei a leitura, a única coisa que me passou pela cabeça foi que precisava reler. Não por não ter compreendido, mas pelo fato dele ser tão rico e complexo (num bom sentido) que merece ser relido várias vezes, onde acredito que uma nova ideia será absorvida a cada leitura. Sem contar que é possível visualizar os movimentos e os lugares, mesmo sem que haja tantas descrições (ou ao menos elas não são cansativas).

Mas acreditem, mesmo sendo pequena, a novela necessita de uma boa quantidade de tempo, pois ela lhe faz refletir sobre muita coisa, antes que você consiga continuar lendo. Eu adorei a leitura e fiquei mais curioso quanto às outras obras de Thomas Mann. Pretendo ler A Montanha Mágica em breve. E quem sabe, depois dessa leitura eu não consiga concluir o livro do Hermann Hesse também? Ou ainda buscar mais sobre os autores alemães? Enfim, abriram-se muitas oportunidades e curiosidades com essa leitura.

A novela de Thomas Mann, Morte em Veneza, teve uma adaptação homônima para o cinema realizada em 1971, pelo diretor italiano Luchino Visconti.

Quem gosta de literatura alemã? E quanto ao Thomas Mann, o que acham dos seus livros? Gostariam de conhecê-los?  Curtam, comentem! Boas Leituras!

Título / Título original: Morte em Veneza / Der Tod in Venedig
Autor(a): Thomas Mann
Tradução: Eloisa Ferreira Araujo Silva
Editora: Nova Fronteira
Edição: 2010 (1ª)
Ano da obra / Copyright: 1912
Páginas: 115

Onde comprar:
Submarino | Saraiva | Cultura

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by José Mailson
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