Hannibal: A Origem do Mal, de Thomas Harris

Hannibal - A Origem do Mal

Hannibal havia entrado no longo inverno de seu coração. Dormiu tranqüilamente e não foi visitado em sonhos como os humanos costumam ser.”
Thomas Harris, Hannibal: A Origem do Mal, pág. 300.

Antes de qualquer coisa devo dizer que Hannibal é meu personagem favorito. Meu primeiro contato com ele foi durante a adolescência, quando assisti aos filmes em que o personagem aparecia. A culpa por eu ser fascinado por este personagem é toda do ator Anthony Hopkins, que o interpretou em 03 filmes da franquia. Logo depois soube que os filmes eram adaptações de livros, mas também soube que a maioria das críticas em relação a eles eram negativas. Pela primeira vez eu ouvia que os filmes eram melhores que os livros. Assim, nunca me empenhei em ler. Em 2011 eu ganhei este livro, que conta a origem do personagem, mas só agora eu o li.

Como a maioria de vocês já deve saber, recentemente estreou uma série de TV sobre o personagem. Aproveitando o ensejo da série resolvi ler os livros. Semelhantemente a outras franquias o lançamento dos livros não obedece a cronologia da história contada. Resolvi ler de forma cronológica, então, nada mais óbvio que começar pela Origem, mesmo sendo o último livro publicado. Eu falo dessa questão da cronologia, pois algumas pessoas com quem converso sobre Hannibal se mostram desconhecedoras dela. Não que seja algo muito importante, até porque ler (ou assistir) na ordem de lançamento é algo legal de se fazer.

Como não posso me ater muito aos demais produtos da franquia, já que não é este o foco da resenha, escreverei outras postagens sobre os livros, filmes e série muito em breve. Aos metódicos, como eu, farei uma lista cronológica de todos os produtos.

Hannibal: A Origem do Mal foi lançado em 2006, pouco depois do personagem ser popularizado pela interpretação de Anthony Hopkins. De certo modo este livro pode ser visto como uma forma de Thomas Harris regressar ao ambiente que havia criado. Mas também é inegável que tenha sido uma oportunidade de lucrar com a fama vigente de Hannibal, contando assim sua origem. Origem essa que não convence tanto quanto se esperava.

Thomas Harris criou um dos melhores personagens do rol de serial killers que se conhece na literatura policial. Isso não apenas por causa de seus métodos, mas também por toda a sua complexidade. Infelizmente, Hannibal não surgiu nos melhores livros. Definitivamente Thomas Harris não é um bom escritor, pelo menos não até agora, afinal a melhoria, em geral, é proporcional à prática. Este é o quinto livro do autor, li o primeiro (Domingo Negro, que não é sobre Hannibal) e o último e não vejo uma evolução tão significativa assim. Não digo que os livros sejam de todo ruins ou que não mereçam ser lidos. O problema é que Thomas Harris foi vítima de algo que não é muito agradável para um autor, que é o fato de adaptações serem melhores que as obras originais.

Nesse livro conhecemos a família Lecter no período da Segunda Guerra Mundial. Hannibal tem oito anos de idade e é impelido contra os horrores que a guerra pôde proporcionar. De forma brutal ele assiste a morte dos pais e em seguida o declínio do seu império. Não bastasse isso, um grupo de combatentes, induzido pelo desespero da luta pela sobrevivência, resolve comer Hannibal e sua irmã, Mischa. O garoto sobrevive, mas não consegue impedir que sua irmã seja devorada. Em tese, é esse o trauma que leva Hannibal a se tornar o que é e o motiva a seguir a carreira de psiquiatra.

Hannibal cresce em ambientes hostis, mas por vezes amparado por sentimentos sempre confusos por parte daqueles que o cercam. Seu maior apoio vem da esposa do seu tio, Lady Murasaki, uma japonesa, que apresenta o requinte e a utilidade da cultura japonesa à Hannibal. O sentimento de vingança cresce dentro do garoto e aos poucos vemos surgir o monstro tão cheio de classe que a maioria já conhece. Logo o personagem já está com 18 anos e na escola de Medicina. Um aluno exemplar, metódico, disciplinado, frio e assassino.

A narrativa do autor varia entre o thriller e o poético, atribuindo à obra um ar digno do personagem. No entanto, não chega a surpreender e em geral é até lenta. Há muita coisa interessante no livro, mas não acrescenta muito a quem já conhece a história do personagem, tendo um ou outro momento de clímax e reviravolta. A Origem do Mal vai até a partida de Hannibal da França para a América, onde se desenvolve boa parte dos próximos livros. Por fim, vale a leitura só por ter o Hannibal nela.

Como dito antes, segue uma ordem cronológica como sugestão para uma possível maratona no universo do personagem, assim como as datas, caso optem por seguir a ordem de lançamento:

  • [livro] Hannibal: A Origem do Mal (Hannibal Rising, 2006), de Thomas Harris
  • [filme] Hannibal: A Origem do Mal (Hannibal Rising, 2007), de Peter Webber
  • [série de TV] Hannibal (Idem, 2013 – atual), de Bryan Fuller
  • [livro] Dragão Vermelho (Red Dragon, 1981), de Thomas Harris
  • [filme] Dragão Vermelho (Manhunter, 1986), de Michael Mann
  • [filme] Dragão Vermelho (Red Dragon, 2002), de Brett Ratner
  • [livro] O Silêncio dos Inocentes (The Silence of the Lambs, 1988), de Thomas Harris
  • [filme] O Silêncio dos Inocentes (The Silence of the Lambs, 1991), de Jonathan Demme
  • [livro] Hannibal (Idem, 1999), de Thomas Harris
  • [filme] Hannibal (Idem, 2001), de Ridley Scott

E vocês já leram algum livro da série? Viram os filmes? Estão acompanhando a série? Comentem.

Título / Título original: Hannibal: A Origem do Mal / Hannibal Rising
Autor(a): Thomas Harris
Editora: Record
Tradução: Gilson Soares
Edição: 2007 (1ª)
Ano da obra / Copyright: 2006
Páginas: 352

Onde comprar:
Estante Virtual | Saraiva | Cultura

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by Ademar Júnior
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2 comentários

  1. Eis aqui a história de um personagem que eu sou fã. Tenho um apreço muito grande pelo Anthony Hopkins, justamente por causa do filme “O Silêncio dos Inocentes (1991)”. Da série, eu vi apenas esse e “Hannibal, A Origem do Mal (2007)”, mas estou me policiando pra ver os outros. Inclusive já estou com os filmes aqui.

    Ademar, tomando suas palavras digo que: talvez o livro nem seja tão ruim, mas o fato do filme ter sido fiel a história contada no livro, levando em conta também que a obra não nos mostra nada além do que está no filme, nesse caso, pode ter tornado o livro desnecessário (no que diz respeito a compreensão da série).

    Excelente texto 😀

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    • Então Nélio, é como sempre digo, o Anthony Hopkins é o culpado de tudo. Hahahahaha…
      Sim sim, concordo com você. Mas os livros não são tão bons assim é mais por causa da construção narrativa do Thomas Harris. Nesse por exemplo o livro praticamente não tem clímax, é um pouco lento e as técnicas narrativas que ele usa não funcionam muito bem as vezes. Mas o livro tem coisas boas sim.
      Vou ver o que encontro nos demais. 😀
      Abração

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