Cruzando o Caminho do Sol, de Corban Addison

Cruzando o Caminho do Sol

O mundo podia roubar sua liberdade; podia acabar com a sua inocência; podia destruir sua família e arrastá-las por caminhos para além de seu entendimento. Mas não podia privá-las de sua memória.
Corban Addison, Cruzando o Caminho do Sol, pág. 299.

É tão bom quando entramos em contato com novas culturas, novos modos de pensar e agir. E foi principalmente por este motivo que iniciei a leitura de Cruzando o Caminho do Sol, de Corban Addison. Mesmo sabendo que o autor abordaria o tráfico humano, imaginei que um norte americano não daria conta de falar da cultura indiana de forma tão atrativa, já que esta é muito rica. Outro ponto que me deixou com um pé atrás é o fato do livro trazer, além da Índia, situações de outros países – Estados Unidos e França. Imaginei que a história seria confusa, ou que ficariam muitas pontas soltas. Mas não foi bem assim que aconteceu.

Como não conhecia nada sobre tráfico humano, além do que é abordado na novela global Salve Jorge e no que vi em algum filme (que agora não consigo lembrar nomes), resolvi investir neste livro. Pois nada melhor que a literatura para nos fazer buscar mais informações sobre um determinado tema. E foi justamente isso que aconteceu, quanto mais eu lia, mais dúvidas à minha mente, e mais curiosidades surgiam. Dentre elas estão: “Como o dinheiro pode mexer tanto com uma pessoa a ponto de fazê-la vender outros seres humanos?” ou “Até onde vai a criatividade para esse mercado, já que este tipo de tráfico não se restringe ao mercado sexual e trabalho escravo”?.

Cruzando o Caminho do Sol

Quanto ao livro, somos apresentados a duas situações responsáveis pelo desenrolar da trama. A primeira é quando as irmãs, Ahalya e Sita, que viviam com a família em uma cidade tranquila da costa da Índia, perdem tudo que tem (patrimônio e família) com a tragédia do Tsunami. Quando elas conseguiram se livrar dos destroços, indo em busca de ajuda, encontram um homem que se propõe a isso. A partir daí começa a rede de comércio com elas. O segundo ponto, já do outro lado do Atlântico, mostra o advogado Thomas, que passa por uma crise no casamento, que chegou ao limite poucos meses após a morte da filhinha do casal. Com a esposa na Índia junto da família, tudo que o Thomas mais quer é reatar com ela. Após uma “suspensão” no trabalho e o fato dele presenciar um sequestro, Thomas decide passar um ano na Índia e resolve trabalhar para a ACES, uma ONG que atua contra o tráfico humano.

Corban Addison

Mesmo sendo um trabalho de estreia, podemos perceber que o autor pesquisou muito e com isso realizou um excelente trabalho. Os personagens são muito bem construídos e as situações são críveis. Contado de forma crua, a realidade do tráfico humano não é mostrada de forma sensacionalista, já que, como o próprio autor diz na Nota do Autor, esta realidade já é cruel demais. Assim sendo, ele descreve tudo de uma forma tão sutil, que podemos perceber no dia a dia das personagens como cada um encara a situação em que está, seja vítima, sejam defensores, seja criminoso. Isso nos ajuda a perceber os principais medos, angústias, sonhos e ilusões de cada um, o que deixa o texto mais emocionante a cada página.

As idas e vindas do advogado Thomas, assim como as negociações realizadas com as irmãs, nos fazem perceber como este mercado é imenso e que a luta deve ser encarada por todos. Não sou muito religioso, mas gosto da forma como os indianos representam sua religiosidade. Eles não sentem a necessidade de obrigar os outros a seguirem suas doutrinas, apenas desejam ser respeitados. E gostei de ver como isso foi mostrado no livro, como as formas de representar a fé foram apresentadas, sem ser pedante.

Este livro, além de entreter e emocionar, ele tem o papel social de informar. Mesmo com esta função, ele não é cansativo em nenhum momento. Algumas pessoas podem achar ele longo demais, mas este tema abordado em poucas páginas seria quase inviável. Gostei de ver como a cada página vamos sendo apresentados a um mundo cada vez maior. É quase impossível finalizar este livro sem se sentir angustiado e impotente. Outros detalhes me chamaram atenção, como o posicionamento de advogados, policiais e juízes diante da situação. E de como eles são passíveis a fraude. Sendo advogado, Addison tem propriedade para falar disso.

Da edição, eu adorei o tamanho da fonte e o espaçamento, assim vamos percebendo quando a leitura vai evoluindo. O livro é lindo, e tem umas citações a cada início de capítulo. Achei tudo bem legal. Fiquei tentado a ler mais sobre Tráfico Humano e suas ramificações. Por fim, gostaria de dizer apenas que leiam não só este, mas que se interem sobre o tema, que pesquisem, fiquem informados. Não podemos ficar vulneráveis.

Gostaram da dica? O que acham deste tema!? Comentem!

Ficha Técnica

Cruzando o Caminho do SolTítulo: Cruzando o Caminho do Sol
Título original: A Walk Across The Sun
Autor(a): Corban Addison
Editora: Novo Conceito
Tradução: Mariângela Vidal Sampaio Fernandes
Edição: 2012 (1ª)
Ano da obra / Copyright: 2012
Páginas: 448
Baixe um Trecho: AQUI
Sinopse: Sita e Ahalya são duas adolescentes de classe média alta que vivem tranquilamente junto de seus familiares, na Índia. Suas vidas tranquilas mudam completamente quando um tsunami destrói a costa leste de seu país, levando com suas ondas a vida dos pais e da avó das meninas. Sozinhas, elas tentam encontrar um modo de recomeçar a vida. Mas elas não devem confiar em qualquer um… Enquanto isso, do outro lado do mundo, em Washington, D. C., o advogado Thomas Clarke enfrenta uma crise em sua vida pessoal e profissional e decide mudar radicalmente: viaja à Índia para trabalhar em uma ONG que denuncia o tráfico de pessoas e tenta reatar com sua esposa, que o abandonou. Suas vidas se cruzarão em um cenário exótico, envolto por uma terrível rede internacional de criminosos. Abrangendo três continentes e duas culturas, Cruzando o Caminho do Sol nos leva a uma inesquecível jornada pelo submundo da escravidão moderna e para dentro dos cantos mais escuros e fortes do coração humano.

Onde comprar:
Submarino | Saraiva | Cultura | Estante Virtual

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6 comentários

  1. Achei a história incrível,principalmente de ser um ponto de vista de um homem e sua interpretação para a personagem.Você soube mostrar muito bem isso e explorou os pontos fortes do autor em suas pesquisas, ressaltando sua obra. Adorei ler sua resenha e com certeza o livro também.

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    • Pois é, Elizabeth. Esse livro me chamou atenção por vários motivos, esses que você mencionou são os principais.
      É uma leitura que eu indico sempre que posso!
      Obrigado pela visita! 😀
      Abraços!

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  2. Que historia boa, ainda mais que esse assunto de trafico humando está em alta no momento, adorei saber que mesmo sendo seu primeiro trabalho, o autor fez um trabalho de pesquisa bem feito, nos brindando com ótimas descrições da cultura indiana, com certeza vou ler o mais breve possivel, parabéns pela resenha, bjão!

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    • Olá, Adriana. A história é realmente incrível. 😀
      Vale a pena conferir. E o autor realmente fez um belíssimo trabalho!
      Espero que leia e goste!
      Beijos

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  3. Eu tb tenho enorme interesse nesse livro, exatamente por me mostrar situações que sei que existem, mas nem imagino como funcionam e o quão cruel são.
    Mas há um misto de curiosidade e medo de ler, pq sei que as situações são de maldade extrema, de exposição e exploração do ser humano.
    De qualquer forma, pretendo ler, sim, acho a leitura necessária, informativa. Mas sei que vou sofrer horrores!

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    • Manu, realmente a leitura é muito informativa. E o livro é muito bom. Dê uma chance para ele, vale a pena! 🙂
      Obrigado pela visita e comentário! ^^
      Abraços!

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