Assassinato no Campo de Golfe, de Agatha Christie

Assassinato no Campo de Golfe

“- Pense meu amigo – disse Poirot estimulando-me. – Ponha suas ideias em ordem. Seja metódico. Seja organizado. Esse é o segredo do sucesso.”
Agatha Christie, Assassinato no Campo de Golfe, pág. 182.

Aproveitando o embalo da Semana do Thriller promovida pela editora Intrínseca, venho falar de uma das autoras mais clássicas do thriller policial, Agatha Christie. Bom, nem todo thriller é um romance policial, mas quase todo romance policial é um thriller. Isso pela sua própria estrutura, que em geral é composta por uma narrativa ágil, a tentativa de capturar um assassino, os esforços investigativos, as reviravoltas, entre outros elementos que deixam o leitor ávido para descobrir tudo. Dito isso, volto a falar da Agatha, mais precisamente do seu terceiro livro, Assassinato no Campo de Golfe (Ed. BestBolso), que foi tema do Clube de Leitura do mês de Abril.

Neste livro temos a segunda aparição do detetive mais famoso da autora, o belga Hercule Poirot. Pouco depois de resolver o caso de Styles, no primeiro livro, Poirot é convidado para ir à França, ajudar um empresário a resolver um mistério que vem ameaçando-o. Mas ao chegar à casa do seu cliente, o detetive o encontra morto. Afim de manter a integridade dos seus serviços, Poirot decide investigar para descobrir o assassino do Sr. Renauld. Aos poucos, ele descobre semelhanças com um assassinato cometido há 20 anos atrás. Assim surge mais uma veia investigativa: qual a relação de dois crimes cometidos com um espaço temporal tão grande entre ambos?

Assassinato no Campo de Golfe não é considerado um dos melhores livros da autora, mas nele temos muitos pontos interessantes, principalmente para conhecer melhor a história do detetive e do seu fiel e inseparável amigo, Hastings. É aqui que conhecemos a futura esposa de Hastings e um dos principais rivais de Poirot.

Como o crime acontece na França, naturalmente a polícia francesa é acionada, e esta, por sua vez, solicita os serviços da Sûreté de Paris, que é o departamento de polícia nacional especializado em investigações. Assim, a investigação está sob a responsabilidade do Sr. Giraud. Poirot entra apenas como um consultor convidado. Isso gera alguns atritos entre os dois, que sem dúvida é a parte mais divertida do livro. A acidez com que se tratam é extremamente engraçada.

O Sr. Giraud, além de se tornar rival de Poirot, representa também uma sátira à Sherlock Holmes, sempre com um cachimbo à mão. Aqui, pela voz do próprio Poirot, os métodos de Giraud, assim como da maioria dos detetives modernos, são muito susceptíveis a falhas. Isso porque se baseiam em investigações mais pautadas em pistas físicas, que exigem mais esforço físico do que psicológico por parte dos detetives. Para Poirot toda a solução do caso está na massa cinzenta (cérebro), basta colocá-la para funcionar. O trabalho de rastejar farejando pistas deve ficar para os subordinados. Sim, a modéstia de Poirot é escassa, e inevitavelmente ele se transforma em um chato a quem muitos amam ou odeiam.

Agatha trabalhou muito tempo como enfermeira. Isso a tornou boa conhecedora de substâncias químicas, assim, na maioria das vezes ela se utiliza de venenos como causa de morte nos casos dos seus livros. No entanto, não é o que acontece neste livro, já que a arma do crime é uma adaga.

A trama do livro é muito bem construída, permitindo à autora criar várias reviravoltas, com várias possibilidades, todas plausíveis, dificultando para o leitor a identificação do culpado entre os vários suspeitos.

O livro foi adaptado para um episódio da série de TV Agatha Christie’s Poirot. Trata-se do terceiro episódio da sexta temporada da série. Como cada episódio é um caso diferente, assim como nos livros, dá para assistir um sem ter que assistir aos demais. Na versão televisiva há muitas modificações da história do livro, mas não deixa de ser interessante. Entretanto, recomendo que só assistam depois de ler. O episódio traz David Suchet interpretando Poirot, que foi considerado o melhor intérprete do personagem. Dizem que ele leu todos os livros da autora, para compor com fidelidade os trejeitos de Poirot. No papel do Capitão Hastings temos Hugh Fraser, e a direção é assinada por Andrew Grieve. O episódio pode ser assistido legendado em oito partes no YouTube.

É sempre muito difícil falar dos romances da Agatha, pois é complicado falar muito sem revelar algum detalhe importante que venha a se configurar como um spoiller. Por isso, recomendo que leiam. Vale a pena!

Quem quiser saber mais a respeito do livro, recomendo que leiam também a resenha da Cássia (AQUI), que também é blogueira e membro do Clube de Leitura.

Leia também outras postagens relacionadas:
Resenha: Assassinato no Expresso do Oriente
Clube de Leitura: Assassinato no Campo de Golfe
Resenha: M ou N?
Resenha: O Misterioso Caso de Styles
Resenha: O Inimigo Secreto

Título / Título original: Assassinato no Campo de Golfe / The Murder on the Links
Autor(a): Agatha Christie
Editora: BestBolso (Grupo Editorial Record)
Tradução: A. B. Pinheiro de Lemos
Edição: 2012 (4ª)
Ano da obra / Copyright: 1923
Páginas: 266

Onde comprar:
Submarino | Estante Virtual | Saraiva | Cultura

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by Ademar Júnior
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2 comentários

    • Oi Camis,
      Eu adorei esse livro dela. Quando li o primeiro me encantei de cara com a Agatha, rs.
      Acho o Poirot uma graça, morro de rir com ele.
      Beijos!

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