A Síndrome E, de Franck Thilliez

A Síndrome E

A Síndrome E (Ed. Intrínseca) é o primeiro livro do francês Franck Thilliez a ser publicado aqui no Brasil. Com uma sinopse no mínimo instigante, fiquei curioso pelo livro, primeiramente, por me parecer um thriller psicológico, definição não muito apropriada. Com mais de dez livros publicados, o autor usa, nesse livro, uma mistura dos principais elementos e subgêneros do thriller, e não desaponta, até certo ponto. Isso porque a multiplicidade de subgêneros nem sempre agrada aos fãs mais ávidos pelo gênero. Vou explicar.

A princípio, temos um fato curioso que cai nas mãos da tenente de polícia, Lucie Hennebelle. Seu ex-namorado fica cego ao assistir a um filme misterioso. Nesse ponto, o autor entra um pouco no lado mais sobrenatural do thriller, o subgênero menos apreciado pelos fãs do gênero. Nessa linha, chega ao Brasil agora em maio Nocaute (Ed. Record), de Catherine Coulter, que conta a história de uma menininha com poderes telepáticos, ela está em perigo e o agente Dillon Savich deve ajudá-la.

A seguir temos outro caso. No norte da França, cinco corpos não identificados são encontrados enterrados apresentando diversas mutilações e já em estado de decomposição avançada. O responsável pela investigação é o comissário Franck Sharko. Curiosamente, esse caso assemelha-se a outro identificado há tempos atrás no Cairo, dando à narrativa os ares de uma investigação sobre um possível serial killer, que, em geral, é o subgênero que agrada mais. No entanto, não há um modus operandi muito meticuloso, levando o caso para outra óptica.

Depois os casos convergem para uma única investigação, que une os dois detetives. E é aqui que o autor deixa as duas primeiras linhas de desenvolvimento (sobrenatural e assassino em série), para adentrar (e brincar) em outras. O caso, além de complexo, mostra-se amplo demais, expandindo a investigação para outros países (Egito, Bélgica e Canadá). A relação entre os casos está no fato de que um pequeno e insano grupo que, ao investigar as nuances do cérebro humano, deparou-se com um mal batizado de “síndrome E”. É aqui que o livro toma forma nos subgêneros do thriller que melhor o representam: o médico, de espionagem e de conspiração.

Se você curtir esse tipo de mistura, A Sindrome E é o livro perfeito. Se não curtir, recomendo que mesmo assim experimente-o, pois como eu disse antes, o autor não decepciona. A história em si traz muitas discussões interessantes, tanto sobre a evolução da medicina (no campo da psiquiatria) como sobre influência das decisões do Governo de cada país, entrando em um lado mais político, que em geral é pautado em interesses muito particulares.

O livro tem muitas surpresas, que fazem com que me limitem a não escrever muito sobre a história, assim, me atenho mais a parte da construção do mesmo. Para quem curte cinema esse é um prato cheio. É possível identificar inúmeras referências, principalmente ao cinema francês.

As referências mais claras, que inclusive são citadas, são Um Cão Andaluz, de Luis Buñuel e Salvador Dali, e Minority Report – A Nova Lei, de Steven Spielberg. O de Buñuel como inspiração clara e direta para o filme que desencadeia os fatos do livro. Já o de Spielberg funciona mais como referência para uma das teorias de que é possível chegar a um desenvolvimento tecnológico capaz de gerar imagens a partir de lembranças e pensamentos extraídos do cérebro das pessoas. Essa teoria foi transposta para o cinema tendo como base adaptativa um conto de Philip K. Dick, que explorou temas do gnosticismo e da parapsicologia em seus livros de ficção-científica. No livro de Thilliez a coisa ganha um ar mais científico e plausível.

A narrativa do autor é cativante e flui facilmente, o que me deixou muito curioso por seus outros títulos. É só questão de tempo, já que A Síndrome E tem agradado muito ao público, e não é à toa. Recomendo.

Ficha Técnica

A Sindrome ETítulo: A Síndrome E
Título original: Le Syndrome E
Autor(a): Franck Thilliez
Editora: Intrínseca
Tradução: André Telles
Edição: 2013 (1ª)
Ano da obra / Copyright: 2010
Páginas: 368
Sinopse: Um estranho caso vem atrapalhar as férias de verão de Lucie Hennebelle, tenente de polícia em Lille. Seu ex-namorado ficou cego depois de assistir a um filme mudo, anônimo, com um roteiro enigmático, concebido por uma mente doentia. Simultaneamente, o comissário Franck Sharko, veterano da Divisão de Homicídios e analista comportamental na Divisão de Repressão à Violência, passa por um tratamento na tentativa de curar a esquizofrenia. No norte da França, cinco cadáveres não identificados foram encontrados sepultados a dois metros de profundidade mutilados de maneira atroz e em estado de decomposição avançada e Sharko cede ao chamado da aventura. Enquanto Lucie descobre os horrores escondidos no estranho filme, um misterioso informante do Canadá aponta-lhe o elo entre aquele rolo e os cinco cadáveres. Um único e mesmo caso, graças ao qual Lucie e Sharko, tão diferentes e ao mesmo tempo tão próximos em sua concepção do ofício, irão se encontrar. Das favelas do Cairo aos orfanatos do Canadá nos anos 1950, os dois colegas irão se deparar com um mal desconhecido, batizado como “síndrome E”. Uma realidade assustadora que revela como o ser humano pode ser capaz das maiores atrocidades.

Onde comprar:
Submarino | Saraiva | Cultura

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9 comentários

    • Oi Camis,
      Ele é muito legal, acho que você vai curtir. Ele aborda alguns temas interessantes, entre eles a esquizofrenia.
      Quando ler ele me avisa.
      Beijos

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    • Oi Elizabeth,
      O livro é realmente muito bom. Principalmente para quem curte suspenses de tirar o fôlego.
      Acho que você vai curtir.
      Beijos

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    • Oi Adriana,
      O livro tem uma trama bem diferente mesmo, mas muito interessante. Eu adoro essas histórias com vários elementos entrelaçados.
      Obrigado pelos elogios.
      Beijos

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  1. Nossa esse livro é tudo que eu gosto e só vejo o pessoal todo querendo ler esse suspense rápido de tão bom, eu só não sabia que se tratava de um trilogia já que estou fugindo de séries, mas nossa não vejo a hora de ler.

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    • Oi Cristiane,
      O livro é bem bacana mesmo. Acho que você vai super curtir.
      Mas como acontece com a maioria dos thrillers policiais, mesmo que seja uma série, em geral as histórias são independentes e você não precisa obrigatoriamente ler todos nem na ordem cronológica, pois na maioria das vezes só tem o detetive/protagonista em comum.

      Beijão

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  2. Estava faltando um escritor com as características de Frank. Muito suspense, personagens complexos, bem construídos, trama cheia de viradas e o suspense científico que tanto em atrai. Só acho que os demais livros com Sharko e Anebelle deveriam ser traduzidos o quanto antes. Pelo que sei os dois são personagens recorrentes em livros paralelos e a partir deste, Frank decidiu uni-los. O segundo livro do díptico, Gataca, consegue superar o primeiro e fez com que eu me apaixonasse pelo casal.

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