O Castelo no Ar, de Diana Wynne Jones

O Castelo no Ar

 – Eu não! – Replicou Jamal. –  Sou um defensor do livre-arbítrio. Se meu cachorro opta por odiar toda a raça humana, com exceção de mim, ele deve ter liberdade de fazê-lo.
Diana Wynne Jones, O Castelo no Ar, pág. 33.

Diana Wynne Jones é uma escritora inglesa de fantasia infanto-juvenil e adulta. Infelizmente a autora não teve a fama e o reconhecimento que merecia aqui no Brasil. Até mesmo em alguns países seus livros só ganharam visibilidade após o sucesso estrondoso da série Harry Potter, de J. K. Rowling.

Um dos trabalhos mais importantes da autora é a série Os Mundos de Crestomanci, tendo sido publicada por aqui apenas os cinco primeiros de sete volumes. Rowling parece ter se inspirado em algumas ideias dessa série da Sra. Jones. Outro trabalho que ganhou grande visibilidade entre o público foi a Trilogia do Castelo, cujo primeiro volume, O Castelo Animado, foi adaptado para o cinema pelo excelente diretor japonês Hayao Miyasaki (A Viagem de Chihiro) em 2004. O filme chegou a concorrer ao Oscar de Melhor Animação de 2006.

O Castelo no Ar é o segundo volume da trilogia. No primeiro conhecemos Sophie, uma garota que é enfeitiçada e transformada numa velhinha de 90 anos; Calcifer, um demônio de fogo; e Howl, um mago poderoso, dono do castelo animado. Nessa segunda aventura, o foco não está nos personagens que já havíamos conhecido. A princípio a ideia de sequência do livro anterior não fica muito clara. Isso porquê de início somos apresentados a Abdullah, um vendedor de tapetes na praça de Zanzib, em um país distante. Ele é o protagonista dessa história, que por sua vez, sai um pouco das terras de Ingary (que representam a Grã-Bretanha) para se situar em um país mágico inspirado em um Oriente Médio digno de As Mil e Uma Noites.

Abdullah é um rapaz sem sorte e que vive sonhando coisas inimagináveis. Até que sua rotina é rompida quando ele compra um tapete voador, que o leva ao jardim do Sultão, onde conhece a princesa Flor da Noite, pela qual se apaixona. Antes mesmo de poder expressar seu amor pela princesa, a mesma é raptada por um perverso Djim e ele precisa resgatá-la com pressa. É aí que a aventura começa. Como eu disse, a segunda aventura da trilogia é claramente inspirada nas histórias populares do Oriente Médio. O Castelo no Ar é repleto de elementos dessa cultura: princesas, djins, tapete voador, gênio em uma garrafa, oásis, sultões e um castelo no ar.

Somente nos últimos capítulos vemos o gancho de ligação com o primeiro livro. Embora um pouco diferentes, no que se referem às histórias contadas, ambos os livros tem um ritmo excelente e divertido, não deixando em nada a desejar. Essa alternância de temática em uma mesma série é uma característica da obra da Diana Wynne Jones. A maioria das suas histórias é marcada por idas e vindas no tempo e espaço, alternância entre vários mundos mágicos como dimensões alternativas, além de aparições de personagens de um história em outra.

A magia não é apenas temática frequente da autora, é também sua ferramenta de escrita. Os livros da Sra. Jones são permeados de um encantamento tão singular que é impossível lê-los sem se apaixonar. Há certa inocência e sinceridade em sua escrita, se assemelhando a outros livros infantis como O Pequeno Príncipe, de Antoine de Saint-Exupéry, e Matilda, de Roald Dahl.

É uma pena que O Castelo no Ar não tenha ganhado sua versão no cinema, já que o primeiro filme foi uma excelente adaptação. Seria deveras interessante ver toda a trilogia ganhando cores nas telonas do cinema. Quem sabe os outros livros não caiam nos encantos dos atuais produtores do Studio Ghibli, assim como Hayao Miyasaki se encantou pelo castelo animado. A Casa dos Muitos Caminhos é o volume que encerra a trilogia, e conta a história de uma nova personagem, Charmain Baker, que também cruza o caminho dos moradores do castelo. Os três livros foram publicados por aqui pela editora Galera Record.

O Castelo no Ar é um dos livros mais divertidos que já li (a saber, pela simpatia, ou não, dos personagens e os diálogos incríveis). Não obstante, é um dos meus livros favoritos de uma das minhas autoras favoritas. Eu super-recomendo, principalmente para quem curte livros de fantasia e gosta de se encantar com livros sobre magia.

Postagens relacionadas:

– Resenha: O Castelo Animado, de Diana Wynne Jones
– Resenha: O Pequeno Príncipe, de Antoine de Saint-Exupéry
– Resenha: Matilda, de Roald Dahl

Ficha Técnica

O Castelo no ArTítulo: O Castelo no Ar
Título original: Castle in the Air
Autor(a): Diana Wynne Jones
Editora: Galera Record
Tradução: Raquel Zampil
Edição: 2007 (1ª)
Ano da obra / Copyright: 1990
Páginas: 306
Sinopse: Em O Castelo no Ar, Howl, Sophie e Calcifer estão de volta em uma aventura fantástica e surpreendente. Tudo começa com Abdullah, um jovem mercador de tapetes. Ele não é rico, pois sonha acordado tempo demais para ser próspero em seu negócio. Nessa vida imaginária que constrói, Abdullah é, na verdade, um príncipe, que foi seqüestrado ao nascer e acabou sendo adotado por um pobre mercador de tapetes. Um dia, um estranho aparece em sua tenda, oferecendo-lhe um tapete mágico por uma bagatela. Antes de ir dormir, ele coloca o dito tapete voador no topo da pilha de tapetes caros que usa como cama (assim, caso alguém tentasse roubá-los, teria de levá-lo junto). Quando acorda, Abdullah percebe que não se encontra mais em sua tenda. Está em um grande palácio, onde vê uma linda moça, filha do Sultão. Ela é a mulher dos seus sonhos e se chama Flor da Noite. Os dois se apaixonam e resolvem fugir para se casar em segredo. Na noite da fuga, Flor da Noite é carregada pelos ares por um gigantesco e terrível demônio. Abdullah não consegue segui-lo, e acaba sendo preso pelos guardas do Sultão, que acreditam que ele é o culpado pelo desaparecimento da moça. Decidido a resgatar a mulher de sua vida, o mercador conta com a ajuda de personagens atípicos no que se torna uma grande e divertida aventura — um tapete voador que tende a desobedecer a seu dono, um gênio da garrafa que sempre tenta fazer com que o desejo acabe da pior maneira possível, um soldado desertor egoísta, que o gênio garante ser a melhor pessoa para ajudar Abdullah a encontrar Flor da Noite, uma gata que consegue mudar de tamanho e seu filhote…

Onde comprar:
Estante Virtual | Saraiva | Travessa | Siciliano

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4 comentários

    • Yuri,
      Certamente esse é um livro que você vai AMAR. Para mim a Diana é uma das melhores escritoras de fantasia que conheço.
      Vale muito a pena ler os livros dela!
      Abraços

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  1. Uma ótima resenha. Fiquei com vontade de apreciar este livro. E colocarei na lista dos próximos livros que irei ler. Estou em uma fase de querer ler livros assim, e este parece ser ótimo.

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    • Oi Douglas,

      Obrigado por comentar. Os livros da Diana são aqueles livros atemporais sabe? É impossível não se encantar com eles. Eu tenho certeza que você vai adorar!

      Abraços

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