| Resenha | As Violetas de Março, de Sarah Jio

As Violetas de Março

E enquanto fitava aquela foto granulada, eu sabia em meu coração que estava olhando para a autora da história no diário de veludo vermelho.
Sarah Jio, As Violetas de Março, pág. 225.

Assim que a Novo Conceito publicou As Violetas de Março, de Sarah Jio, fiquei imaginando que seria um romance romântico, na linha de Nicholas Sparks (Um Amor para Recordar) e Cecelia Ahern (P.S. – Eu Te Amo). Mas um detalhe me convenceu a lhe dar uma chance: a trama traz, além das relações amorosas da protagonista, um segredo do passado envolvendo um diário. Como um curioso irremediável, eu adoro ler textos que tragam cartas, diários, bilhetes, ou qualquer outra coisa que me dê a sensação de proximidade com os personagens.

As Violetas de Março, romance de estreia de Sarah Jio, narra um episódio da vida de Emily Taylor, jovem e escritora de sucesso. Tudo parece estar em seu lugar, até que seu “casamento perfeito” acaba em divórcio. Sem um propósito na vida, pois além de perder o marido, perdeu também a motivação para continuar escrevendo, Emily decide passar um tempo em Bainbridge – a ilha onde morou quando menina –, na casa de sua tia-avó. Ao reencontrar um antigo colega de escola e o namorado proibido da adolescência, a protagonista acha que reencontrou o caminho para amar novamente. O que Emily não esperava era que, embora dividida entre os homens do presente e o ex-marido, ela iria encontrar conforto em um diário da década de 40, achado no fundo de uma gaveta. Embora dividida entre sua curiosidade e seu bom senso, Emily decide ler apenas algumas linhas, mas um estranhamento e comoção causados pela leitura a faz se questionar: “De quem é a biografia misteriosa, que envolve antigos habitantes da ilha e que tem muito a ver com sua própria história?”.

Sarah Jio conseguiu logo na estreia, fazer com que uma trama de família se mostrasse muito mais rica e complexa do que parece à primeira vista. A autora construiu uma história densa, repleta de surpresas e mistérios, mas mesmo assim, ela não foi enfadonha. Mesmo com uma riqueza de detalhes fantástica, a autora consegue ser sucinta e prática. Os personagens são bem construídos e possuem uma importância na trama, mesmo os que aparecem apenas no diário (ou em cartas). Um detalhe que preso muito num livro, é quando os objetos/pessoas/locais citados na trama têm alguma importância para a narrativa. E são poucas as coisas que “não se encaixam” nesta obra.

Um fato que me agradou bastante foi a autora estar a todo o momento interligando o presente ao passado de forma sutil e inteligente. Assim, um quebra-cabeça é montado a cada dia que vai se passando, a cada novo segredo que vai sendo revelado. Isso pode até ser algo a se esperar dos romances, mas a Sarah faz o leitor buscar por novos detalhes, ela consegue prender sua atenção. Quem poderia imaginar que Emily estaria diante dos mesmos dilemas vividos pela autora do diário na década de 40? E são nesses detalhes que a autora ganha o carinho do leitor.

Apenas algumas coisas me desagradaram, mais por uma questão pessoal, do que qualquer outra coisa. A primeira é o fato de Emily ser romântica demais, e estar sempre com aquela sensação de “ninguém me ama, nem me deseja”. E a outra foi a questão do tempo em que os fatos acontecem. Todo o segredo é guardado por mais de 60 anos, mas “do nada” a protagonista consegue desvendar tudo em menos de 20 dias. Tirando isso, o texto, além de instigante, é divertido. E o final é emocionante!

Da edição, gostaria de dizer que a diagramação é perfeita, facilitando a leitura. E, embora a capa seja linda (assim como as folhas e todos os detalhes de flores), eu acharia mais interessante se mantivessem algumas coisas como descritas no texto: diário de veludo vermelho e que as violetas fossem roxas. No mais, fica a indicação, para quem curte um romance (romântico) cheio de mistério e segredos.

Gostaram da dica? Comentem!

Ficha Técnica

As Violetas de MarçoTítulo: As Violetas de Março
Título original: The Violets Of March
Autor(a): Sarah Jio
Tradução: Ronaldo Luís da Silva
Editora: Novo Conceito
Edição: 2013 (1ª)
Ano da obra / Copyright: 2011
Páginas: 304
Sinopse: Emily Taylor é uma mulher jovem e escritora de sucesso, mas não gosta muito de seu próprio livro. Também tem um casamento que parece ideal, no entanto ele acabará em divórcio.Sentindo que sua vida perdeu o propósito, Emily decide fazer as malas e passar um tempo em Bainbridge — a ilha onde morou quando menina — para tentar se reorganizar. Enquanto busca esquecer o ex-marido e, ao mesmo tempo, arrumar material para um novo — e mais verdadeiro — livro, um antigo colega de escola e o namorado proibido da adolescência tornam-se seus companheiros frequentes. Entretanto, o melhor parceiro de Emily será um diário da década de 1940, encontrado no fundo de uma gaveta. Com o diário em mãos, Emily sentirá o estranhamento e a comoção causados pela leitura de uma biografia misteriosa que envolve antigos habitantes da ilha e que tem muito a ver com sua própria história. Assim como as violetas que desabrocham fora de estação para mostrar que tudo é possível, a vida de Emily Taylor poderá tomar um rumo improvável e cheio de possibilidades.

Onde comprar:
Submarino | Saraiva | Cultura

18 comments

    • Obrigado, Soraya!
      E acho que esse tipo de romance agradaria mais o público feminino. Mas no meu caso, é porque estou mais acostumado com Romances Policiais mesmo! ^^
      Abraços!

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        • Olha, se eu tivesse que lhe dizer um livro favorito nesse gênero, eu diria O Inimigo Secreto, da Agatha Christie. Se bem que a Agatha está mais para os mistérios. Sou fã dessa Rainha do Crime, rs. Já os romances policiais propriamente ditos (mais atuais), eu indicaria Viva Para Contar, de Lisa Gadner e Perto de Casa, de Peter Robinson. O primeiro eu já resenhei, e o segundo pretendo reler para escrever sobre ele! ^^
          E você, gosta de romances policiais!?
          Abraços

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          • Adoro!!! Mas minha favorita é Mary Higgins Clark, já leu algo dela?? Coloquei um post sobre ela um tempo atrás, pois depois que a conheci, a Agatha Christie (já li quase todos) me pareceu amadora rs

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            • Eu conheço (de nome) apenas Enquanto Minha Querida Dorme, que uma amiga até ficou de me emprestar. Acredite que eu tinha poucas expectativas para com ela, mas depois dessa colocação sua, acho que ela merece uma chance! Fiquei muito curioso. ;D

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  1. A historia parece muito boa mesmo, e eu adoro um romance (romantico,rsrs)! Eu gostei muito da capa, mas talvez fosse realmente legal se tivessem feito uma capa como é descrito o diário no texto né! Estou empolgada por esse leitura, ótima resenha, parabéns!

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    • É verdade, alguns detalhes fazem a diferença, mas mesmo assim a capa é lindíssima, assim como a história!
      Espero que goste da leitura.
      Obrigado pelo comentário e elogio! *-*
      Abraços

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  2. Amei esse livro! E concordo totalmente que a capa poderia ser mais condizente com a história – um diário vermelho e as violetas roxinhas, rsrs. Perfeita observação.
    No início até achei um tanto morna a história, desenrolou devagar… mas, a partir do diário, tudo ficou envolvente! Muito bom ler uma história dentro da outra!
    A aura de romance e mistério faz a gente torcer pelas personagens. E as coadjuvantes são um encanto à parte! Titias Bee e Evelyn não são um amor?
    Adorei o livro, uma história de esperança na vida e no amor, que me fez refletir!

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    • O livro é muito bom, Manu.😀
      Acho que essa questão de história morna, acontece com o todo início de livro, até que peguemos o ritmo. Mas a sacada de uma história dentro da outra foi genial!🙂
      Sim, Tias Evelyns e Bees são incríveis! ^^
      Obrigado pela visita!
      Beijos!🙂

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  3. amei a capa mas não seria um livro q eu leria a sinopse ñ me chamou deve ser um começo tipo a hospedeira q no começo é xato depois fica legal . bjs

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    • Embora eu não tenha lido A Hospedeira, mas acredito que a Sarah Jio não merece tal comparação (rs). São temáticas diferentes. E As Violetas de Março tem mais a oferecer do que parece a primeira vista!😀
      Beijos

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