Crônicas dos Senhores de Castelo: O Poder Verdadeiro, de G. Brasman & G. Norris

Crônicas dos Senhores de Castelo O Poder Verdadeiro

 Louvada Mãe de Todas as Fadas, seja prudente e misericordiosa com os que não possuem fortuna ou magia. E ajude-nos com sabedoria nestes tempos difíceis.
G. Brasman & G. Norris, O Poder Verdadeiro, pág. 10.

Houve um tempo em que a literatura fantástica brasileira era ignorada pelo grande público. Hoje isso mudou muito, e o gênero continua em ascensão por aqui, alavancando, ainda que aos poucos, muitos escritores tupiniquins, alguns deles excelentes. Os escritores brasileiros de fantasia já estão ganhando seu espaço, resultado de uma luta constante contra as adversidades – falta de apoio das grandes editoras, dificuldades da autopublicação, gastos próprios na divulgação, entre outros.

Todavia, em meio a tantos empecilhos alguns se saem muito bem e conquistam legiões de fãs, e servem de modelo tanto para os leitores, atestando a qualidade dos trabalhos, como para as editoras, assegurando que há público (fiel) para o gênero. Nomes como André Vianco, Eduardo Spohr, Raphael Draccon e Leonel Caldela já são consagrados e se tornaram referências entre os amantes do gênero. E a tendência é que novos nomes surjam e deixem sua marca. Entre os novatos posso incluir os curitibanos G. Brasman e G. Norris – pseudônimos para Gustavo Girardi e Gustavo Tezelli, respectivamente.

A parceria entre os autores deu origem à saga Crônicas dos Senhores de Castelo, cujo primeiro volume, O Poder Verdadeiro, foi lançado em 2010 pela editora Verus. A série narra as aventuras de um grupo de amigos pelo Multiverso, um mundo fantástico extremamente amplo que comporta diversas culturas e povos.

Crônicas dos Senhores de Castelo - Thagir

Contextualizando, há muito tempo atrás o Multiverso passou por várias guerras e conflitos. Com o objetivo de instaurar a paz e a harmonia entre os povos e reinos foi criado um grupo especial de combate, os Senhores de Castelo, que são treinados por uma Academia e regidos por um Conselho de classe. Após o surgimento deste grupo, o Multiverso teve um período de paz extremamente longo, três milênios. Eis que então, no primeiro capítulo do livro temos um ser estranho que deseja recuperar um artefato poderoso que havia sido perdido há muito tempo.

Crônicas dos Senhores de Castelo -  KullatAnos depois, a filha do rei de Agas’B, Laryssa, está desaparecida e ninguém sabe seu paradeiro. O Conselho da Ordem dos Senhores de Castelo está ajudando na busca, mais especificamente através dos Senhores de Castelo: Thagir, do planeta Curunaã, e Kullat, do planeta Oririn. Logo eles se encontram com Laryssa que está em uma missão para recuperar o tal artefato poderoso, o Globo Negro. Com o intuito de zelar pela integridade da princesa os heróis resolvem acompanhá-la em sua viagem para depois levá-la em segurança para o seu reino.

Crônicas dos Senhores de Castelo - LaryssaAlém de Thagir e Kullat, Laryssa é acompanhada por seu fiel escudeiro, o autômato Azio, do planeta Binal. Este por sua vez é um dos personagens mais interessantes da saga, já que ele representa um planeta super desenvolvido tecnologicamente, mas que está extinto, podendo ele ser o último de sua espécie. Assim, o drama da perda de um ser quebrável faz com que o leitor torça constantemente por ele, pois sendo o último, jamais poderá ser substituído.

Eis então que as aventuras se iniciam e os quatro heróis são postos à prova constantemente, seja para provar suas habilidades ou até mesmo para sobreviver em ambientes hostis. Utilizando-se de habilidades de combate, magia e recursos tecnológicos eles enfrentam criaturas fantásticas e seres perversos dos mais diversos planetas do Multiverso.

A saga dos Senhores de Castelo é muito audaciosa, isso pelo escopo da trama, que envolve muitas culturas, muitos personagens e ambientes. Tudo requer muita atenção, para que não se perca em tantos detalhes, e isso vale para os autores ao escrever e para os leitores quando estiverem conferindo os livros como resultado final. Dada a grandiosidade da trama e do universo fictício criados pelos autores, o primeiro volume tem um ar mais introdutório e é, levando em conta o segundo volume já lançado, o menor de todos.

Em relação a este primeiro livro, devo dizer que a princípio muita coisa não funcionou para mim. Em especial a mistura de elementos da fantasia e da ficção-científica. Não que isso seja algo ruim, um exemplo é o livro Aura de Asíris: A Batalha de Kayabashi, do carioca Rafael Lima. Bom, acho que a diversidade tão grande de povos e culturas não veio a ser algo interessante à primeira vista.

A escrita dos autores, apesar de fluída, não me pareceu muito segura no início, talvez por ser a primeira obra deles publicadas e pelo fato de ser escrita conjuntamente. Mas esse ponto não chega a ser algo tão negativo assim, já que é possível ver a evolução dos autores ao longo do próprio livro. Supõe-se assim, que a cada volume eles se aprimorem ainda mais. Ao final do volume eu já estava cativado pela história.

Já em relação a grandiosidade do universo, da qual eu havia falado, também é algo que eles poderão aproveitar positivamente, já que os autores pretendem escrever pelos menos cinco livros para a saga. Pelos comentários dos autores na internet é possível notar a empolgação deles, que afirmam o desejo de manter a saga na ativa até mesmo após sua conclusão, seja através de contos, spin-offs, sagas paralelas e o que mais der para criar sobre o universo criado por eles.

A narrativa de Brasman e Norris é marcada por uma infinidade de referências do mundo nerd, algo que geralmente agrada aos fãs. Nesse volume mais especificamente é possível sentir um pouco de Tolkien, Isaac Asimov, Philip K. Dick e Neil Gaiman. Algumas cenas tem ar cinematográfico, outras parecem terem sido tiradas de quadrinhos e videogames, isso pela bagagem dos autores, que são nerds inveterados.

A edição da saga é belíssima, com mapa, várias ilustrações – assinadas por Marcos Vinicius Mello – e glossário. A diagramação também é impecável, dando assim mais prazer à leitura.

O segundo volume, Efeito Manticore, lançado ano passado pela Verus, possui quase 400 páginas e promete mais ação, muitas aventuras e novos personagens. O terceiro volume que será lançado com o título de Maré Vermelha, será lançado entre o final de 2013 e o início de 2014. O segundo volume logo será resenhado por aqui também.

Curiosidades:

  • A primeira versão de Crônicas dos Senhores de Castelo foi a primeira saga de ficção fantástica em português a ser comercializada no site da Amazon para o Kindle.
  • A denominação Senhor de Castelo veio de uma sinopse que G. Norris leu do filme francês Je suis le Seigneur du Château (Eu sou o Senhor do Castelo, em português), de 1989. Interessante citar que os autores jamais assistiram ao filme.
  • Apesar de o livro 1 ser a primeira história a ser publicada, existe uma história anterior, que apenas os autores conhecem.
  • Há um roteiro cinematográfico já escrito que relata uma aventura vinte anos antes dos acontecimentos do livro 1.
  • Praticamente toda a mitologia das Crônicas dos Senhores de Castelo foi desenvolvida pelos autores durante almoços e cafés.
  • Por serem declaradamente visuais, os autores classificam seus textos como “leitura para assistir” ou ainda “livro pipoca”, pelo fato de serem obras feitas para divertir.
  • Há uma série de contos escritos por fãs e ambientados no Multiverso. Eles são resultantes de um concurso proposto pelos autores e podem ser lidos AQUI.
  • Há muitas outras curiosidades sobre a saga, que não postei por conterem spoilers, mas que podem ser conferidas no site oficial da série AQUI, além de outras coisas interessantes para download, como wallpapers, papertoys, degustações com os primeiros capítulos e imagens dos personagens.

Sequência de publicação/Cronologia da série:

  1. O Poder Verdadeiro (2010)
  2. Efeito Manticore (2012)
  3. Maré Vermelha (2014)
  4. Sombras (título provisório, sem data definida)
  5. Renúncia (título provisório, sem data definida)

Postagens relacionadas:

– Entrevista: André Vianco
– Resenha: Aura de Asíris – A Batalha de Kayabashi, de Rafael Lima
– Resenha: O Senhor dos Anéis, de J. R. R. Tolkien
– Resenha: Blade Runner, O Caçador de Andróides (Blade Runner, 1982)

Ficha Técnica

Crônicas dos Senhores de Castelo O Poder VerdadeiroTítulo: O Poder Verdadeiro
Série: Crônicas dos Senhores de Castelo
Autor(a): G. Brasman & G. Norris
Editora: Verus
Edição: 2010 (1ª)
Ano da obra / Copyright: 2010
Páginas: 238
Sinopse: Há milhões de anos, os Espectros, seres mágicos malignos, ameaçavam aniquilar o Multiverso. Para impedir uma catástrofe, a sábia Noppon convocou os líderes de todos os planetas para combatê-los e garantir a paz. Formava-se assim o grupo Senhores dos Castelos. No primeiro volume da saga Crônicas dos Senhores de Castelo, a princesa guerreira Laryssa sairá em uma jornada de luta e coragem em busca de um artefato mágico. Com uma mitologia própria, o livro mistura magia e tecnologia, com referências aos grandes mestres da ficção. Um prato cheio para os fãs da literatura fantástica.

Onde comprar:
Estante Virtual | Saraiva | Cultura | Siciliano

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12 comentários

  1. Interessante, devo confessar.
    Li na época do lançamento do livro, uma amostra do primeiro capítulo e não senti atração pela obra. Faltava algo no enredo, um certo encanto que parecia ter se perdido em meio a tantos dados técnicos e informativos. Agora quero dar uma segunda chance a obra, por dois motivos:
    – A perspectiva que a experiência de leitura se aperfeiçoa durante o processo, tornando a obra válida até o seu fim (o que torna interessante pensar que é somente o primeiro passo da série)
    – E a descoberta de que os autores são brasileiros; pela capa não desconfiava e no folheto não havia nenhum sinal dessa informação.
    Ahhh, e talvez foi justamente uma dessas referências nerds que me chamaram a atenção inicialmente: a questão do multiverso! Pode ser que os autores tiveram outra influência, mas esse conceito aparece muito a partir de certo momento dos jogos Magic, the Gathering e no quadrinho Planetary, também recheado de referências.

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    • Oi Renato,
      Que bom ver um comentário seu por aqui, fico feliz!
      Quando eu comecei a ler o primeiro capítulo do livro tive essa impressão, também, de que faltava algo, mas aos poucos fui pegando o ritmo e entrando de vez na história. Ao final você percebe que tanto a construção da história evolui quanto a narrativa dos autores.
      Eu gosto muito das referências dos autores, no início fiquei perdido nisso também, pois eram muitas, mas depois fui gostado de tudo.
      Que legal que você gosta de Magic, the Gathering, eu gosto muito, embora eu não tenha com quem jogar por aqui.
      Valeu pelas dicas!
      Abração!

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      • Fomos Dois Ademar mais o Livro no começo e assim msm mais quando chegar no segundo capitulo muda completa as coisas

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        • Oi Vitor,
          Pelo visto nós concordamos. Eu fiquei meio assim em dúvida no início, e depois já estava envolvido, logo eu vou ler o segundo e postarei aqui minha opinião!
          Abraço e obrigado pelo comentário!
          =D

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  2. Adorei o post. Na realidade nunca fui muito fã de histórias desse tipo, mas confesso que fiquei bastante interessada nessa série, principalmente por ser brasileira.
    É aquele tipo de pré-conceito que sofro com determinados tipos de leitura, mas que sempre que leio me surpreendo.
    Beijos

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    • Oi Soraya,
      Ao contrário de você eu sou fascinado por histórias de fantasia, isso porque foi através de livros desse gênero (Harry Potter, Nárnia, O Senhor dos Anéis) que eu comecei a ler e me apaixonar pela leitura.
      Eu também tenho certo preconceito com alguns gêneros, mas eu gosto de ir quebrando eles aos poucos, é legal ler um pouco de tudo e experimentar novos horizontes.
      É muito legal mesmo o fato de ser uma série brasileira, mostra que nossos autores também tem talento parar criar mundos fantásticos.
      Beijos.

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  3. Tenho que reconhecer. Esta resenha sim pode ser chamada de profissional. Opiniões embasadas, críticas respeitosas, dados e fatos, pesquisa e pontos de vista diferenciados. Gostei! Vocês estão de parabéns.

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    • Oi Gustavo,
      Quanta honra receber um comentário seu por aqui. É legal quando recebemos um feedback dos leitores do blog sobre nossas resenhas, mas quando recebemos dos próprios autores é melhor ainda.
      Muito obrigado pelos elogios e fico feliz que tenha gostado da resenha. Espero poder ler o segundo livro logo, assim que eu o fizer te aviso.
      Um forte abraço e muito sucesso!

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  4. Oi, Ademar.
    Confesso que ao ler as suas resenhas super detalhadas fico até com vergonha das minhas, tão emocionais!! rs…
    Adorei saber mais sobre esse livro e até fiquei curiosa, mas infelizmente não estou muito no embalo dos livros de fantasia! Tenho vários aqui na estante esperando por uma chance, mas tá difícil! rs..
    Beijos
    Camis

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    • Oi Camis,
      Você escreve super bem também, eu adoro suas resenhas, é legal que a gente tenha abordagens diferenciadas, eu adoro seus textos emocionais, rsrs… e fico muito feliz em saber que gosta das minhas.
      Eu sou como você, as vezes estou mais para um gênero do que para outro, eu já havia lido esse livro há um tempinho, mas só agora deu certo para postar a resenha. Acho que atualmente eu estou mais voltado para os thrillers, mas logo quero entrar numa fase fantasias, pois tenho muitos pendentes por aqui também.
      Beijos

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  5. Ainda não tenho o hábito constante por leitura, mas recentemente comecei a ler alguns livros e me despertou essa vontade de entrar de cabeça na literatura, principalmente que sou apaixonado por ficção e aventura, as vezes viciado em games. Comprei esse livro e gostei muito, era só para passar o tempo e já estou terminando e indo para o segundo.

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  6. OLÁ EU COMPREI O LIVRO 1 E O 2,,,,GOSTEI DEMAIS VIAJEI NA HISTÓRIA,,E AGUARDO ANSIOSO O LIVRO ..DIZEM SER O MELHOR DO ANO ..TOMARA..SUCESSO AOS ESCRITORES BRASILEIROS…

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