A Casa dos Macacos, de Sara Gruen

A Casa dos Macacos

 – Bem-vindos à Casa dos Macacos – ribombou uma voz exagerada –, onde os macacos mandam e nunca se sabe o que vem em seguida! 
Sara Gruen, A Casa dos Macacos, pág. 187.

Recebi esse livro de presente no início do mês e logo fiquei ansioso para lê-lo. Embora ainda não tenha lido o livro mais famoso da autora – Água Para Elefantes –, sempre ouço falar muito bem dele. Por serem nossos “parentes” mais próximos, acreditei que lendo esse romance iria me interessar mais por esses bichinhos. De fato, eles são uns fofos e muito inteligentes. Finalizei a leitura com aquela sensação de que estava faltando um bonobo ao meu lado! É inevitável.

Sara Gruen é famosa por sua capacidade de escrever dramas envolventes com animais. Pensei que essa dramaticidade característica dela fosse me incomodar, mas até que nem é tão dramático assim. A Casa dos Macacos me soou mais cômico do que dramático. Tem um suspense, mas nada que nos deixe tão apreensivo assim. Mas enfim, de que se trata o livro?

Isabel Duncan é uma cientista especializada em comunicação com bonobos, através da Língua Americana de Sinais, que trabalha no Laboratório de Línguas dos Grandes Símios. Sua relação com os animais vai além da relação pesquisador-pesquisado. Por conta de traumas de infância, Isabel considera Mbongo, Bonzi, Sam, Jelani, Makena e Lola, sua família. Mas essa relação logo é interrompida por conta de um atentado brutal que os coloca em perigo. Teria sido uma ação terrorista premeditada por ambientalistas pela libertação dos bonobos? No entanto, esta não é a preocupação inicial. Os macacos foram vendidos, mas ninguém sabe para onde, nem por que. Um jornalista, John Thigpen, fará tudo o que estiver ao seu alcance para salvar seus amigos da exploração humana e de um destino cruel.

Como na própria capa do livro já deixa claro, os macacos são vendidos para um produtor de filmes pornôs para fazerem parte de um reality show. Porque bonobos? Porque eles se relacionam de forma bem “íntima” entre si, resolvendo tudo na base do sexo. O que o produtor não esperava era que uma das macacas estivesse prenhe. Uma série de manifestações e revoltas começa a cercar a Casa dos Macacos, até que Isabel, John e seus ajudantes esquisitos – Célia e Nathan –, começam a desvendar os mistérios relacionados ao ataque ao laboratório.

O livro é narrado todo em terceira pessoa. Os capítulos se alternam entre os pontos de vista de Isabel Duncan e John. Toda a trama que cerca a Casa dos Macacos é muito interessante, mas infelizmente a autora tenta colocar o drama pessoal de cada personagem de forma “isolada” e acaba se perdendo. Muitas das cenas são dispensáveis para o desfecho da história e até para o desenvolvimento da personalidade dos personagens. Algumas cenas, embora extremamente cômicas, também são dispensáveis para a história. Uma delas – acredito que a que mais me constrangeu como leitor –, foi uma em que John (jornalista ‘prático e decidido’) começa a comparar um ovo Pochê de um restaurante com um que sua esposa (Amanda) faz. Ele descreve a técnica certa e compara com a que ele “acredita” que foi usada. Quase um capítulo para isso não tinha necessidade.

Outro ponto que me desagradou um pouco foi o ritmo da narrativa. Ela vem de forma bem competente até a metade do livro, mas começa a colocar muita coisa que não cabia (para aumentar o número de páginas?), deixando o livro enfadonho. O fato de uma das personagens ser autora (Amanda, esposa de John) poderia ter sido mais bem explorado, mas não foi. O final é piegas, mas pelo menos convence.

O livro não é ruim, apenas poderia ser (bem) melhor. Vale a leitura, pela diversão que os macacos causam. Eles são uns fofos, carinhosos e adoráveis. Vale também por saber que algumas cenas foram baseadas numa visita que a autora fez a um laboratório quando estava pesquisando para compor o livro.

Macaco - Bonobo

Quem conhece a Sara Gruen? Vocês assistiriam a um reality show de macacos? Comentem!

Ficha Técnica

A Casa dos MacacosTítulo: A Casa dos Macacos
Título original: Ape House
Autor(a): Sara Gruen
Editora: Record
Tradução: Paulo Cezar Castanheira
Edição: 2011 (1ª)
Ano da obra / Copyright: 2010
Páginas: 400
Sinopse: Isabel Duncan ama seu trabalho. Pesquisadora do Laboratório de Línguas dos Grandes Símios, ela considera Mbongo, Bonzi, Sam, Jelani, Makena e Lola sua família. Virtuosos no uso da Linguagem Americana de Sinais, esses macacos são capazes de se comunicar plenamente numa língua humana. Porém, um atentado brutal coloca-os em sério risco. Teria sido uma ação terrorista premeditada por ambientalistas pela libertação dos bonobos ou apenas o início de uma trama escusa que culminará num grande golpe de mídia? Com a ajuda do jornalista John Thigpen, Isabel fará tudo o que estiver ao seu alcance para salvar seus amigos da exploração humana e de um destino cruel.

Onde comprar:
Submarino | Saraiva | Cultura

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4 comentários

  1. Que pena que não gostou tanto assim do livro. Para mim a leitura foi uma experiência incrível. Acho a autora extremamente talentosa e gostei muito até das partes que você achou “dispensável”. Rs!!
    Mas leitura é assim mesmo… Cada um tem uma experiência própria!
    beijos
    Camis

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    • Pois é, Camila. Eu adoro novas experiências, sem dúvida. Mas mesmo depois de ler esse, ainda me pego com vontade de ler Água Para Elefantes. Quem sabe ela não ganhe minha admiração com ele!? 🙂
      Beijos!

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  2. Poxa, adorei “Água para elefantes”, mas acho que não me animei a ler esse livro rs
    Não sou muito fã de macacos (momento confissão) e acho que não gostaria de perder tempo com um livro cujo final deixasse a desejar e eu já soubesse isso de antemão.
    Beijos

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    • Olá, Soraya. Ainda não li Água Para Elefantes, mas tenho muita curiosidade a respeito.
      Não sei dizer que gostava ou não de macacos (nunca pensei nisso), mas eu subestimava a inteligência deles. Acredite, eles são as coisas mais legais do livro! 😉
      Quanto ao final, sem spoiller (rs), não é que ele “deixa a desejar”, apenas a autora não soube usar todo material que ela tinha. Tudo poderia ser bem melhor. Mas ainda assim é um bom final. Acredite!
      Beijos!

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