Marina, de Carlos Ruiz Zafón

Marina

 Em 26 de setembro de 1964, uma menina de cabelos claros e olhos cor de cinza, idênticos aos de sua mãe, nasceu na casa de Sarriá. Iria se chamar Marina e levaria sempre no rosto a imagem e a luminosidade da mãe.
Carlos Ruiz Zafón, Marina, pág. 48.

Sempre li coisas positivas em relação a escrita de Carlos Ruiz Zafón, mas a maioria delas dizia respeito a facilidade que o autor tem de criar um mundo onde o leitor se apega e sente dificuldade de sair ou esquecer. De todos os títulos disponíveis do autor, Marina foi o que mais me chamou atenção, e isso se deu ao fato da sinopse não dizer nada sobre o conteúdo da narrativa. Ou pelo menos, eu senti a descrição completamente enigmática. Outra coisa me chamou bastante atenção em relação a este livro: a declaração do autor de que este é seu livro favorito dentre todos os já publicados.

O livro é extremamente rico e cheio de reviravoltas, tantas que chegou a me incomodar. E foram essas reviravoltas que me fizeram decidir por fazer uma resenha, embora eu ainda não imagine como farei isso sem estragar alguns dos mistérios. A história nada mais é que uma lembrança do protagonista, Óscar Drai, anos depois dos acontecimentos em questão. No episódio que compõe o texto, Óscar ainda é um adolescente de quinze anos que estuda em um internato de Barcelona, na Espanha. Por se sentir sozinho, o garoto passa seus horários vagos em passeios pelas ruas da cidade. Certo dia, ele se sente atraído por uma antiga mansão em um dos bairros góticos de Barcelona. E é numa das visitas a esta casa, aparentemente abandonada, que ele conhece Marina, uma garota pálida que mora com seu pai.

Uma amizade começa a crescer entre os dois jovens, então, um dia Marina resolve levar Óscar para ver uma cena misteriosa no cemitério e eles envolvem-se num mistério macabro. Eles seguem uma pessoa encapuzada por entre as ruas de Barcelona até uma estufa, onde encontram um álbum contendo fotos de pessoas com má formação gênica. Outra coisa completamente sinistra existente no local são várias marionetes em tamanho real, e todas elas marcadas com uma borboleta de asas abertas. A intromissão dos jovens faz com que uma série de perseguições por algo ou alguém os aproximem da história de Mijail Kolvenik (homem rico e famoso) e Eva Irinova (cantora de sucesso), sua esposa, que tiveram seu casamento transformado em uma tragédia.

Durante toda a leitura do livro, fiquei imaginando porque ele levaria o nome da adolescente e não garoto, ou até mesmo outro nome qualquer. Mas como as reviravoltas são a fórmula do Zafón, eis que no último capítulo este ponto foi explicado. Gostaria tanto de falar para vocês, mas a surpresa é tão gratificante que vale a pena vocês conferirem. Confesso que, embora o livro seja fininho e eu esperasse uma leitura rápida, não foi bem isso que aconteceu. As reviravoltas e confusões da narrativa – e não considerem isso uma coisa negativa – me faziam parar para organizar tudo antes de retomar a leitura. E, embora a ideia de abandonar a leitura tenha passado pela minha cabeça, nunca pensei em executá-la.

Gosto de pensar que a leitura de Marina abre nossos olhos para a importância das pequenas coisas. E, mesmo tendo sido publicado inicialmente como um livro infantil, Marina é um livro indicado para todas as idades. Ainda ouso dizer que, alguns trechos específicos, são contraindicados para as crianças. O final da leitura paira no ar com uma grande “moral da história”, embora eu ainda não consiga descrevê-la em palavras.

– Às vezes, as coisas mais reais só acontecem na imaginação, Óscar – disse ela. – A gente só se lembra do que nunca aconteceu. pág 68.

Para finalizar a resenha, gostaria de dizer que me sinto feliz por ter lido esse livro. Eu considero o término dessa leitura como um momento feliz. Sou um homem de sorte!

Naquela noite, Mijail disse que a vida concede a cada um de nós apenas alguns raros momentos de pura felicidade. Às vezes são apenas dias ou semanas. Às vezes anos. Tudo depende da sorte de cada um. pág 144.

Leitura recomendada, com certeza. Só peço aos afoitos que tenham paciência com Óscar e Marina, pois eles precisam do carinho de vocês. Comentem!

Ficha Técnica

MarinaTítulo: Marina
Título original: Marina
Autor(a): Carlos Ruiz Zafón
Editora: Suma de Letras
Tradução: Eliana Aguiar
Edição: 2011 (1ª)
Ano da obra / Copyright: 1999
Páginas: 192
Sinopse: Na Barcelona dos anos 1980, o menino Óscar Drai, um solitário aluno de internato, conhece Marina, uma jovem misteriosa que vive num casarão com o pai idoso. Em passeios pela cidade, os dois presenciam uma cena estranha num cemitério e se envolvem na resolução de um mistério que remonta aos anos 1940. Numa tentativa inútil de escapar da própria memória, Oscar abandona sua cidade. Acreditava que, colocando-se a uma distância segura, as vozes do passado se calariam. Quinze anos mais tarde, ele regressa à cidade para exorcizar seus fantasmas e enfrentar suas lembranças – a macabra aventura que marcou sua juventude, o terror e a loucura que cercaram a história de amor.

Onde comprar:
Submarino | Saraiva | Cultura

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