Bruxos e Bruxas, de James Patterson e Gabrielle Charbonnet

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James Patterson é um dos autores mais vendidos da atualidade. Segundo o The New York Times, os livros de Patterson já venderam mais cópias do que Stephen King, John Grisham e Dan Brown juntos, no entanto, deve-se levar em conta que Patterson já possui mais de 100 livros publicados. Aqui no Brasil, o autor foi publicado primeiramente pela editora Rocco e em seguida pela editora Arqueiro, que resolveram trazer de início seus livros policiais, as séries Alex Cross, Clube das Mulheres Contra o Crime – essa iniciada pela Rocco e continuada pela Arqueiro – e Private.

229274_10150178762198468_20809428467_6525746_3122390_nEmbora seja mais conhecido pelos seus romances policiais, Patterson é um escritor para todos os públicos e já escreveu livros em diversos gêneros. Mais recentemente, a editora Novo Conceito resolveu investir nos livros de fantasia do autor, comprando os direitos das séries Bruxos e Bruxos e Maximum Ride. Os livros são escritos em parceria com a escritora Gabrielle Charbonnet, que já havia colaborado anteriormente com o autor. E essa é outra característica bem comum do autor, escrever em parceria, coisa que contribui também para que ele trabalhe e publique tantos livros em um curto intervalo de tempo. Só para se ter ideia, ele lançará nove livros entre Julho desse ano e Fevereiro de 2014.

Bruxos e Bruxas, primeiro livro da série homônima, conta a história de dois irmãos, Wisty e Whit, que foram presos pela Nova Ordem, uma espécie de governo totalitário, acusados de conspiração. Na trama, o mundo como conhecemos está sendo dominado por um ser chamado O Único Que É O Único, que como medida de controle resolve prender todas os menores de 18 anos, classificando-o de acordo com seu risco para o governo. Isso porque algumas dessas crianças são dotadas de poderes, são bruxos ou bruxas, e alguns são mais poderosos que outros.

Antes de serem presos, os pais dos garotos os presenteiam com um objeto cada um. Wisty recebe uma baqueta de sua mãe e Whit um diário em branco do seu pai. Assim, eles são levados para a prisão para aguardarem julgamento e, caso seja comprovada a presença de poderes especiais, a execução. A partir daí eles devem lutar para fugir da prisão, onde descobrem que o mundo é formado por várias dimensões entre a superfície e o submundo, e salvar seus pais, colegas e quiçá o mundo todo. No caminho, eles fazem vários amigos que os ajudarão nessa jornada.

Toda a trama seria interessante não fosse por alguns problemas do livro. O primeiro deles é a narrativa que soa infantil demais, remetendo a um público muito, mais muito jovem. Os capítulos são narrados alternadamente por Wisty e Whit, e embora eles tenham 15 e 17 anos, respectivamente, a narrativa soa como se fosse narrado por crianças entre 07 e 10 anos. Whit está no Ensino Médio, é o bonitão, pegador e atlético, mas se comporta e pensa como se possuísse a metade da metade da idade que possui.

O segundo ponto negativo, que seria positivo, se não viesse junto com o anterior, é o excesso de referências. Se um jovem adulto se delicia por conhecer boa parte das referências do livro, ele poderá se incomodar veementemente com a infantilidade excessiva da narrativa. E se o livro for destinado a uma criança, ela provavelmente não pegará nenhuma das referências, o que de certo modo não fará muita diferença para a criança conhecer ou não tais referências tão cedo, ela só não irá se beneficiar com as coisas que o autor inseriu. E como as referências são o ponto mais positivo, falarei um pouco delas.

Gabrielle-CharbonnetA princípio, O Único Que É O Único, aquele que tudo ver e tudo sabe, é uma clara referência ao Big Brother de 1984, de George Orwell. O livro é dividido em 03 partes em que cada uma remete a um autor ou a uma obra prima da literatura, são elas: Sem Crime, Só Castigo (Crime e Castigo, de Fiódor Dostoiévski), Muito Dickensiano (referente ao escritor Charles Dickens) e Admiráveis Mundos Novos (Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley). Além disso, há referência a muitas outras obras que tratam do tema, como a série Harry Potter e o filme Convenção das Bruxas (The Witches, 1990), e ainda músicas e obras de arte. Todos esses representantes da cultura – livros, música e obras de arte – são proibidos aos personagens, uma medida da Nova Ordem que nos remete a certas distopias como Fahrenheit 451, de Ray Bradbury.

Nos apêndices, o livro traz listas de obras que são proibidas pela nova ordem, e, embora venham com nomes modificados, um bom conhecedor pode identificar todas, alguns exemplos são: A Invenção de Bruno Genet (A Invenção de Hugo Cabret, de Brian Selznick), O Rebatedor nos Campos de Trigo (O Apanhador no Campo de Centeio, de J. D. Salinger), O Ladrão de Trovões (O Ladrão de Raios, de Rick Riordan), Harry Podre e a Ordem dos Idiotas (Harry Potter e a Ordem da Fênix, de J. K. Rowling), Saga Aurora (Saga Crepúsculo, de Stephenie Meyer) e Edragão (Eragon, de Christopher Paolini), Lay-Z (Jay-Z) e Freida Halo (Frida Kahlo).

Para quem já está acostumado, o estilo do autor continua o mesmo, ritmo acelerado com uma narrativa cinematográfica. Os capítulos são muito curtos, ocupam no máximo duas páginas, que fazem com que o leitor devore o livro. Leitura rápida, embora seja preciso se envolver com a história para avançar rapidamente. A mensagem mais clara de Bruxos e Bruxas é que os jovens têm o poder de mudar o mundo, algo que pode soar como clichê, de que as crianças são o futuro, ainda que seja válido. No entanto, para mim particularmente não funcionou, nem a trama, nem as piadas. Mas como muita gente gostou sugiro que aguardem a continuação, enquanto isso, eu vou arriscar alguns dos thrillers policiais, pois ele pode não ter me convencido nesse gênero, mas pode me convencer em outro.

Curiosidades:

  • Os direitos do livro foram adquiridos para adaptação cinematográfica, ainda sem previsão de lançamento.
  • Em entrevista, James Patterson explicou seu processo de produção em parceria como sendo: “Normalmente, escrevo um esboço detalhado, algo em torno de 50 páginas, da ideia que tenho em mente e entrego a um coautor para desenvolver a sinopse. A cada duas semanas, dou uma olhada no material que ele está escrevendo. Quando isso acontece, posso dizer: ‘Puxa, que legal! Vamos em frente’ ou, então, ‘Ei, peraí, precisamos conversar’. Às vezes, um livro pode passar por 8 ou 9 rascunhos até que eu fique inteiramente satisfeito com ele”.
  • A série Bruxos e Bruxas ganhou uma das maiores campanhas publicitárias já realizadas pela editora Novo Conceito, mobilizando inúmeros blogueiros através das redes sociais. Inclusive com uma simulação de invasão da página da editora no Facebook pelos jovens fugitivos e tentativas de controle por parte da Nova Ordem.
  • O autor já apareceu na série de TV Os Simpsons e na série policial Castle, como ele mesmo.

Sequência de publicação/Cronologia da série:

  1. Bruxos e Bruxas (Witch & Wizard, 2009)
  2. Witch & Wizard: The Gift (2010)
  3. Witch & Wizard: The Fire (2011)
  4. Witch & Wizard: The Kiss (Novembro 2013)
  5. Witch & Wizard: The Lost (Março 2014)

Postagens relacionadas:

– Resenha: 1984, de George Orwell
– Resenha: Percy Jackson e Os Olimpianos: O Ladrão de Raios, de Rick Riordan
– Resenha: Percy Jackson e Os Olimpianos: O Mar de Monstros
– Resenha: Percy Jackson e O Ladrão de Raios (Percy Jackson & the Olympians: The Lightning Thief, 2010)
– Resenha: Crepúsculo (Twilight), de Stephenie Meyer

Ficha Técnica

Bruxos-e-Bruxas-FrenteTítulo: Bruxos e Bruxas
Título original: Witch & Wizard
Autor(a): James Patterson e Gabrielle Charbonnet
Editora: Novo Conceito
Tradução: Ana Paula Corradini
Edição: 2013 (1ª)
Ano da obra / Copyright: 2009
Páginas: 288
Sinopse: No meio da noite, os irmãos Allgood, Whit e Wisty, foram arrancados de sua casa, acusados de bruxaria e jogados em uma prisão. Milhares de outros jovens como eles também foram sequestrados, acusados e presos. Outros tantos estão desaparecidos. O destino destes jovens é desconhecido, mas assim é o mundo sob o regime da Nova Ordem, um governo opressor que acredita que todos os menores de dezoito anos são naturalmente suspeitos de conspiração. E o pior ainda está por vir, porque O Único Que É O Único não poupará esforços para acabar com a vida e a liberdade, com os livros e a música, com a arte e a magia, nem para extirpar tudo que tenha a ver com a vida de um adolescente normal. Caberá aos irmãos, Whit e Wisty, lutar contra esta terrível realidade que não está nada longe de nós.

Onde comprar:
Estante Virtual | Saraiva | Submarino | Cultura

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5 comentários

  1. Oi, Ademar.
    Pena você não ter gostado tanto. Acho que isso se deve um tanto a sua bagagem cultural! Adoro suas resenhas pela clareza de referências que você traz. Mesmo que você não tenha gostado, acho que uma outra faixa etária de público curta mais, e até mesmo os mais velhos que gostam de livros pra jovens. Narrativas pobres e personagens desse tipo me repelem muito a ler um livro, sério. Não to animado mais pra ler Bruxos e Bruxas, mas conheço o autor e ele tem seus méritos rsrs
    Parabéns pela resenha ❤ me fez lembrar do filme A Convenção das Bruxas hehe adorava quando era criança.
    Beijos!
    Lucas ~ Descobrindo Livros

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    • Oi Lucas,
      Pois é, eu tinha algumas expectativas (nem eram muitas) e no final a leitura não chegou nem perto.
      Então, a narrativa é bem para uma faixa etária mais jovem mesmo, o que me incomoda nisso é a quantidade de referências que ele colocou que essa tal faixa etária talvez não conhecesse ou não entendesse. Se bem que isso não é obrigatório quando se ler um livro, o propósito pode ser apenas a diversão, né? rsrs
      Sim sim, o James tem seus méritos, é por isso que vou ler outros livros dele, tentar outro gênero.
      Beijos e obrigado pelo ótimo comentário.

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  2. Essa é a segunda resenha que leio desse livro e ainda estou confusa quanto a lê-lo ou não… Eu achava que seria interessante, mas na verdade já não tenho mais certeza hahaha
    Na dúvida, vou continuando minha listinha de leitura rs
    Beijinhos 🙂

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    • Oi querida,
      Então, eu te recomendo a leitura só se realmente estiver interessada, pois ao meu ver o livro não acrescenta muita coisa não, embora você possa se divertir com ele.
      Acho que não deve ser considerado prioridade, principalmente quando se tem uma lista enorme de leituras pendentes, rsrs
      Beijos

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  3. Eu vou ser sincera não gostei nada desse livro, mas vou esperar até lançarem o último livro para fazer um julgamento da série toda..
    Até agora li o Bruxos e bruxas e O dom.
    Mas ele é bem divertido e bom pra se distrair.

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