Quando uma Garota Entra em um Bar…, de Helena S. Paige

Quando uma Garota Entra em um Bar...

Você adora quando há livros em um quarto – torna-se muito mais fácil começar uma conversa, fora que se pode dizer muito sobre alguém conhecendo seus livros. […] Você não sabe muito sobre isso, mas reconhece as coisas boas – Atlas das Nuvens, de David Mitchell, O Conto da Criada e muitos de Ursula Le Guin e Philip Pullman.
Helena S. Paige, Quando uma Garota Entra em um Bar…, pág. 182.

Cinquenta Tons de Cinza (Ed. Intrínseca), querendo ou não, consolidou o gênero erótico na literatura contemporânea. A obra da escritora britânica trouxe para os holofotes um gênero que já havia sido explorado anteriormente pelos clássicos: Marquês de Sade, Anaïs Nin, Marios Vargas Llosa, entre outros. Desde 2011, quando foi lançado o primeiro volume da trilogia de E. L. James, me mantive alheio ao gênero. Primeiro por acreditar que não seja muito a minha praia. E segundo, por nunca ter tido curiosidade até agora, já que a blogosfera literária transborda de postagens e notícias sobre os romances eróticos.

Minhas primeiras experiências com esse gênero se deram de forma despropositada. Primeiro com o livro Contos Eróticos (Ed. Record), do curitibano Dalton Trevisan, e posteriormente com Elogio da Madrasta (Ed. Alfaguara), de Mario Vargas Llosa, que eu havia ganhado de presente de aniversário. Uma leva de motivos que foram se acumulando fizeram com que eu me aventurasse (ignorem o trocadilho) mais uma vez por uma história erótica: Quando uma Garota Entra em um Bar…, de Helena S. Paige. E o que posso dizer da experiência? Esquisita – não de forma pejorativa –, por vários motivos. Vamos lá!

Capas pelo mundo: Americana, Inglesas, Francesa, Italiana, Dinamarquesa e Suecas
Capas pelo mundo: Americana, Inglesas, Francesa, Italiana, Dinamarquesa e Suecas

A primeira coisa a se falar é que este livro não segue o formato padrão. Isso porque se trata de um livro-jogo. Sim, aqueles livros no estilo “RPG”, em que você é o protagonista da história, que por sua vez, avança de acordo com suas escolhas. Então, pelo fato de ser um “RPG erótico” protagonizado por uma mulher, o livro acabou não funcionando muito para mim, claro. O livro é direcionado especialmente às mulheres. Se você for do sexo masculino e não vê problemas nisso, vá em frente. Assim sendo, minha primeira recomendação é que se você não conseguir – assim como eu – se imaginar escolhendo com qual calcinha quer sair à noite, nem leia.

Todas as mulheres sabem que não se pode esperar muito de só um único tipo de calcinha. Se quiser ser sexy de morrer, ela vai ter que sacrificar o conforto na parte íntima. Se quiser apenas conforto, talvez acabe não usando algo particularmente bonito ou glamoroso. Se você precisa de suporte, então “a modeladora” é sua amiga, mas você não vai respirar com muita facilidade. (pág. 05)

Tirando essa parte de não conseguir me identificar com a protagonista, cujas ações são exclusivas do sexo feminino, até que é uma experiência divertida. Isso pela ideia de poder fazer escolhas e criar sua própria história, que permite várias possibilidades, inclusive em releituras. Sabe quando você está lendo um livro e a personagem faz uma escolha idiota que você fica se perguntando como ela pôde ser tão sem noção? Pois é, aqui é você mesmo que assume a responsabilidade por isso.

Outro ponto que deriva desse fato de seguir o ritmo de escolhas do leitor, é que o livro foge da ideia de ser um romance e passa a ser apenas um conto erótico. Isso porque dependendo das suas escolhas sua leitura pode durar 20 minutos e envolver no máximo 3 ou 4 personagens, com pouco ou nenhum desenvolvimento sobre eles. Até mesmo quem já aprecia romances eróticos, talvez ache esse um pouco aquém. Então, você deve se despir (ignorem esse também) de toda criticidade e levar tudo na esportiva, inclusive o estilo narrativo das autoras. Sim, autoras.

Helena S. Paige
Da esquerda para direita: Helen Moffett, Sarah Lotz e Paige Nick.

Helena S. Paige, na verdade, é um pseudônimo de três autoras sul-africanas: Paige Nick, Helen Moffett e Sarah Lotz. As três possuem experiência com a escrita, com outros romances publicados, inclusive de terror, no caso de Sarah – vamos torcer para que a Novo Conceito traga os livros de terror dela para o Brasil. A trama desenvolvida neste é bem superficial, e acredito que não poderia ir muito além disso usando esse formato. É um livro passatempo. Devo mencionar também que há alguns errinhos de tradução e revisão, algo que foge do padrão que vinha sendo mantido pela editora.

Não há muito o que acrescentar sobre a obra, dado o fato de que cada um protagoniza uma história diferente. Voltando à dificuldade de identificação por leitores do sexo masculino, fica a dica para as autoras escreverem a versão “Quando um Garoto Entra em um Bar…”, com várias possibilidades de aventuras eróticas. E falando nisso, devo ressaltar ainda, que outro ponto positivo do livro em questão, é o fato de possibilitar até mesmo aventura homoafetiva. Uma forma interessante de agregar mais leitores.

Classificacao Indicativa - 18 AnosEntão é isso, ficou curiosa(o) para saber como funciona o livro? Não hesite, pegue-o e faça suas escolhas. Isso se você já for maior de idade, claro. A classificação indicativa do livro é para maiores de 18 anos.

Curiosidades:

  • A Girls Walk into a WeddingDia 19 de Dezembro será lançado um segundo livro de Helena S. Paige, seguindo o mesmo modelo deste. Em A Girl Walks Into a Wedding (Quando uma Garota Vai a um Casamento, em tradução livre) você é convidada para ser a dama de honra do casamento do seu melhor amigo. À medida que o dia do casamento se aproxima, você é submetida à novas possibilidades. Seja conhecer um cara que você nunca viu, ou um reencontro com um amigo que você não vê há anos e que sempre te irritou quando criança, ou ainda o super descolado DJ da festa. Mais uma vez você poderá viver sua própria aventura erótica, lembrando que sempre poderá voltar ao início caso sua escolha não tenha sido muito satisfatória. Quem gostou do primeiro, só resta aguardar para este ser lançado por aqui também.

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Ficha Técnica

Quando uma Garota Entra em um Bar...Título: Quando uma Garota Entra em um Bar…
Título original: A Girl Walks Into a Bar
Autor(a): Helena S. Paige (Helen Moffett, Sarah Lotz e Paige Nick)
Editora: Novo Conceito
Tradução: Robson Falchetti Peixoto
Edição: 2013 (1ª)
Ano da obra / Copyright: 2013
Páginas: 240
Baixe um Trecho: AQUI
Sinopse: Então você se arrumou toda para uma noite de amigas, daquelas onde só as mulheres participam, mas suas amigas mudaram de planos sem avisar e, agora, você está sozinha em um bar superbacana, arrumada e perfumada, e sem saber bem para onde ir… O que você faz? Aproveita que já está por ali, pede uma tequila e dá uma boa olhada no yuppie que está na mesa ao lado? Ou pede uma cerveja e vai pra perto do palco arrebatar o baterista? Pode ser que você prefira uma paquera com o rapaz de botas de bico fino e músculos trabalhados que está encostado à parede. Ou, quem sabe, tomar um café com o bombeiro que está cuidando da segurança dos clientes e que, neste instante, está verificando o funcionamento do extintor… E isso tudo só pra começar! A escolha é sua — e você tem um mundo de possibilidades nesta noite que parecia começar mal! Só não espere que esta experiência seja como outra qualquer, porque esta noite ficará definitivamente marcada em sua memória de erotismo e paixão. Divirta-se com esta definitiva experiência sensual onde você, e só você, terá o controle de seu próprio prazer!

Onde comprar:
Saraiva | Fnac | Estante Virtual | Cultura

9 comentários

  1. Diferentemente de você, me joguei nos “Cinquenta tons de cinza”, mas acabei cansando de tanta publicidade acerca dos romances eróticos.
    Acontece que fiquei muito curiosa com esse livro que você postou. Nunca li nada parecido. Será que seria legal?
    Beijos

    Meu Meio Devaneio

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    • Oi Soraya,
      Eu deixei passar a febre, e como ela eu também esfriei minha curiosidade, rsrs… Então, dificilmente lerei “50 Tons de Cinza”, principalmente pela quantidade de livros pendentes que eu tenho aqui.
      Quanto a este, não funcionou muito bem pra mim, e não sei te dizer se você vai curtir também. Mas nunca se sabe, né?
      Beijos

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  2. Não sei qual é a graça de “Cinquenta tons de cinza”. Só pra dizer que eu não li, eu li só o primeiro capítulo e não gostei.
    Dizem também que não tem nada de ‘erótico’ no livro.

    Eu lembro de um livro que folheei ‘estilo RPG’ que o leitor vai construindo a história quando eu era criança. Achei engraçado e curioso logo de cara. Nunca mais vi livros assim.
    Mas acredito que o público feminino que gosta desse estilo de livro, com certeza irá gostar desse.

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    • Oi Maurício,
      Também não sei qual a graça, se bem que talvez não seja esse o propósito. No entanto, eu passo.

      Eu tenho outro livro nesse “estilo RPG”, só que do O Senhor dos Anéis, rsrs… Começa com um “erótico” não foi tão positivo para mim. E sim, acho que esse pode ser bem divertido para o público feminino.

      Abraços

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  3. o pior é que eu não senti vontade nenhuma de ler esse livro. Aí resolvi baixar um trechinho pra ler e quando me empolguei fiquei a ver navios [só tenho o livro pra saber do resto u.u] kkkkkkkkkkkkk e fiquei curiosa até agora. Apesar de amar RPG, e detestar esse gênero erótico atual’ [odeio 50 tons e sou lover de Nïn] acabei ficando curiosa sobre esse enredo nada comum de quando uma garota… rsrsr
    adorei tua resenha, e eu ri demais dos teus trocadilhos e imaginei vc tentando escolher com qual calcinha iria pro bar kkkkkkkkk 😛

    bjs.
    =]

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    • Oi querida,
      Então, eu nem ia ler esse livro também, mas acabei pegando e terminando rapidinho. Apesar de eu não ter me identificado, pode ser uma experiência interessante para quem curte histórias eróticas.
      Hahahahahaha… é, foi tenso.
      Beijos

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  4. “50 tons” fez todas as fanfics de Crepúsculo com cunho erótico terem a possibilidade de serem publicadas, vários livros lançados atualmente são derivados dessa leva. /o\
    Sem dúvida alguma é difícil um homem se identificar com a maioria desses livros porque quase sempre são narrados em primeira pessoa, por uma mulher fora dos padrões digamos assim.
    Achei bacana que você soube entender que isso te “atrapalhou” de alguma forma na leitura, poucas pessoas admitem isso.

    Beijo
    Fernanda – Leitora Incomum

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    • Hahaha… é verdade Fê.
      Pois é, eu mesmo não me identifiquei, mas talvez ler um livro que não fosse nesse formato pudesse ter feito eu gostar mais, sei lá.
      Não anulo a possibilidade de ler outros livros do gênero.
      Beijos

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  5. Olá, querido.
    Conversamos sobre esse livro outro dia e percebi que não tinha vindo aqui ver a sua resenha. Ultimamente tenho curtido muito esses lançamentos com conteúdo erótico, mas não pelo sexo em si, mas por todo o drama por trás desse tema! Acho que esse livro deve ser no mínimo divertido!
    Beijos
    Camis

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