Never Sky: Sob o Céu do Nunca, de Veronica Rossi

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E por que sentir dor, se não é preciso? Por que sentir a força do medo, se não há perigo de se ferir? Nós enfatizamos o que julgamos bom e removemos o ruim. Esses são os Reinos, como você os conhece. “Melhor que real”, como eles dizem.
Veronica Rossi, Never Sky: Sob o Céu do Nunca, pág. 230

“Não julgue o livro pela capa” é uma das expressões mais comuns no universo de leitores. Ter preconceito diante de uma obra somente pela capa pode nos impedir de apreciar uma excelente leitura. Apesar de ser um baita preconceito, nós leitores, ainda costumamos fazer isso. Ao ter em mãos o livro Never Sky: sob o céu do nunca, eu esperava que o livro fosse tão bom quanto a capa. E não é que eu estava certo?

Ao ler as primeiras páginas, fiquei meio receoso quanto ao conteúdo da obra. Afinal, me deparei logo de cara com muitos termos típicos do gênero fantasia, que até hoje não me acostumei. No caso deste livro, realmente tive dificuldade no começo, que foi diminuindo com o decorrer das páginas. Antes da metade do livro, já estava impressionado com a beleza do universo criado pela autora. Mas vamos à trama!

Never Sky: sob o céu do nunca se passa em um ambiente pós-apocalíptico, em que parte dos habitantes do planeta vive em cidades encapsuladas (núcleos) e outras vivem nas áreas externas. Os habitantes dos núcleos podem frequentar ambientes virtuais através de olhos mágicos – dispositivos eletrônicos que simulam cópias multidimensionais do mundo deixado para trás, chamados de Reinos. Os habitantes das áreas externas vivem em tribos e são tidos pelos primeiros como Selvagens, já que não podem desfrutar dos prazeres dos Reinos.

A trama se desenrola quando Ária é expulsa de seu lar, a cidade encapsulada de Quimera. Ela foi banida de casa após se envolver em uma confusão que pôs em risco a segurança do núcleo. Como castigo, Ária é encaminhada à Loja da Morte, ambiente que possui perigos suficientes para matá-la em minutos. Ao encontrar Perry nesse ambiente hostil, Ária vê uma gota de esperança de se salvar. Perry também se meteu em confusão na sua tribo e acabou deixando seu sobrinho ser raptado. Em busca dele, Perry precisará da ajuda de Ária para desvendar o paradeiro do garoto. Em compensação, ela precisará das habilidades de caça e sobrevivência de Perry para se manter viva na Loja da Morte.

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Neste aspecto, o livro lembra muito o enredo da franquia Jogos Vorazes, em que Katniss e Peeta devem aliar forças para sobreviver em meio a um reality show. A diferença entre as personagens é que Perry e Ária não convivem com a possibilidade de se matarem a qualquer instante, apesar de Ária inicialmente ver seu aliado como um perigo iminente. Ária se mostra incialmente como uma garota frágil e mimada, porém vai evoluindo gradualmente conforme os perigos vão aumentando, enquanto Katniss passa longe de ser uma personagem frágil. A semelhança encontra-se pelo fato das obras serem distopias e terem personagens centrais antagônicos.

Em meio às tempestades de Éter e aos canibais famintos, eles vão descobrindo aos poucos suas identidades, sobretudo Ária, que possui mais coisas em comum com Perry do que imaginava. A ideia de aliados de sobrevivência é também deixada para trás e dá lugar a uma relação bonita guiada pelos sentidos.

A escrita de Veronica Rossi me agradou do inicio ao fim. Da metade para o final é quase impossível parar de ler. Fiquei muito curioso com relação às tempestades de Éter, que estão presentes em toda a obra, mas pouco se sabe sobre suas origens. O mesmo acontece com o acontecimento da União, que marca o fim de uma era, mas poucos detalhes são revelados.

O desfecho do livro me deixou curioso para os outros dois livros da trilogia, que com certeza irei ler. No final, a sensação que fica é a de que: “isso tem que virar filme!”. Para a minha felicidade, descobri que isso acontecerá em breve, já que a Warner Bros comprou os direitos de adaptação da obra.

Veronica Rossi nasceu no Rio de Janeiro, mas reside atualmente nos Estados Unidos. “Never Sky: sob o céu do nunca” foi inicialmente lançado em inglês, sendo traduzido depois pela editora Prumo. Os outros dois livros da série são Through The Ever Night e Into The Still Blue. O segundo volume foi confirmado pela Prumo para o primeiro semestre de 2014. Agora só resta esperar pelas novas aventuras da heroína Ária 😀

Sequência de publicação/Cronologia da série:

  1. Never Sky: Sob o Céu do Nunca (Under the Never Sky, 2011)
  2. Through The Ever Night (2013)
  3. Into The Still Blue (2014)

Ficha Técnica

neverskyTítulo: Never Sky: Sob o Céu do Nunca
Título Original: Under the Never Sky
Autor(a): Veronica Rossi
Editora: Prumo
Tradução: Alice Klesck
Edição: 2013 (1ª)
Ano da obra / Copyright: 2011
Páginas: 336
Sinopse: Em um cenário pós-apocalíptico, a população do planeta se dividiu entre aqueles que conseguiram esconder-se em cidades encapsuladas, conhecidas como núcleos, e as que sobreviveram nas áreas externas, mas tornaram-se primitivas. Através de um dispositivo eletrônico, os habitantes dos núcleos podem frequentar diferentes Reinos, cópias virtuais e multidimensionais do mundo que elas deixaram para trás. Neles se pode fazer qualquer coisa, ser qualquer pessoa, sem consequências no mundo real. Mundos sem dor, sem medo. As palavras dor e medo, porém, fazem parte do vocabulário cotidiano dos que vivem além das paredes dos núcleos.

Onde comprar:
Saraiva | Estante Virtual | Cultura

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6 comentários

    • Olá Camila,

      É uma boa estratégia. Só não gosto de fazer isso porque fica muito extenso e cansativo. Mas o ritmo do primeiro é legal, mesmo tendo mais de trezentas páginas.

      Beijos!

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    • Oi Soraya,

      Pois é, o jeito é embarcar junto com o gênero mesmo. Recomendo que você leia ele, a leitura é difícil somente no começo, depois é tudo excelente.

      Beijos!

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  1. Eu li o livro e gostei bastante da ideia original da Rossi. Acho que só por isso o livro deveria ganhar um 5 estrelas, pois sério, as tempestades de Éter são iradas – apesar de mortais, kk! Apesar de não ser 100% excelente – acredito que poderia haver um desenvolvimento maior e mais esclarecimentos sem deixar tudo nas costas da continuação – eu gosto realmente da história e estou louco pela sequência, e fico feliz que a Prumo não tardará lançar. Boa resenha!

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    • Olá Joshua,
      Eu dei quatro estrelas a ele no Skoob. As tempestades de Éter são as coisas que eu mais tenho vontade de ver nas telonas. E espero que não demore muito!

      Eu estou ansioso para ler o próximo também, rsrs.

      Obrigado! Abraço.

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