Frozen – Uma Aventura Congelante (Frozen, 2013)

Frozen poster

Frozen – Uma Aventura Congelante (2013) consolida uma nova era de ouro para as animações produzidas pelos estúdios da Disney. Quebrando a maioria dos padrões clássicos e estereotipados de princesas frágeis e príncipes heroicos, dotados de valores morais e virtudes, os mais recentes filmes de animação adaptam e atualizam os contos de fadas seculares ao pensamento contemporâneo e às novas necessidades da sociedade atual.

Produzido pela Walt Disney Animation Studios, o filme Frozen contou com a direção conjunta de Chris Buck (de Tá Dando Onda, 2007, e Tarzan, 1999) e Jennifer Lee (de Detona Ralph, 2012). Esta última, além de assinar o magistral roteiro dessa animação, destaca-se ainda por ser a primeira mulher em toda a história a dirigir um filme para os estúdios da Disney.

O filme já se tornou um sucesso colossal de público e de crítica. Na premiação do Globo de Ouro 2014, Frozen levou a estatueta de melhor filme de animação e segue unânime como favorito ao Oscar. Além disso, esse filme já se estabeleceu como um fenômeno de bilheteria mundial, ultrapassando os maiores sucessos da Disney, como O Rei Leão. Em termos de arrecadação, Frozen faturou mais de 700 milhões de dólares no mundo todo, sendo que o filme estreou há menos de duas semanas aqui no Brasil, enquanto nos Estados Unidos e na Europa, o mesmo é exibido desde novembro do ano passado.

A animação foi levemente inspirada no conto de fadas A Rainha da Neve (1845), de Hans Christian Andersen. O mesmo conta a história de duas crianças que viviam numa terra sabotada por Trolls diabólicos, os quais congelaram os corações das pessoas do povoado e distorceram sua visão da realidade por meio de um espelho maligno. Até que um dia, Kai, uma das crianças, foi seduzido pela Rainha da Neve e levado por ela até seu palácio, onde ficaria preso, no entanto, a outra criança, uma menina chamada Gerda, faz uma longa viagem até o palácio da malvada Rainha para resgatar o amigo.

frozen personagens
O “elenco” principal do filme: a rainha Elsa, o geleiro Kristoff, o boneco de neve Olaf, a rena Sven, a princesa Anna e o príncipe Hans

Não obstante, esta nova animação da Disney adaptou a parte essencial da história aos dias de hoje, permitindo uma maior identificação dos espectadores com a personalidade dos personagens. A Rainha da Neve, aqui representada pela Rainha Elsa, não é mais tida como a vilã da história, mas como a antagonista de si mesma, no momento em que se deixa dominar pelo temor de seus próprios poderes. Sendo assim, a personagem torna-se bastante verossímil e adquire um novo significado psicológico, possibilitando até, numa análise psicanalítica, a interpretação de seu significado como uma adolescente em fase de transição, que passa pelos conflitos emocionais próprios dessa fase de amadurecimento e precisa aprender a se aceitar para poder enfrentar seu “monstro” interior.

A trama principal da animação gira em torno de duas princesas; Elsa e Anna, que vivem em Arendelle, um distante reino cercado por fiordes, na gelada Escandinávia. A irmã mais velha, Elsa, possui o poder mágico de criar gelo ou transformar em gelo tudo aquilo que toca. Para sua irmã Anna, tal poder é motivo de constante diversão, e as duas aproveitavam bastante as brincadeiras com bonecos e montes de neve durante a infância. Um dia, no entanto, Anna foi acidentalmente atingida pelo poder de sua irmã, o que causaria uma tragédia caso o Mestre dos Trolls, Grande Pabbie, não tivesse removido a magia de sua mente.

Assim, Anna cresceu sem se lembrar do poder fantástico de sua irmã, entretanto, as irmãs cresceram separadas, pois Elsa vivia isolada num quarto do castelo. Até que um dia, os pais de Anna e Elsa tiveram que fazer uma viagem pelo mar, todavia nunca mais retornaram. Numa cena sutil, porém impactante, apresenta-se a embarcação do Rei e da Rainha de Arendelle sendo tragada pela fúria do oceano.

Após três anos da morte dos pais, celebrou-se a coroação da Rainha Elsa e finalmente os portões do castelo foram abertos. Anna estava tomada por uma alegria contagiante, ansiando pelo contato com mais pessoas e pelo encontro de seu amor verdadeiro, que ela logo conhece, o príncipe Hans. Quando foi pedir a bênção da rainha para o seu casamento, esta não a concede, alegando que a irmã não pode casar-se com alguém que acabou de conhecer. Algo que é habitual em histórias clássicas de princesas, como Cinderella, Branca de Neve e Bela Adormecida, nesta é tratado como uma atitude impulsiva e inconsequente. Por esse motivo, as duas discutem no meio do baile da coroação e Elsa acaba por revelar a todos o seu poder.

Com medo da rejeição e de ser tratada como um monstro, Elsa foge de Arendelle e desencadeia um inverno rigoroso por toda a região. Contudo, essa constitui a cena mais bela do filme, em que Elsa se assume como realmente é e canta a emocionante canção de liberdade Let it Go (Deixe fluir), ao passo que constrói sua fortaleza de gelo. Do outro lado, a corajosa Anna vai atrás de sua irmã e deixa o príncipe Hans no comando de Arendelle.

No caminho, Anna encontra o vendedor de gelo Kristoff e sua rena Sven e pede o auxílio de ambos para tentar resgatar a irmã de seu autoexílio na Montanha do Norte. Além dos novos companheiros, Anna conhece o boneco de neve Olaf, criado pela Rainha Elsa, este logo se une ao grupo e torna-se o responsável por algumas das cenas mais comoventes e mais engraçadas do filme. Olaf, na opinião dos diretores da animação, representa o amor inocente e despretensioso, um personagem capaz de nos fazer rir e chorar ao mesmo tempo; e é, de modo especial, apaixonante. Outro destaque do filme é a belíssima trilha sonora, que intercala canções memoráveis entre as falas das personagens.

Enfim, com personagens cativantes, números musicais encantadores e uma mensagem importante e realista a passar para o público do século XXI, Frozen (2013) representa a evolução dos contos de fadas, que enaltecem a importância do amor real e duradouro, construído com o tempo e a convivência. Desse modo, a principal mensagem transmitida pelo filme sintetiza-se na frase do Grande Pabbie, o qual diz que “só um ato de amor verdadeiro pode descongelar um coração congelado”, e esse amor sincero revela-se na valorização da amizade entre as irmãs, que devem superar juntas os medos e os obstáculos da vida. Um filme recomendável para todos os que ainda acreditam no amor e, sobretudo, para todos aqueles que precisam recomeçar a acreditar.

Uma das cenas cenas mais comovente do filme protagonizada pos Olaf e Anna.
Uma das cenas mais comoventes do filme protagonizada por Olaf e Anna

Curiosidades:

  • Em entrevista exclusiva dos diretores do filme para a revista Veja, Chris Buck e Jennifer Lee fizeram algumas importantes revelações sobre a animação. Tais como a necessidade de adaptar as novas animações ao público atual e o fato de eles terem praticamente reescrito quase todo o filme após terem escutado a canção Let it Go, feita para o filme. Confira a seguir, a entrevista na íntegra => AQUI.
  • O blog Música, TV etc publicou uma matéria super divertida e interessante sobre o personagem Olaf, na qual eles selecionaram 5 motivos especiais para amar o Olaf. Confira a matéria => AQUI.
  • Uma questão importante que tem gerado bastante polêmica sobre as animações no Brasil é a dublagem aqui feita. Os estúdios brasileiros da Disney vêm investindo em “celebridades da moda” para promover algum personagem e fazer uma apelação maior ao público adulto para que estes lotem as salas de cinema. No entanto, isso tem gerado um considerável prejuízo às dublagens de animações, tão veneradas pelos amantes dessa arte. Esse é o segundo caso que provocou divergências e tem dividido opiniões dos fãs. Eu confesso que não fui ao cinema ver o filme depois que soube que a voz de Gustavo Pereira, dublador profissional, que emprestou sua voz ao personagem Nemo, do filme Procurando Nemo, e ao Soluço, de Como Treinar o Seu Dragão, seria descartada, e em seu lugar seria inserida a voz do comediante em ascensão Fábio Porchat. Considero um desrespeito aos dubladores, que trabalham muito para criar uma voz única para cada personagem e têm seu trabalho desvalorizado pelos grandes estúdios, que parecem apenas se preocupar em obter cifras milionárias. Confira um texto muito interessante do excelente crítico de cinema Pablo Villaça, em que ele disserta um pouco sobre esses casos de dublagem aqui no Brasil => AQUI.
  • A outra voz que eu sonhava que tivesse dublado o personagem Olaf, seria a de Oberdan Júnior, que é dublador profisional, sendo a voz inconfundível de Tintim, em As Aventuras de Tintim (filme e série de TV), Hercules, de Hercules (filme e série de TV), Leitão, da série As Novas Aventuras do Ursinho Puff; e de um dos meus personagens mais queridos de desenho animado, Bartok, do desenho em 2D da Warner: Anastasia (1997).

Ficha Técnica

Frozen CartazTítulo: Frozen – Uma Aventura Congelante
Título Original: Frozen
Direção: Chris Buck e Jennifer Lee
Roteiro: Jennifer Lee
Gênero: Animação, Fantasia, Comédia, Musical
País: Estados Unidos da América
Ano: 2013
Duração: 108 min.
Sinopse: Elsa, a futura rainha de Arendelle, nasceu com a capacidade mágica de criar gelo e neve, embora tenha escondido isso de todos, incluindo a sua irmã mais nova, Anna. Após seus poderes, acidentalmente, condenarem o reino a um inverno eterno, ela foge e auto-exila-se num castelo de gelo. Agora cabe a Anna e Kristoff, um destemido homem da montanha, partirem numa jornada para trazerem Elsa de volta a Arendelle e reverterem o inverno em verão.

Trailer

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19 comentários

  1. Esse filme parece ser uma graça! E aquela música gravada pela Martina Stoessel é lindinha demais (mas acho que não sei se toca no filme aqui no Brasil, ou se substituíram por uma música em português, enfim).
    E concordo com você em relação aos dubladores. Coisa parecida acontece também nos musicais; às vezes preferem colocar um ator global famosinho e dispensam gente muito mais qualificada nos papéis principais dos musicais. Dublagem também é arte, é estudo/esforço, não é qualquer um que chega e faz bem. Tudo bem que generalizar também não é legal, mas a grande maioria é colocada apenas como chamariz para o público…

    Beijos, Livro Lab

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    • O filme é maravilhoso, Aline!
      Na versão em inglês, quem dublou Elsa, a Rainha da Neve, foi a Idina Menzel, que é atriz e cantora profissional (já participou do filme “Encantada”, e do musical “Wicked”, uma paródia de “O Mágico de OZ”). Já a Martina Stoessel foi quem gravou a versão em espanhol na Argentina, belíssima, na minha opinião!
      Realmente, esse rumo que as dublagens brasileiras vêm tomando é lamentável, por causa da imposição dos grandes estúdios. Essa atitude está pondo em xeque o resultado final do filme exibido nos cinemas brasileiros, pois a falta de preparo e, muitas vezes, de talento dessas “celebridades da mídia” acaba comprometendo toda a qualidade do trabalho da equipe de dublagem. No caso dos musicais, isso também gera grande prejuízo. Como se esquecer da desagradável performance de Danielle Winits na adaptação brasileira de “Chicago”? Não questiono suas habilidades como atriz, mas como cantora, infelizmente, deixa muito a desejar.
      Em contrapartida, há uma quantidade enorme de gente talentosa, que se dedica e estuda, adquirindo o preparo necessário para fazer um trabalho bem feito, mas pelo fato de não aparecerem na TV, ou em canais na internet (outro meio que produz celebridades instantâneas atualmente), não são valorizados.
      Infelizmente, temos poucos meios para lutar contra essas jogadas comerciais, mas pelo menos enxergar de forma crítica essa situação já é o primeiro passo para a mudança.

      Beijos! 🙂

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    • Olá Giovanna 😀
      o filme é de fato lindo! Até agora já o assisti três vezes e meia! E pretendo assisti-lo mais vezes ainda! rs
      Super recomendo!
      Beijos!

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  2. Oi, Vanessa.
    Eu estou doida para ver esse filme, mas acho que só vou ter chance quando sair na Tv a cabo!! Normalmente eu gosto de ver as animações dubladas, mas estou desanimando muito com esse lance de usarem atores da modinha para dublar . Acho uma grande porcaria. Odiei o Enrolados, por exemplo, por causa da voz do Luciano Hulk!! Sem contar que não é qualquer um que sabe como dublar!
    Espero que isso acabe logo!
    Beijos
    Camis

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    • Oi, Camila! ^_^
      Também ando bastante desanimada para assistir a animações no cinema, pois além desse fato de as dublagens brasileiras estarem perdendo a qualidade, é raro ter a opção legendada no cinema (No caso de Frozen, segundo o crítico Pablo Villaça, a Disney Brasil só ofereceu apenas uma única sessão legendada em todo o país!).
      Também achei a dublagem do Luciano Hulk um caso terrível, acho que isso foi o cúmulo da falta de bom senso por parte da Disney Brasil. E apesar de a dublagem de Fábio Porchat não ser tão ruim quanto, ainda deixa muito a desejar. O Olaf ficou parecendo ter voz de surfista malandro, enquanto na voz de Gustavo Pereira (dublagem descartada) o personagem parece muito mais sensível e cativante.
      Outro problema também, na minha opinião, é quando escolhem dois dubladores para o mesmo personagem (um para as falas e outro para as canções). Em alguns casos, não há problema, pois não são tão perceptíveis, mas em certos casos em que as vozes são visivelmente diferentes, aí acho que já quebra um pouco a magia do filme.
      Bem, Camis, eu recomendo assistir a versão original, pois a versão dublada em português brasileiro, infelizmente, também apresenta muitos problemas na mixagem. Há trechos nas músicas em que não dá para entender o que as personagens estão dizendo, enquanto a versão em inglês está impecável! Até me surpreendi com a bela voz da atriz e dubladora Kristen Bell cantando.

      Beijos! 😀

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  3. Nunca pensei que fosse sentir tanta vontade de assistir um filme animado! Mas esse filme parece ter tantas mensagens boas para transmitir. Fora que o boneco Olaf virou uma sensação em várias fan pages, e Let It Go é uma música linda. Em breve vou assisti-lo. Beijos.

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    • Olá, Mylane, bem-vinda ao blog! 🙂
      Espero que assista ao filme, acredito que vai gostar!
      A história é fantástica, as músicas são lindas. O Olaf é um personagem muito adorável, e os outros personagens também são apaixonantes, você verá! Esse é um filme que tem tudo para se tornar um clássico!
      Beijos!

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  4. Estou super a fim de assistir esse filme, ainda mais que meu irmão assistiu e disse que gostou bastante. Fico feliz que uma animação recente não tenha caído no clichê, e parece estar revolucionando – espero novos longas vindouros no mesmo estilo, que surpreenda como antigamente o telespectador. Ótimo post!

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    • Obrigada, Joshua!
      Esse é um filme que faz relembrar a época de ouro dos filmes da Disney, tanto pelo sucesso do filme, quanto pela qualidade da produção. Além disso, há a originalidade da história, que foge aos padrões ultrapassados das animações com princesas da Disney. Em Frozen, vemos duas princesas fortes e decididas, que não precisam de nenhum príncipe para defendê-las. Também fico muito esperançosa com as novas produções!
      Beijos 🙂

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  5. Oie, o filme nem me pareceu tão pro lado infantil, então é algo da qual eu já gostei e me pareceu muito divertido. Já tinha visto vários comentários positivos sobre o filme.

    Beijos :*

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    • Olá, Kelry! 🙂
      Eu acredito que a maioria dessas animações também são para adultos, pois apesar de serem direcionadas para o público infantil, elas possuem histórias com muitas reflexões e pontos de vista que ainda não estão ao alcance da percepção infantil, e que apenas os adultos podem enxergar. Por exemplo, quando eu assisti a Toy Story na minha infância, eu tinha uma visão daquele mundo totalmente diferente da que tenho nos dias hoje, para mim, aquele era um mundo real e perigoso, com um vizinho assustador, rs. Atualmente, porém, quando assisti ao último filme da trilogia, já o encarei mais como uma alegoria do mundo real, mas, ainda assim, um filme que retrata de forma profunda nossa realidade. Como fã de animações sou suspeita, mas Frozen certamente possui um diferencial, vale a pena conferir!

      Beijos!

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